Criar um filho sozinha também significa aprender a tomar muitas decisões sem ter sempre alguém ao lado para dividir a responsabilidade. Qual escola escolher? Como organizar as despesas? O que fazer quando a criança fica doente? Como conciliar o trabalho com uma reunião na escola? E, no meio de tudo isso, onde é que a mãe fica?

É precisamente aqui que muitas mulheres acabam por se esquecer de si próprias. A criança come, vai à escola, tem roupa limpa, material escolar e atenção. O trabalho continua. A casa precisa de ser cuidada. Mas a mãe vai ficando para depois.

O problema é que esse “depois” pode nunca chegar.

Por isso, além de cuidares do teu filho, também precisas de construir uma forma mais sustentável de viver a maternidade. Não para fazeres tudo melhor do que todas as outras mães, mas para conseguires continuar de pé sem sentires que estás constantemente no limite.

Em Moçambique, esta realidade pode ser ainda mais exigente. Muitas mulheres precisam de conciliar o emprego, pequenos negócios, trabalho informal, tarefas domésticas, deslocações longas, escola dos filhos e responsabilidades familiares. Entre apanhar um chapa de manhã, chegar ao trabalho, passar pelo mercado e regressar a casa, o dia pode parecer uma corrida que nunca termina.

E existe ainda uma pressão que quase ninguém fala: a obrigação de parecer forte o tempo inteiro.

Mas deixa-me dizer-te uma coisa: ser forte não significa nunca pedir ajuda, nunca chorar ou nunca sentir medo. Ser forte também é reconhecer os próprios limites, procurar apoio e perceber que cuidar de ti faz parte de cuidar do teu filho.

Não precisas de uma maternidade perfeita. Precisas de uma maternidade possível, segura, afectuosa e adaptada à tua realidade.

Constrói e aceita a tua rede de apoio

Mãe e filho a caminhar juntos numa rua tranquila mostrando proximidade e união

Existe uma ideia muito bonita que diz que é preciso uma aldeia para criar uma criança. E, quando estás a criar um filho praticamente sozinha, essa ideia deixa de ser apenas uma frase bonita e transforma-se numa necessidade.

Uma das maiores dificuldades da maternidade solo é acreditar que tens de resolver tudo sem depender de ninguém. Talvez tenhas medo de ouvir críticas. Talvez não queiras incomodar familiares. Ou talvez tenhas aprendido, ao longo da vida, que uma mulher forte é aquela que aguenta tudo calada. Mas não é assim.

Aceitar ajuda não diminui o teu valor como mãe. Pelo contrário: uma rede de apoio pode dar-te tempo para descansar, trabalhar, resolver uma emergência ou simplesmente tomar banho sem ouvir alguém a chamar “mamã” a cada dois minutos.

Não tenhas vergonha de pedir ajuda

Não tenhas vergonha de pedir ajuda

Pode ser a tua mãe, uma irmã, uma tia, uma prima, uma amiga de confiança ou até uma vizinha com quem tens uma relação segura. Às vezes, a ajuda de que precisas não é dinheiro nem uma solução enorme. Pode ser apenas alguém que fique com a criança durante duas horas enquanto resolves um assunto importante.

Pensa numa situação muito simples: tens de ir a uma entrevista de emprego, mas não tens com quem deixar o teu filho. Uma pessoa da tua rede pode fazer a diferença entre perder uma oportunidade e conseguir comparecer.

O mesmo acontece quando estás doente, quando tens uma reunião inesperada no trabalho ou quando a criança precisa de ser levada ao hospital.

Nas comunidades moçambicanas, onde os laços familiares e de vizinhança podem desempenhar um papel importante no quotidiano, vale a pena identificar as pessoas em quem realmente podes confiar. Não precisas de contar tudo a toda a gente. Rede de apoio também significa escolher cuidadosamente quem pode entrar na tua vida e na vida do teu filho.

E lembra-te: pedir ajuda não significa entregar a responsabilidade do teu filho a outra pessoa. Significa permitir que outras pessoas contribuam para que a caminhada seja menos pesada.

Cria ligações com outras mães

Cria ligações com outras mães

Há conversas que só outra mãe consegue compreender.

Aquela conversa rápida à porta da escola, durante uma reunião de pais, no bairro, na igreja ou até num grupo de WhatsApp pode acabar por ser mais útil do que imaginas.

Uma mãe pode explicar como conseguiu organizar a rotina escolar do filho. Outra pode recomendar uma forma mais económica de preparar determinadas refeições. Outra pode simplesmente ouvir-te depois de um dia difícil.

Não subestimes esse tipo de ligação. Às vezes, não precisamos de alguém que resolva os nossos problemas. Precisamos apenas de ouvir: “Eu também já passei por isso.”

Ao criares relações saudáveis com outras mães, também podes construir uma pequena comunidade de troca de experiências. E isso é especialmente importante quando sentes que estás a viver todos os desafios da maternidade sozinha.

Foca-te na rotina e na organização

Foca-te na rotina e na organização

Quando existe apenas um adulto a assumir grande parte das responsabilidades da casa, a organização deixa de ser apenas uma questão de disciplina. Ela pode ser uma verdadeira ferramenta para diminuir o stress.

Não estou a falar daquela rotina perfeita que aparece nas redes sociais, com a cozinha impecável, refeições preparadas para toda a semana e uma criança que acorda sorridente às seis da manhã. Isso é bonito na fotografia. Na vida real, às vezes, estás apenas a tentar encontrar a mochila enquanto o teu filho procura um sapato que desapareceu misteriosamente.

O objectivo não é ter uma rotina perfeita. É ter uma rotina que funcione para ti e para a tua família.

Cria horários previsíveis

Cria horários previsíveis

As crianças tendem a sentir-se mais seguras quando conseguem perceber o que acontece ao longo do dia.

Não precisas de criar um horário rígido ao minuto. Basta estabelecer alguns pontos de referência: hora aproximada para acordar, tomar o pequeno-almoço, ir à escola, brincar, jantar, tomar banho e dormir.

Essa previsibilidade pode facilitar bastante o dia a dia. Quando a criança sabe que depois do jantar vem o banho e depois do banho vem a hora de dormir, há menos espaço para aquela negociação interminável de “só mais cinco minutos”.

E sim, provavelmente vais ouvir “só mais cinco minutos” umas cinquenta vezes. Faz parte do pacote.

Uma rotina também ajuda a criança a desenvolver autonomia. Aos poucos, ela começa a perceber o que deve fazer sem depender de instruções constantes.

Prepara o dia seguinte na noite anterior

Prepara o dia seguinte na noite anterior

Se tens manhãs agitadas, esta pequena mudança pode fazer uma diferença enorme: prepara algumas coisas antes de dormir.

  • Escolhe a roupa da criança;
  • Prepara a mochila da escola;
  • Confirma se os trabalhos de casa estão feitos;
  • Separa documentos ou materiais importantes;
  • Deixa parte do pequeno-almoço encaminhada;
  • Organiza a tua própria roupa e os materiais de trabalho.

Parece simples, mas cinco ou dez minutos de preparação podem poupar-te uma boa dose de stress pela manhã.

Imagina acordar e já saber onde estão os uniformes, os cadernos e a mochila. Em vez de começares o dia a procurar coisas pela casa, tens mais tempo para tomar o pequeno-almoço com calma e preparar a criança para sair.

Para quem precisa de sair cedo para trabalhar ou depende de transportes públicos, essa organização pode ser ainda mais importante. Uma manhã mais previsível pode evitar atrasos e aquela sensação de que o dia começou mal antes mesmo de chegares ao trabalho.

Não te esqueças de ti no meio da maternidade

Não te esqueças de ti no meio da maternidade 

Esta talvez seja uma das partes mais difíceis.

Quando tens um filho para cuidar, é muito fácil começares a pensar que todas as necessidades dele vêm primeiro. E, durante algum tempo, isso pode até parecer natural. Mas quando passas meses ou anos sem descansar, sem conversar com alguém, sem fazer algo de que gostas e sem cuidar da tua própria saúde, o corpo começa a cobrar a factura.

Não precisas de esperar estar completamente esgotada para perceber que precisas de uma pausa.

Cuidar de ti não é egoísmo. É uma forma de preservar a energia física e emocional necessária para continuares a cuidar do teu filho.

O teu filho não precisa de ter tudo

Não deixes que a culpa materna controle a tua vida

É natural quereres dar ao teu filho aquilo que não tiveste ou aquilo que gostarias que ele tivesse. Mas não transformes essa vontade numa competição impossível.

Uma criança pode não ter o brinquedo mais caro, a roupa mais moderna ou todas as actividades extracurriculares. Isso não significa que esteja a crescer sem amor ou oportunidades.

O que realmente importa é que tenha segurança, alimentação adequada, cuidados, educação, afecto e adultos responsáveis que estejam atentos às suas necessidades.

Dentro das possibilidades da tua família, faz o melhor que conseguires. O melhor possível é muito diferente de perfeito.

6. Se o pai estiver presente, estabelece limites claros

Se o pai estiver presente, estabelece limites claros

Ser mãe solteira não significa necessariamente que o pai esteja completamente ausente. Existem famílias em que os pais estão separados, mas continuam ambos envolvidos na vida da criança.

Quando isso é possível e seguro, uma relação de coparentalidade organizada pode beneficiar a criança.

Mas existe uma diferença importante entre manter uma relação funcional como pais e continuar emocionalmente presa a uma relação de casal que já terminou.