O mito da criação Efik, oriundo do povo Efik da Nigéria, é uma rica tapeçaria que explora as origens da humanidade sob a égide de divindades supremas. Este relato não apenas oferece uma perspectiva sobre a criação do homem, mas também reflete sobre a relação entre os deuses e os seres humanos, e as consequências do exercício do livre arbítrio.
No início, Abassi, o criador, moldou os primeiros seres humanos, mas decidiu que eles não deveriam habitar a Terra. Sua esposa, Atai, intercedeu a favor da humanidade, persuadindo Abassi a permitir que as pessoas vivessem na Terra sob sua tutela direta.
Para manter um controle estrito sobre os humanos, Abassi impôs condições: eles deveriam compartilhar todas as refeições com ele, restringindo assim sua independência para cultivar ou caçar. Além disso, foi-lhes proibido procriar. Contudo, a mulher, desafiando as ordens divinas, começou a cultivar alimentos na Terra e cessou suas visitas a Abassi para as refeições. Logo, o homem juntou-se a ela nos campos, e a presença de crianças tornou-se inevitável.
Abassi culpou Atai pelo desvio do plano original, mas ela assegurou que resolveria a situação. Como medida corretiva, Atai enviou a morte e a discórdia à Terra para manter os humanos sob controle e limitar seu número.
Análise no Contexto Africano
Este mito Efik oferece uma reflexão profunda sobre a autonomia humana, a rebelião contra o destino imposto e as tentativas divinas de manter a ordem. A tensão entre Abassi e Atai reflete uma dinâmica celestial que repercute na existência humana, onde a intervenção divina e as escolhas humanas coexistem em um equilíbrio delicado.
A transgressão das diretrizes divinas pela humanidade, representada pelo cultivo de alimentos e pela procriação, destaca um tema universal nas mitologias: o desejo de autoafirmação e a busca por independência. A resposta de Atai, introduzindo a morte e a discórdia, é uma representação simbólica das dificuldades inerentes à condição humana e da inevitabilidade do sofrimento como parte da experiência de vida na Terra.
Este mito também ilustra a visão Efik sobre a origem do ciclo de vida e morte, bem como o surgimento de conflitos sociais como elementos reguladores da população e da ordem social. Ele ressalta a complexidade das relações entre os seres celestiais e os mortais, oferecendo uma perspectiva sobre como as culturas africanas interpretam a origem da vida, a moralidade e a existência humana.
Ao narrar a história da criação Efik, somos convidados a refletir sobre os valores, as crenças e a sabedoria intrínsecos às tradições orais africanas, que continuam a informar e a moldar as comunidades até os dias atuais. Este mito, portanto, não é apenas um relato sobre o início dos tempos, mas uma janela para o entendimento das complexas relações entre os deuses, a natureidade humana e o mundo em que vivemos.




















