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Mito #1: As empresas chinesas empregam unicamente trabalhadores chineses

Texto de Barry Sautman[ii] e Yan Hairong[iii]

Tradução de Pedro João Pereira Lopes[iv]

Qual é a contribuição das empresas chinesas para a geração de emprego local? O conteúdo mais generalizado e persistente, denunciado pelos discursos ocidentais, sobre as relações China-África, indica que as empresas chinesas “trazem os seus próprios” trabalhadores, e não contratam locais. Os líderes políticos dos EUA defenderam este ponto de vista, com particular destaque, na Cimeira EUA-África, em 2014. O Presidente Obama sugeriu aos líderes africanos que se “certificassem se, de facto, a China está a construir estradas e pontes, primeiramente, e se está a empregar trabalhadores africanos”. O vice-presidente, Joe Biden, “tirando sarro com a cara da China”, disse que “A América está orgulhosa com a forma em que o nosso investimento na África progride, lado a lado com os nossos esforços de empregar e treinar os locais para fomentar o desenvolvimento económico, e não apenas para extrair o que está no solo”. O Secretário de Estado John Kerry perguntou, retoricamente, sobre os construtores chineses em África: “Quantos chineses vêm para fazer o trabalho?”

Para os líderes africanos, as empresas estrangeiras constituem uma necessidade política e de desenvolvimento. Os administradores e engenheiros africanos as vêem como vitais para os seus planos de carreira e para as relações sindicalistas; e as ONGs as vêem como uma chave para a melhoria da gestão das relações de trabalho e uma maior responsabilidade social das empresas. Os políticos ocidentais e os meios de comunicação de massa influenciam as elites africanas para assumirem que as empresas chinesas pouco fazem para os locais, no entanto, nenhum deles apresenta dados sistemáticos sobre o que foi feito e o que é, afinal, necessário para que os empreendimentos chineses em África contratem mão-de-obra local.

Mão-de-obra local, primeiramente, e, acima de tudo, preocupações com o emprego; mas também a escolha de fornecedores e subempreiteiros, adaptação às leis do país anfitrião, alfândegas e mercados, e comunicação e socialização com os naturais. O nosso banco de dados sobre a força de trabalho local mostra que, em média, os naturais são mais do que 4/5 dos funcionários em 400 empresas e projectos chineses, em mais de 40 países africanos. As proporções são, contudo, muito mais baixas para os administradores de topo, e significativamente menor para engenheiros e outros profissionais. Há alguma mudança entre os 55 estados de África, quanto às taxas de contratação local nos empreendimentos e projectos chineses.

As indústrias extractivas, manufatureiras e de construção empregam, na sua maioria, 80% a 95% da mão-de-obra local, embora o ramo da construção apresente exemplos de escassez de competências locais ou limitações políticas do governo anfitrião, para a rápida conclusão do projecto, que geralmente exige que a mão mão-de-obra intensiva chinesa seja importada. A mais baixa taxa de utilização de força de trabalho local regista-se entre as duas grandes empresas de telecomunicações chinesas, a privada Huawei e a empresa estatal (EE) ZTE; ainda assim, apesar da grave escassez de engenheiros e técnicos em muitos estados africanos, essas empresas empregam metade a 2­/3 da força de trabalho local. Não há, geralmente, uma distinção exacta entre as empresas privadas e as empresas estatais chinesas relativamente à utilização da mão-de-obra local: as empresas privadas têm um maior incentivo económico, enquanto as empresas estatais têm incentivos políticos.

Os projectos de construção chineses em Angola e Argélia empregam uma proporção de nacionais abaixo da média (mas ainda maioritária): em Angola devido a inabilitação técnica consequência dos 27 anos de guerra, e em Argélia por causa da migração de trabalhadores qualificados para a Europa. A alta industrialização da África do Sul e do Zimbabwe associado aos níveis de educação resultam na forte utilização da mão-de-obra local pelas empresas chinesas.

Quase todos os administradores chineses [em África] entrevistados para o estudo, reconheceram que as vantagens da mão-de-obra local – uma conta baixa de salários, melhores relações com o governo, e aquisição de conhecimento local – superam inconvenientes tais como a perda das funções de controlo, empregados menos especializados e um ritmo mais lento de trabalho. Muitos administradores procuram seguir a tendência e, recentemente, algumas empresas chinesas, cada uma com milhares de empregados, usam 99% da força de trabalho local, incluindo a Kiluwa Mining Group e a China Africa Agricultural Investment Co., na Tanzânia; as subsidiárias da Sino-Steel na África do Sul e Zimbabwe, Akosombo Textiles em Gana, Beijing Geophysical Prospecting na Nigéria, e Jinchuan na Zâmbia.

O uso mão-de-obra local em empreendimentos chineses já é bem-desenvolvido e, em geral, quanto mais tempo as empresas chinesas ficam em África, mais elas usam trabalhadores locais. Porém, a elite africana pode considerar os números como não suficientes. Seu foco em cargos de administração é uma fonte de aborrecimento, contudo os estereótipos criados pelos meios de comunicação desempenham também um papel importante. É cliché considerar que existem poucos nacionais em empresas chinesas, quando existem muitas outras empresas estrangeiras em África. As empresas ocidentais estão há mais tempo em África, em comparação às suas contrapartes chinesas, o que lhes permite “usufruir” melhor dos recursos e mercados africanos, gerar maiores lucros e pagar altos salários para atrair os talentos africanos. Dados transnacionais indicam que, não obstante a existência actual das empresas chinesas, com alguns anos no continente, as empresas ocidentais não têm, geralmente, taxas elevadas de uso de mão-de-obra local.

Um outro estereótipo é o de que as empresas chinesas não estão dispostas a usar a mão-de-obra local porque elas desejam separar, etnocentricamente, o chinês do africano, ou porque o governo chinês vê a África como uma “lixeira” para trabalho excedente. Chineses com PMEs, porém, são mais propensos a viver entre os africanos e aprender línguas locais do que os expatriados ocidentais. Não faz sentido nenhum, também, imaginar que a China está a exportar o excesso de sua mão-de-obra para África, pois chineses que trabalham para empresas significantes – ao invés de serem empreendedores e terem emigrado por iniciativa própria – constituem somente cerca de dez mil, e entretanto provêm de uma nação de 1,4 bilhão de pessoas.

Recomendações

Para que as empresas chinesas contribuam ainda mais para o emprego, os actores políticos africanos e os meios de comunicação devem reconhecer que elas compreendem o benefício do uso da mão-de-obra local, aumentando o volume de operações locais e a redução as brechas culturais entre chineses e africanos. Os mitos sobre a presumível não utilização da mão-de-obra local pelas empresas chinesas deve ser abjurada, e aqueles [mitos] propagados para fins políticos, por forças políticas anti-China, devem ser combatidos, para que os africanos possam transitar para questões de emprego baseados na realidade das relações China-África. No entanto, o emprego local pode ser aprofundado, sistematizando colectivamente as obrigações legais dos investidores para recrutarem localmente, por meio de promulgação de normas, quotas ou reservas de emprego e, simultaneamente, a emissão atempada de licenças de trabalho para as posições não-nacionais.

Para que se desenvolva o emprego, através das relações China-África, os governos africanos devem, de igual modo, beneficiar das vantagens que decorrem da sobreposição da política aos negócios, nas operações das empresas estatais chinesas.

Durante a crise financeira mundial de 2008-2009, quando as empresas de mineração estrangeiras não-chinesas começaram a fechar ou a despedir os seus funcionários na Zâmbia, a empresa estatal China Non-ferrous Metal Mining Group (CNMC) accionou a contra-política dos “três nãos”: não à demissão de trabalhadores, não aos cortes no investimento e não ao abandono dos planos de expansão. A companhia comprou uma mina abandonada por uma empresa com sede na Suíça, re-contratou os seus trabalhadores, e empregou mais mil para abrir um novo corpo de minério. O apoio do governo chinês à política da CNMC serviu, de certa forma, para contrariar as afirmações do então partido da oposição, a Frente Patriótica (PF), que sustentava que “os chineses” não contribuíam para o emprego. Depois do partido PF ascender ao poder, em 2011, viria a abandonar a sua postura anti-China. Os governos africanos poderiam trabalhar com o governo chinês, suas empresas estatais, e até mesmo algumas empresas privadas, para propagarem a política dos “três nãos” para o continente.

Os governos africanos podem, ainda, promover o emprego instigando uma maior responsabilidade às empresas chinesas para que aumentem o investimento em mão-de-obra intensiva na indústria e serviços.

As empresas chinesas são as principais colaboradoras para o lançamento das bases para a industrialização de África, através da construção de infraestruturas. O Estado chinês controla os principais aspectos do Investimento Directo Estrangeiro para África, tornando-se, provavelmente, no mais importante actor mundial a encorajar companhias a assumirem os riscos do amplo desenvolvimento da indústria e serviços no continente. Os estados africanos, em conjunto, têm a soberania e o poder político necessário para obrigar o Estado chinês a tomar tais medidas.

Por fim, elevar os padrões da força de trabalho pode favorecer a geração de emprego através da criação de condições propícias à expansão da actividade empresarial.

Algumas fontes sugerem, de forma dúbia, que os empreendimentos chineses são os super-exploradores de África: Obama, em uma observação interpretada como uma alusão à China, disse, “Vocês [africanos] produzem matérias-primas, vendem-nas a preços baixíssimos e, em seguida, ao longo de toda a cadeia, alguém faz dinheiro e cria postos de emprego e valor”. Na verdade, as práticas das firmas chinesas são piores em alguns aspectos e melhores em outros aspectos, comparativamente a generalidade de investidores estrangeiros. Os governos chineses e africanos podem, contudo, influenciar as empresas a adoptarem uma visão de longo prazo e a melhorarem os salários e benefícios, mesmo quando ainda não estiverem a ter lucros. Eles criariam, assim, forças de trabalho mais estáveis ​​e evitariam problemas como os vistos em Sucoma – uma fábrica de açúcar privada, de origem chinesa, que opera em Madagáscar –, que experimentou tumultos generalizados em 2014, em parte porque alguns trabalhadores eram pagos pouco mais de um dólar por dia. A empresa afirma ter criado “10.000 empregos directos em todo Madagáscar, incluindo para 90 cidadãos chineses”. É, portanto, uma dessas empresas com 99% de mão-de-obra local, mas que por si só não satisfaz nem africanos nem chineses.

[i] Artigo traduzido do original “Myth #1: Chinese Companies in Africa only hire Chinese workers”. Aceda em inglês através de: <http://www.reporting-focac.com/myth-1-chinese-workers.html>, último acesso em 20 de outubro de 2015.

[ii] Barry Sautman (Ph.D. pela Universidade de Columbia) é cientista político e advogado na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong. Suas principais áreas de pesquisa são as relações China-África e políticas étnicas na China.

[iii] Yan Hairong (Ph.D. pela Universidade de Washington) é antropóloga da Universidade Politécnica de Hong Kong e autora de New Masters, New Servants: Migration, Development, and Women Workers in China (Duke University Press, 2008). Suas principais áreas de pesquisa incluem as relações China-África e desenvolvimento rural na China.

[iv] Pedro João Pereira Lopes (MPP pela Universidade de Pequim) é escritor, docente universitário e pesquisador. Suas principais áreas de pesquisa envolvem as relações China-África, pobreza, desenvolvimento e distribuição de riqueza.

Saiba porquê as pessoas vão ao Jardim dos Namorados

A nossa equipe de reportagem foi ao Jardim dos Namorados, num sábado, ao encontro de munícipes para saber deles quais eram os motivos que os levaram a escolher o local. Para a nossa boa sorte e satisfação todos os abordados eram casais.

NB: Alguns nomes dos parceiros (casais) são verdadeiros e foram publicados com a respectiva permissão.

Veja o que eles responderam:

Júlio e Anna: “é para passear e promover o turismo nacional – explorar aquilo que é a nossa cidade e apreciar a paisagem…”

César e Cláudia: “não é por causa de ser um sítio luxo não… tem uma boa brisa, silencio, é um local sem agitação…”

Adolfo e Carla: “num final-de-semana, um bom lugar para se estar na verdade, tranquilo e sem muito barulho. Um lugar apropriado para se passar o final-de semana com a pessoa amada…”

Armando e Luçana: “a ideia e ficar a vontade é espairecer um bocado. Também porque aqui é um sítio calmo e bonito…”

Élio e Safira: “é que aqui é um lugar aberto, viemos passear, frescar, estar perto da água…”

Adérito e Dulcineia: “… aqui é um sitio muito calmo, permite com que a gente esteja a vontade sem nenhum incómodo…”

Jamal e Kelufa: “…é um lugar calmo para estudar e espairecer, longe do corre-corre do dia-a-dia.”

Charles e Elina: “para conversar e ficar. Bom lugar para matar as saudades, apanhar a brisa…”.

Cada casal com seus próprios motivos, alguns convergentes e outros não, e certo é que o Jardim dos Namorados É UM BOM LUGAR PARA ESTAR!

Mozambique Music Awards (MMA) anuncia fim do projecto

Fundado em 2009, o maior evento de premiação artística e musical em Moçambique – Mozambique Music Awards (MMA), anunciou nesta terça-feira (03), através de um comunicado divulgado nas redes sociais, o fim do seu projecto, após ter sido alvo de várias criticas devido a sua desorganização na última edição.

A organização do evento assume todas as falhas por eles cometidos “Falhamos no passado sábado, nos nossos objectivos” -diz o comunicado em um dos parágrafos. Abrindo a possibilidade de um novo organizador: “Talvez seja tempo de deixar cair o projecto, de dar o espaço a quem eventualmente possa ter uma melhor visão e consequentemente leve a indústria de música e os excelentes fazedores de música moçambicana a outros patamares“. Por fim a organização despede-se agradecendo a todos que ao longo da sua existência deram suporte.

 Veja o comunicado:
“Mozambique Music Awards ( MMA)

Estimados Amigos da Musica Moçambicana,

Como organizadores do Mozambique Music Awards, desde há 7 anos que tentamos elevar e fazer com que o mesmo ultrapasse fronteiras. Quer as fronteiras físicas quer as psicológicas. Promover a cultura deste lindo país e os seus fazedores, alem fronteiras e tentando mudar mentalidades, criando uma e única só voz, a da música moçambicana.

Fomos sempre sujeitos, à pressão de elevar os standards do evento assim como aproxima-lo da realidade da indústria de música moçambicana. Explicando o evento, mostrando a forma de avaliação, divulgando artistas e tentando mostrar que o caminho existe apesar de ser difícil e nem todos estarmos preparados para o enfrentar.

Desenvolvemos parcerias com entidades similares assim como medias internacionais para a promoção e divulgação do mesmo, por forma a que se criassem pontes de ligação e oportunidades para a promoção e realização dos artistas.

Falhamos no passado sábado, nos nossos objectivos. Após uma serie de batalhas que fomos travando ao longo dos passados anos para prestigiar a música e essencialmente os músicos de Moçambique que com todas as dificuldades tentam todos os dias produzir e fazer crescer uma indústria extremamente importante para a cultura deste país.

Poderíamos usar simplesmente palavras como “correu mal” ou com um “para a próxima será melhor”, mas não, como disse um ilustre cantor moçambicano, Stewart Sukuma, falharam muitas coisas e muitas delas inadmissíveis nesta altura e principalmente para os objectivos a que nos propomos.

No entanto, e porque aprendemos todos os dias, mesmo naqueles em que as coisas não correm como o pretendido, tiramos ilações extremamente importantes e todo o contributo que fomos lendo ou ouvindo serviu para que pudéssemos fazer uma introspecção e olhar de uma maneira diferente.

Iniciamos o projecto porque acreditamos que poderíamos fazer diferença, independentemente de irmos aprender com os nossos passos. Não nos julgamos a nós. Isso deixamos aqueles que diariamente escrevem ou analisam de uma forma critica o nosso papel ao longo destes anos de trabalho. Não somos nem nunca dissemos ser perfeitos e aprendemos todos os dias, no entanto demos passos e fizemos com que pelo menos a música fosse tema de análise e de discussão pública. Honramos estrelas do passado, muitas delas tiveram com o MMA o seu primeiro reconhecimento e atenção mediática.

Talvez seja tempo de deixar cair o projecto, de dar o espaço a quem eventualmente possa ter uma melhor visão e consequentemente leve a industria de música e os excelentes fazedores de música moçambicana a outros patamares.
É um momento de análise.

Despedimo-nos, mas antes não queríamos deixar de dedicar aqui publicamente o NOSSO GRANDE OBRIGADO e uma palavra enorme de apreço para:

  • Os músicos moçambicanos, as nossas desculpas se falhamos e os desejos que eles lutem todos os dias por atingirem novas metas e objectivos por forma a conseguirem cada vez mais afirmarem-se em casa e no mundo;
  • A todos os amantes da música moçambicana, para que não deixem de apoiar aqueles cuja dificuldade é serem apoiados na vossa presença num concerto ou na compra de um disco;
  • A todos os jornalistas e profissionais da televisão, rádio e imprensa, que sempre nos apoiaram no projecto, que continuem a apoiar os músicos e com particular atenção aqueles que sendo novos valores, estão a despontar e precisam de suporte. Aqui uma palavra de reconhecimento à STV pelo apoio e suporte dado;
  • Ao juri e organizações como a SOMAS, Associação de Músicos, Associação de Djs, Ministério da Cultura e todos os outros que nos apoiaram;
  • A todos os patrocinadores e em especial o BCI, que desde a primeira hora foi sempre um ponto de apoio e suporte e que faz um trabalho enorme de promoção e apoio a TODA a cultura moçambicana.

O nosso desculpa e o nosso muito obrigado a todos.

A organização do MMA”

Oito anos depois nasceu o primeiro filho de Órbita

O rapper moçambicano Órbita Mil AmPeres, do grupo Akácya Recordz apresentará, no domingo 08/11/2015, o seu primeiro álbum, na rua da Rádio, na cidade de Maputo.

Mouzinho Alberto Munguambe ou, simplesmente, Órbita, iniciou as suas primeiras gravações de música RAP em 2007 e somente oito anos depois apresentará um álbum. Trata-se de A-KULTUR-A-ÇÃO, um álbum que essencialmente “é uma espécie de revolução, renascimento de uma cultura inovadora no sistema musical” e, como é habitual para a maioria ao lançar o primeiro álbum, ‘o primeiro filho’, este “espelha aquilo que eu vivi, vivo e viverei até todo o sempre na cultura hip-hop Moz.” Do ponto de vista de Órbita o álbum terá boa aceitação do people uma vez que “o conteúdo é diversificado, tem várias linhagens musicais, tem sons com alguns toques de marrabenta. [Isto] só pra verem que é uma espécie e valorização do que é nosso.”

OOrbita

A primeira venda oficial de A-KULTUR-A-ÇÃO, que durou 3 anos de produção, será no dia 08 de Novembro de 2015, “venho gravando este álbum desde os finais 2012 e isso é normal para que um projecto torne-se realidade.” O tempo em causa, para o rapper, não representou barreiras algumas embora tako que gastou tenha sido manigue e isto “não é questão de gastar, é investimento. Mas não posso estar cá a precisar os valores porque são exorbitantes”. Na perspectiva de Órbita não se deve olhar por este aspecto, pois importa valorizar o produto final.

A estratégia de marketing será a venda na data referida de modo a que as pessoas assimilem o conteúdo do álbum e, em seguida, no dia 14 de Novembro de 2015, se façam presentes no Café e Bar Gil Vicente para assistirem ao lançamento em forma de show. E, no evento espera-se a presença de cantores e produtores que participaram de algumas faixas do álbum como: Zagalote (do grupo Kappacetes Azuis); Flash Ency (Vacina Boss); Hermético (Produtor) e Da Page (Produtor).

Texto: Emídio Massacola (Nigga Shar)

Patrícia e Michel da novela “Amor a Vida” são namorados na vida real

Em entrevista ao Gshow na última sexta-feira (30), a actriz Maria Casadevall, Patrícia na novela ‘Amor a Vida’, assumiu finalmente o namoro com Caio Castro, Michel na mesma novela.

Rumores sobre a relação do casal, vem sendo especulados desde 2013, ano em que contracenaram juntos na novela ‘Amor à Vida’.

A gente batalhou para se entender e acho que a gente foi aos poucos se encontrando…“, disse Maria.

Na mesma entrevista, a actriz contou como faz para se proteger da exposição da imprensa e consequentemente da falta de privacidade causada pela fama. “Em momento nenhum invadiram o espaço que é meu e que eu não abro para ninguémEntão, o que invadem é realmente o que é público. O meu trabalho, a novela, está aberto“, argumentou.

De ressaltar que o casal Maria Casadevall e Caio Castro, ou simplesmente Patrícia e Michel da novela “Amor a Vida” da STV, fazem na telenovela papel de um casal apaixonado e bastante fogoso.

Notícia ao Minuto

Facebook ajustará medidas de identificação de usuários

Após a pressão de grupos sociais, o Facebook anunciou que ajustará a política que obriga usuários a escolherem nomes “verdadeiros” em seu perfil.

A política que exige que os usuários apliquem os nomes pelos quais eles são conhecidos por família e amigos é rigorosamente vigiada pelo Facebook. A medida ajudaria a identificar a origem de bullyings e aumentaria a responsabilidade dos internautas.

Ainda assim, mesmo usando seus nomes verdadeiros, muitos usuários são suspensos pela rede. Indivíduos transgêneros que escolheram um nome para coincidir com o género com que se identificam denunciam como são afectados pelas actuais restrições do Facebook.

Em resposta a críticas de associações como a União Americana pelas Liberdades Civis, Alex Schultz, vice-presidente de Crescimento do Facebook, revelou que a empresa gostaria de acrescentar novas ferramentas para melhorar a forma como os usuários confirmam seu nome durante a inscrição na rede social.

Quando os usuários tiveram de confirmar o seu nome — o que deve ser feito, por exemplo, a pedido de um moderador — eles terão permissão para adicionar detalhes adicionais que contextualizem o seu nome, provando que de fato são verdadeiros e não deve ter seu perfil banido.

Segundo Schultz, as mudanças começarão a ser testadas em Dezembro.

Nós exigimos que as pessoas usem o nome no Facebook por que são conhecidos por família e amigos, e vamos continuar a fazê-lo“, disse. “Isso as torna mais responsáveis pelo que dizem, em vez de usar um nome anónimo que facilitaria assédio, intimidação ou spam. Vimos no início do ano que o assédio moral e diversos tipos de abuso são oito vezes mais prováveis quando as pessoas usam nomes desconhecidos“.

Para evitar transtornos com os moderadores da rede, recomenda-se que os usuários não usem qualquer tipo de símbolo, identificação profissional (como “mestre” ou “doutor”) ou pontuação em seu nomes. Ofensas e expressões sugestivas também podem acender o alerta dos moderadores do Facebook.

O Globo

Taís Araújo é vitima de racismo

Taís Araújo, uma das actrizes negra mais renomada do Brasil, conhecida e prestigiada da Globo, foi semana passada vítima de comentários racistas nas redes sociais.

“Me empresta seu cabelo aí para lavar a roupa” ou “te pago com banana” esses são alguns dos comentários que se pode ler na página do Facebook da actriz.

Ao se deparar com a situação, a actriz deixou uma mensagem aos internautas que chamou de cafonas e cobardes “É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar. Na última noite, recebo uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registado e será enviado à Polícia Federal. Faço questão que todos sintam o mesmo que eu senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena neste país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito… Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu!… qualquer forma de preconceito é cafona e criminosa!

O caso já esta na justiça, foi instaurado um inquérito para apurar o crime de racismo, onde a actriz será ouvida e os autores identificados e intimados para depor.

Recorde-se que no Brasil, o crime de racismo não prescreve e também não tem direito a fiança. Entre as possíveis penas estão prisão ou multa.

Taís-Araújo vítima de racismo

Notícia ao Minuto

Da loucura da sombra ao banquete da língua

IDEOFONE

Também

a minha pátria é a língua

MAS a que se expresse

nas coisas mais lindas

de dizer o alfacto

as sensibilidades da vida

o cemitério do nosso imaginário

sem queimar os sintomas do aroma

em que o exímio lexema nos mescla:

khigaá!

 

Pedofilia

Prefiro laranjal de gumes secos

uma vida de orvalho a pino da idade

a um cardume de erva vinagreira

com chambre deveras franzina

ela definha-se quando é para baixo

o prazer que se estreia

como cães em procissão

só uma louquinha de fundo

para se deixar perdidinha

nos escombros do avesso.

 

TESTE

Homem

moribundo

de pasmo

olhar côncavo

o pranto.

 

LIBERDADE

Com o silêncio das mãos

À medida da cabeça fiz

Lá dos meus pés:

Gris enleio ao longe

A primavera do céu

De baixo, nem legível é.

 

PRIMAVERA

Meu, corre o rio

Feroz nas pálpebras do leito

Com diligência a arte

O simi-sémen dos cinco desejos.

 

MÉTRICA

Querem árvores mesmos como

Uma calha sob a qual nos devamos

Prostrar em reverência.

Mas comem-se as mesmas tangerinas?…

Mesmo quando não tinha pálpebra!

E hoje não seria diferente

Porque nem retina hei, até.

Também nada a ver ainda

O mundo não há mais a revelar:

Exprimiram-no com fome dos loucos.

A palavra está seca que nem imagem borrifa

No mínimo esforço da tela.

 

 

Se ao menos as mulheres amassem

As camisinhas dos filhos que evitariam,

O prazer não lhes rompia as coxas

De dor que rala os cabelos ralos

Com uma dieta secular a enxovalhar

O Homem de gelo plácido na configuração

Em que o fio que o comprime é estandarte.

Nem a espécie subalterna!

 

Às vezes, a loucura come-me

com veemência

para que de avesso não baloice

à berma do poema.

 

ABUNDÂCIA

Há uma grande raiz

no meu país:

insuficiência.

 

Ideia.

 

AMANTISMO

Saia pura e desusada

Que virgem lhes restas

Sou só lúgubre e não abstento

Porque não vos comi à poesia

Nem ruas, tuas, imperecíveis bosques

À minha combustão indistinta vos queimou.

Nem com pua o T que se solveu

Deixam o P e ua beijo

Nos alvéolos do medo.

Fazem-me. Fazem-me indébito

Os meus amores!…

Não têm da minha caverna a ciência.

Neyma é a “Melhor Artista Feminino dos Palop’s” no AEA 2015

A diva da marrabenta Neyma Alfredo, ganhou nos Estados Unidos no 2015 African Entertainment Awards (AEA), o Award para Melhor Artista Feminino dos Palop’s. O anuncio foi feito no último sábado (31) na gala que teve lugar em Nova Jérsia, nos nos Estados Unidos da América.

Em discurso de agradecimento feito em vídeo, Neyma disse que a gala foi um momento memorável para todos africanos, acrescenta agradecendo a todos os seguidores, fãs de todo o mundo, sobre tudo os Neymaticos.

Neyma recebeu o prémio com base no voto popular por fãs de música em todo o mundo.

Veja a lista dos vencedores do MMA 2015

Aconteceu na noite do sábado (31), no Conselho Municipal da cidade de Maputo, a 7ª edição do maior evento de premiação artística e musical em Moçambique, o “Mozambique Music Awards (MMA) 2015”, com o objectivo de honrar o melhor da música moçambicana, evento este que nesta edição, contou a apresentação do André Manhiça e Emerson Miranda.

Mr. Bow e Stewart Sukuma foram os grandes nomes da noite, pois venceram em quase todas as categorias que concorriam.

Esposa de Mr Bow

Confira a lista dos vencedores:

Categoria Nome do Artista
 Melhor Artista Feminino Ivete
Melhor Artista Masculino Mr. Bow
Artista Revelação Afro Madjaha
 Melhor Programa de Rádio Hermínio Chissano
 Música Mais Popular Mr. Bow
 Melhor Musica Afro Jazz Tanselle com Kamane
Prémio Carreira Gito Baloi
Prémio Homenagem Província Euridse Jeque
 Melhor Afro Tropical Euridse Jeque
 Melhor Música Ligeira Marlene
 Melhor Música R&B/ Soul Iveth e Miguel Xabindza
Melhor Musica Contemporânea Stewart Sukuma
Álbum Mais Vendido Stewart Sukuma
 Melhor Dj DJ Dilson
Melhor Música Hip-Hop/ Rap Laylow com Hernani
 Melhor Dance DJ Dilson
Melhor Vídeo Musical Mc Roger e Skalled
Melhor Música Pandza/ Dzukuta Cizer Boss

Lançada em 2009, esta iniciativa tem reunido anualmente artistas e bandas nacionais para se eleger os melhores da música moçambicana.

O concurso é realizado pela DDB Moçambique e é destinado a cantores da velha e nova geração e animadores de rádio e Djs.

Wikipedia diz não receber a atenção necessária dos media

De acordo com o The Next Web, o administrador do Wikipedia, Robert Fernandez, publicou no blog da empresa uma nota em que afirma que o Wikipedia não é falado o suficiente em meios de comunicação de língua inglesa.

A publicação continua e diz que é por causa dessa má cobertura jornalística que os media, simplesmente, não entendem “as mecânicas do Wikipedia, o papel da Fundação, projectos que não o Wikipedia Wikimedia e outros assuntos importantes que envolvem a enciclopédia e a comunidade”.

O Wikipedia tem-se tornado numa parte regular de qualquer utilizador da internet. Qualquer pessoa que se queira educar a si próprio, ou aprender sobre um tópico em particular, acaba por ir ao Wikipedia.

Notícias ao Minuto

‘Street Fighter V’ será lançado no início do próximo ano

Foi na Paris Games Week que foi confirmado que ‘Street Fighter V’ estará nas lojas no dia 16 de Fevereiro de 2016.

A notícia foi dada em palco na conferência da Sony pelo próprio produtor executivo do jogo, Yoshinori Ono, que revelou ainda o regresso de um lutador histórico da série, Dhalsim, que regressa assim capaz de esticar os seus vários membros e cuspir fogo.

Juntamente com estas novidades, Ono confirmou que ‘Street Fighter V’ não será preciso que os jogadores que paguem mais para terem direito a novos lutadores após o lançamento. Haverá um total de seis lutadores disponibilizados apís 16 de Fevereiro mas estes poderão ser desbloqueados com recurso um valor monetário virtual ganho simplesmente jogando.

Notícias ao Minuto

Após 37 dias, Luaty Beirão termina greve de fome

O rapper angolano Luaty Beirão terminou a sua greve de fome nesta terça-feira (27), depois de 37 dias sem comer em protesto contra a sua prisão preventiva e a de outros 14 ativistas angolanos, há quatro meses detidos, por alegadamente estarem a preparar um golpe de Estado e um atentado contra o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.
Angola-arrests-15-Youths-for-opposing-president-Leanwords
Estou inocente do que nos acusam e assumo o fim da minha greve de fome. Sem resposta quanto ao meu pedido para aguardarmos o julgamento em liberdade, só posso esperar que os responsáveis do nosso País também parem a sua greve humanitária e de justiça. De todos os modos, a máscara já caiu. A vitória já aconteceu”, diz o artista luso-angolano na carta que dirigiu aos companheiros de prisão.
Luaty Beirão exigia aguardar o seu julgamento em liberdade, depois de acusado pela justiça angolana de actos preparatórios para uma rebelião e para um atentado contra o Presidente angolano. A justiça angolana mantém 15 pessoas detidas em prisão preventiva e mais duas jovens em liberdade provisória, todos acusados do mesmo crime. O julgamento está agendado para 16 de Novembro, num tribunal de Luanda.
A “Carta aos meus companheiros de prisão” assinada pelo Rede Angola, citada pelo Rede Angola, é destinada aos que acompanham Beirão nesta acusação e que estão detidos há três meses em diferentes prisões (actualmente estão todos no hospital prisão São Paulo), acusados de “actos preparatórios para prática de rebelião e atentado contra o Presidente da República”.
Apesar de parar a greve de fome, Luaty Beirão garante que não vai desistir de lutar ou abandonar os companheiros e todos os que expressaram solidariedade pela sua causa.

O insólito e a crença nos contos

O insólito e a crença nos contos “O filho da Khedana” e “Morte inesperada”, de Aldino Muinga e Ungulani ba ka Khosa

Lonicêncio Pio Paulino Fernandes da Silva

lonydasilva@hotmail.com

  1. Introdução

A dimensão espiritual do Homem, desde o seu surgimento, sempre esteve associada ao desejo de dominar o mundo para afugentar o medo e a insegurança ou, por outra, para criar uma base de explicação para o que ocorria fora do seu círculo de saber. Sendo assim, este artigo surge no contexto dos estudos da Literatura Comparada em Moçambique.

Entendido como visões “tradicionais” que explicam a ocorrência de fenómenos sem bases científicas, o insólito e a crença transportam uma simbologia, pois, primordialmente, tentam explicar a realidade de modo a acomodar e tranquilizar vivência do Homem, transmitindo-o ideias explicativas de factos até então cientificamente inexplicáveis. Logo, não se deve confundir com a verdade, significativamente importante para o entendimento das acções humanas materiais, e que pode ser demonstrada e/ou comprovada eliminando dúvidas.

Na base de análise de textos do sistema literário moçambicano, temos como motivação para este trabalho: (i) a necessidade de compreensão dos fenómenos ‘culturais’ moçambicanos trazidos à Literatura; e (ii) o facto de estarmos perante de textos que caracterizadores de comunidades moçambicanas, sobretudo, as tradicionais. De um modo geral, esta abordagem nos permitirá entender e captar a dimensão espiritual (insólito e crença) e o que a condiciona, ou seja, o que está em torno dela, pois, antropologicamente, os textos exploram o mundo, pondo em terra as nossas crenças, preocupações e inquietações sociais ligadas à colisão entre a Ciência e a Tradição. Daí os seguintes objectivos: (i) descrever a importância social do insólito e da crença; e (ii) analisar a configuração e função do espiritual nas narrativas moçambicanas.

  1. Crença e Insólito
    • Crença

Para apresentar uma noção de crença de acordo com a perspectiva de análise proposta, recorremos à posicionamentos teóricos de diversos autores.

Autores como William James e Charles Sanders Peirce, citados por Maria Rita Furtado, afirmam que a noção de crença surge ligada à de acção. Defendendo, no geral, que determinada proposição é verdadeira quando se age de acordo com ela. Assim sendo, a crença será uma espécie de norma que rege as acções e os hábitos de uma pessoa ou de um colectivo.

Segundo Peirce, em “The Fixation of Belief”, a crença é um estado de calma, de “satisfação”, e que determina acções. Por marcarem comportamentos diferentes, as crenças definem formas de vida diferentes, desempenham, portanto, um papel regulador da vida de cada pessoa.

No entanto, nem todas as crenças regulam ou definem um mesmo número de acções ou comportamentos, isso por regularem coisas diferentes – consequentemente, têm graus de relevância diferentes.

Por último, segundo o Dicionário UNESP do Português Contemporâneo, crença refere-se ao estado psicológico em que um indivíduo detém uma proposição ou premissa considerada verdadeira, ou ainda, uma opinião ou convicção formada que se tem como certa. Essa definição, que toma a crença com um estado mental de um indivíduo em relação a uma ideia que pode ser verdadeira ou falsa, chama-nos à atenção para o elemento subjectivo do conhecimento.

Deste modo, crer é uma condição necessária ao comportamento humano, na medida em que, visa identificar uma forma humana de habitar e interpretar o mundo. Ela molda a conduta social em conformidade com uma proposição tida como verdadeira ou falsa.

  • Insólito

Discutir o insólito, é discutir o homem em seu horizonte histórico, cultural e social, pois a percepção deste conceito passa necessariamente pela localização e contextualização cultural.

Segundo Garcia (2007), citado por Costa (2009, p. 9), “algo é insólito quando nos surpreende e não foi previamente calculado”. Assim, pode ser entendido como algo inconstante, que ‘requer’ um longo período até que se repita – podendo jamais repetir-se ou constatar-se algo similar – e que não pode ser visto como algo previamente delimitado e formatado. Está aquém das espectativas de eventos ‘normais’ do quotidiano.

Nas narrativas, o insólito marca-se pela presença de eventos próximos do estranho, do mágico, do maravilhoso e do sobrenatural, onde, a nível de sentido, remetem-nos a uma explicação de base incoerente e duvidosa. Desta forma, tomaremos o conceito de insólito como o surgimento de uma realidade oposta à habitual.

2.3 Dialogismo

Segundo Florin (2006, p. 18), “Dialogismo é o que Mikhail Bakhtin define como o processo de interacção entre textos[,] que ocorre na polifonia, tanto na escrita como na leitura, o texto não é visto isoladamente, mas sim correlacionado com outros discursos similares”. Portanto, o dialogismo pensado por Bakhtin tem como objecto o estudo de enunciados, centrando-se nas relações de sentido que podem estabelecer entre si, ou seja, entre dois ou mais enunciados. No caso específico do presente artigo, os enunciados são constituídos pelos textos “O Filho da Khedana” da obra Mitos: histórias de espiritualidade, de Aldino Muianga, e “Morte Inesperada” da obra Orgia dos Loucos, de Ungulani Ba Ka Khossa.

A obra do primeiro texto é vista como um retrato da dimensão espiritual do mito e da crença nas comunidades moçambicanas marcadas por valores tradicionais e não só. E, a segunda apresenta contos relacionados à tradição oral. Assim, procuraremos as relações de sentido que se estabelecem entre os dois enunciados que constituem o nosso corpus.

De acordo com Ferreira (2012, p. 6), Bakthin contribuiu para a ampliação do campo de pesquisa da linguagem quando se preocupou com o exame da natureza da enunciação verbal. Para ele, “além da matéria linguística exposta nos diferentes enunciados devem ser analisados os elementos contextuais da produção verbal”. Encarando, portanto, o texto como um elemento de transmissão de conteúdos através da linguística e como um produto de interacção social.

Nesse caso, o dialogismo é o “lugar-comum” onde os textos interagem, daí podendo-se falar da existência de um processo dialógico e não monológico.

  1. O insólito e a crença em “O Filho da Khedana” e “Morte Inesperada”

Aqui, a questão do insólito e da crença é representada por várias acções protagonizadas pelas personagens. Nos moldes “contextualizantes”, o texto apresenta-nos o enredo vivido no povoado de Magunge, onde temos uma mulher casada, mãe de duas filhas e trabalhadora, que, no seio da povoação, não conquistará a simpatia de muitos por ser arrogante e intriguista. Vejamos: “…a Khedana era uma mulher trabalhadora (…) não gozava de grandes simpatias na comunidade. (…), uma mistura de arrogância, de mal-dizer e de coscuvilhice, valeu-lhe muitos amargos na boca (…) sobre a origem e a veracidade de certos pronunciamentos difamatórios, que teriam sido inventados e propalados por ela”. (MUIANGA, 2011, p. 23)

Sendo assim, a personagem é apresentada como fonte de discórdias e fomentadora dos rumores que causaram enumeras discussões. Khedana e o seu marido só tinham filhas, e desejavam um filho ‘macho’, “Sentia-se que na família havia a ansiedade, muito mais marcada da parte do esposo, em ter um varão. Não se conformava só em ter raparigas na prole” (MUIANGA, 2011, p. 23). O nascimento desse menino que teria o nome do seu avô paterno, criara uma expectativa maior no seio da família.

Tratando-se de uma comunidade marcada por valores tradicionais, Khedana fez-se acompanhada pela sogra aos serviços de maternidade. O nascimento do menino é registado “[a]s dores de parto anunciaram a eminência do mesmo. À volta dela uma parteira de ar maçado recita um já desbotado discurso de encorajamento…kukumusha!…puxa! Até que, finalmente, Khedana alivia das amarras do ventre a quarta criança da sua prole” (MUIANGA, 2011, p. 24). O insólito é o nascimento de um bebé sem sexo. Esta ideia é transmitida pela passagem “Dois vagidos cortaram o ar e tinham timbres diferentes. A princípio ela pensou que fossem gémeos. (…) o que a parteira lhe depôs ao colo era um só recém-nascido. Instintivamente, desviou os olhos para o lugar dos órgãos genitais “De que sexo é esta criança, afinal?”, gaguejou para a parteira. Esta emudecera.” (MUIANGA, 2011, p. 24); por outro lado, a questão do insólito vem reforçada pela passagem “O bebé da Khedana tinha dois rostos: um voltado para frente e outro para trás.”/ “Em ambos os rostos transparecem sentimentos dissemelhantes, contraditórios, porque olham para lados opostos: um sorri, outro é sisudo. Um antagoniza o outro: se o primeiro manifesta tristeza, o segundo é risonho.” (MUIANGA, 2011, p. 24).

De forma a explicar o porquê do nascimento de um filho sem sexo e com dois rostos controversos, os residentes da região acreditam que tenha sido um castigo destinado a Khedana pelo seu mau carácter perante os outros. Mediante isso, o insólito é um ser bizarro (bifacetado e eunuco). Em função disto, acredita-se que o nascimento da criatura seja um castigo destinado à Khedana, pois, ela fingia simpatia para ocultar a sua áspera. Daí que a crença associa-se ao comportamento humano, na medida em que visa identificar uma forma humana de habitar e interpretar o mundo, neste caso busca-se uma explicação sobre o nascimento do filho da Khedana, de modo a acomodar e tranquilizar o Homem na sua vivência.

Fixando o nosso olhar no conto “Morte Inesperada”, deparamo-nos com uma situação semelhante à do texto “O filho da Khedana”, na medida em que, nos dois, na diegese é projectada a questão da dimensão espiritual. Com efeito, temos nesse texto personagens e situações que nos remetem à existência de insólito e crença.

Nesse texto nos é trazida a peripécia da morte, deste modo, o texto inicia-se fazendo alusão ao episódio da velha que perdeu o seu marido “A bala furou o casaco entre o bolso inferior direito e as casas dos botões, penetrou no ventre, rasgou as vísceras e saiu do corpo, incrustando-se na árvore em que se encostara, ao cair da tarde (…). A mulher, ao aproximar-se, com os cabelos louros revoltos e o rosto marejado de lágrimas, teve que suster o passo, pois os olhos esbugalhados e vermelhos do marido obrigaram-na a tal”. (KHOSSA, 2008, p. 64)

Ademais, como o título do texto nos remete a uma interpretação, vinculada a ideia do insólito, notamos que a morte desse homem retrata de um modo abrangente a dimensão do insólito, isso, quando atentamos ao momento em que o homem estando no leito de morte, dirige-se à velha da seguinte maneira “ – Fixa o que te digo, mulher: no dia em que ousares receber um homem por entre as tuas coxas, estrangular-te-ei com a mesma ferocidade com que dilacero uma barata. Tu és minha e serás minha para além da morte”. (KHOSSA, 2008, p. 64)

Nessa visão, o insólito é algo surpreende, que ocorre longe do prévio ou premeditado. As palavras proferidas pelo velho no leito da morte constituem algo não costumeiro, isto é, o não-habitual, neste caso, marcado pelo estranho, quando reparamos para o sentido da acção. Transparece-nos uma dúvida do seu sentido, pois não assenta numa explicação de base “lógica”. Sendo a morte algo da dimensão supra humana, a velha com a intensão de apagar a imagem do marido que a perseguia em noites de insónia, oferece as roupas ao guarda do prédio, “…o velho casaco, oferecido por uma velha anelante em apagar a imagem do marido que ainda a perseguia em noites de insónias, ameaçando-a de morte com a mesma gravidade com que proferira a sentença macabra, à beira da morte (…) ”; “O guarda recebeu o casaco e remendou-o, à noite, no cubículo que lhe estava reservado, apagando por todo sempre o mau presságio (…) ”. (KHOSSA, 2008, p. 63 – 64). Desta forma, essas passagens nos remetem à existência da crença como o estado psicológico de um indivíduo, onde a velha acredita que o marido a visitava nas noites. Para mudar esta situação, recorre à práticas que visam fornecer interpretação sobre o que está acontecer, além de a acomodar e tranquilizar na sua vivência.

Essas questões de insólito e crença que pretendemos evidenciar nesse texto, são mais evidentes quando tomamos a personagem Simbine como exemplo. Tendo em conta a passagem, “Terás uma morte maldita, filho, disse-lhe, anos depois, o filho já adolescente, quando este recusava ir à escola (…) afirmara que os pretos viveram séculos sem o quinino e o livro (…). (KHOSSA, 2008, p. 66 – 67). Por outro lado, temos a passagem “…uma mulher de tanto gritar passara a uivar como os cães que pela noite adentro vão lançando maus presságios nas casas trancadas”. Essas passagens nos remetem a ideia do insólito quando tomamos esse conceito na perspectiva de nos trazer factos ou realidade que não seguem o costume ou o habitual, a primeira passagem traz o insólito em forma de algo estranho e na segunda passagem em forma de estranho e sobrenatural. Como antes nos referimos, o texto traz a questão da morte, centrando-se na personagem Simbine, podemos encontrar elementos que sustentem o que temos defendido nesse artigo. “ – O que é que se passa? – perguntou o guarda/ – um homem morreu no prédio (…)/ – o elevador de cara entalou-o (…)”, deste modo, é registado o momento em que se comunica ao guarda sobre a ocorrência e longe de pensar que fosse o seu filho, a senhora subia as escadas, sem no entanto se preocupar com o andar sinistrado; “Muito longe de pensar que o elevador não vinha por ter entalado o pescoço do filho, a velha começou a subir as escadas, ciciando impropérios à terra e aos homens que criaram máquinas malvadas e caprichosas”. (KHOSSA, 2008, p. 65)

Vista em duas perspectivas, a morte de Simbine remete-nos à ideia de estar assente em duas vertentes, a primeira leva-nos à feitiçaria como uma prática e, assim, levanta-se a questão de se ter casado com três mulheres, “E quanto ao Simbine não restava dúvidas que era feitiço. Os tempos de hoje não se prestam para viver com três mulheres” (KHOSSA, 2008, p. 70).

A segunda explica-se tendo em conta ao mau presságio proferido pela mãe, “Terás uma morte maldita, filho, disse-lhe, anos depois, o filho já adolescente, quando esteve recusava ir à escola” (KHOSSA, 2008, p. 66).

Constatamos assim, que os dois textos apresentam uma dimensão espiritual, na medida em que, os eventos insólitos movem toda a narrativa buscando explicação. Eles assemelham-se ao nível do conteúdo, trazem questões ligadas à dimensão espiritual e à superstição – conjunto de crenças consideradas “estranhas” à fé religiosa e contrárias à razão, sem, no entanto, apresentar um fundamento positivo conhecido, mas suficientemente forte para determinar a conduta de um meio.

No que tange as diferenças, temos o seguinte: enquanto o texto “Morte Inesperada” apresenta o insólito ligado a ocorrência de mortes, o texto “O filho da Khedana” apresenta-o ligado ao nascimento.

Assim, a crença sempre aparece como índice necessário à compreensão da presença do insólito, pois ele é aceite prontamente, sem, contudo, deixar de ser questionado e percebido como tal.

  1. Conclusão

O presente artigo tinha por objectivo descrever a importância do insólito e da crença na Literatura Moçambicana, onde numa perspectiva comparada propusemo-nos a analisar os textos “O filho da Khedana” e “Morte Inesperada”, demonstrando como se manifesta o insólito e, consequentemente, a crença nas narrativas moçambicanas. Numa visão antropológica, o insólito e a crença representam a nossa identidade cultural, deste modo esses dois conceitos unidos criam, de certa forma, estórias curiosíssimas que em alguns momentos se associam ao “obscurantismo”.

O insólito e a crença são importantes na medida em que se manifestam como elementos que moldam a conduta social do homem, naquilo que se entende por vida humana. O insólito faz-se presente nos textos mediante a apresentação de eventos considerados estranhos, mágicos e sobrenaturais. Deste modo, o insólito é apresentado pelo nascimento de um bebé com dois rostos controversos e sem sexo. Ademais, a crença surge quando se acredita que o nascimento de um bebé com tais características, seja um castigo destinado a Khedana por se apresentar simpática para ocultar a sua faceta de falsa e mentirosa. Por outro lado, o insólito em “Morte Inesperada” manifesta-se quando se faz alusão às palavras proferidas pelo velho no leito da morte, por outro lado, temos a questão de uma mulher que, de tanto gritar, passou a uivar feito cães e, por fim, a morte de Simbine no elevador. Deste modo, podemos falar de crença quando se procura uma explicação da morte de Simbine e as aparições nocturnas do velho.

Sustentado pela ideia de que qualquer Texto, mantem uma relação de diálogo com os outros (embate de vozes), a nossa análise pretendeu concretizar as teorias de Bakthin avançadas por Florin e secundadas por Ferreira, em que ambos autores concordam que um texto é um produto de interacção social, portanto, não pode ocorrer isoladamente.

Então, podemos afirmar que, a nível do insólito e da crença, os textos “O filho da Khedana” e “Morte Inesperada”, dialogam na medida em que abordam aspectos da identidade cultural moçambicana na base de estórias.

  1. Referências Bibliográficas

MUIANGA, Aldino, “O Filho da Khedana”, in: Mitos (estórias de espiritualidade). Maputo: Alcance Editores, 2011, pp. 23-24

Centro de História da Cultura/História das Ideias (org.), (1999), “Piedade Popular: Sociabilidades, Representações, Espiritualidades”. (Actas do Colóquio Internacional, 20-23 de Novembro de 1998), Lisboa, Terra mar/Centro de História e Cultura-História das Ideias da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

GARCÍA, F. “O ‘insólito’ na narrativa ficcional: a questão e os conceitos na teoria dos géneros literários”. in: A banalização do insólito: questões de género literário – mecanismos de construção narrativa. Rio de Janeiro: Dialogarts, 2007.

LAGES, Mário, «Práticas mágicas, aproximações à dimensão simbólica», in Religiosidade Popular e Educação na Fé. Lisboa: Secretariado-Geral do Episcopado, 1987; pp. 89-115

KHOSA, Ungulani Ba Ka. “Morte Inesperada”, in: Orgia dos Loucos. Maputo: Alcance Editores, 2008, pp. 63-71

FERNANDES, António José, Métodos e Regras de Elaboração de Trabalhos Académicos e Científicos. Porto Editora, 2ª Edição, 1995

PESSANHA, F S. “O insólito na dimensão do poético: o movimento de um questionar”. in: GARCÍA, F (org.). Narrativas do insólito: passagens e paragens. Rio de Janeiro: Dialogarts, 2008. pp. 32-48. Disponível em www.dialogarts.ierj.br/avulsos/insolito/narrativas doinsolito.pdf

SHERMER, Michael, Cérebro & crença. São Paulo: JSN Editora [tradução Eliana Rocha]; 2012

Walter, E. M. A dimensão do fenómeno superstição em contos de Ungulani Ba Ka Khosa e Mia Couto. Maputo: Dissertação apresentada em cumprimento parcial dos requisitos exigidos para obtenção do grau de licenciatura em Linguística da Universidade Eduardo Mondlane, 2002

CARVALHAL, Tânia Franco, Literatura comparada, São Paulo: Ática, 4. Edição, 2006

Drákula: A saúde do hip-hop deve ser melhorada

O rapper moçambicano Drákula ou, simplesmente, Hassassin, afirma que o estágio actual do hip-hop moçambicano é bom embora seja necessário mudar alguns aspectos organizacionais para abarrotar os shows.

Drákula mostrou-se à favor do diálogo entre os MCs e os organizadores de shows de RAP para melhorar o fluxo de aderência aos shows. Aproveitando a actual fase ‘saudável’ do hip-hop moçambicano “temos de organizar o hip-hop… nós temos que ir todos aos shows, temos que encher casas”. Nesta perspectiva, chama à atenção as pessoas para irem aos shows de todos os rapers independentemente de serem ou não amigos “temos que contribuir todos, até, se fosse possível, fazer uma lista [indicando os nomes dos que não presenciaram ao show.] ”. Nisto, constatou que, no show alusivo à PAZ – mahala – muitos rappers ‘de grande gabarito’ não compareceram. Ao seu ver, são rappers que suportam o hip-hop ao nível mais alto e poderiam elevar ‘o movimento’ presenciando nesse dia, “a cena da organização que eu estou a fazer ver é essa… [e] é nice quando há harmonia na Casa Hip-Hop.”

Portanto, se se acredita que o hip-hop é um movimento influente na sociedade moçambicana e isso não se reflecte nos shows “o bom seria, por enquanto, um show no mesmo dia, mas dois shows no mesmo dia não tem problema.” Todavia, há que ter em conta os locais onde decorrerão os shows, pois só surtirão bons resultados “se os sítios forem um longe do outro” como são os casos dos dois shows, do Alkaponn e Sick Brain marcados para 31/10/2015, mas em locais diferentes, bairro do Mavalane e do Magoanine CMC, respectivamente. E, “esses dois vê-se que têm people diferente.” Em torno disto, a amargura se faz sentir quando o contrário acontece, por exemplo “houve o show do Flash e Duas Caras e houve o show de Crack Smoker… eram lugares próximos e as pessoas ficam indecisaseu fui aos dois shows, paguei, [mas quando cheguei no outro] a cena já estava no fim. Agora, o pior é quando [nenhum de nós vai].”

Drakula 1

Tocando num outro ponto que transparece o negativismo do hip-hop e que canonizou-se em preconceito social para o próprio movimento, Hassassin diz que “não podemos só andar a criticar [contudo] há aspectos que temos mudar, por exemplo… eu sei que isso sometimes é verdade… eu não gosto de ver esses niggas a fumarem…” e isto faz com que alguns niggas que “não têm nada a ver com isso” sejam conotados como sendo smokers.

Ainda na onda de alguns poucos desabafos, Hassassin despoletou um desejo de participar de um festival de Hip-Hop em Moçambique organizado por Bang em que poderá compartilhar o mesmo palco com outros artistas de Hip-Hop não underground como é o caso de Hernâni. As declarações deste e outros assuntos serão publicadas em breve.

Texto: Nigga Shar

Charles Caló: uma aposta firme para a música jovem moçambicana

O ‘new comer’ Carlos Chatuir Jr ou, simplesmente, Charles Caló, de apenas 15 anos de idade, é uma aposta firme para a jovem música moçambicana e um destaque na arena R and B da sua geração.

Charles Caló é um adolescente que, com 10 anos de idade, decidiu apostar na carreira artístico-musical por influência de alguns amigos, na Cidade de Nampula. Para além dos amigos, em músicos como: G2 e Justin Bieber, percebeu que “podia ser a primeira criança, do sexo masculino, moçambicana a dar as caras na televisão.”

Dia 05 de Dezembro de 2013 é, para ele, uma efeméride, pois foi nesta data que gravou a primeira música sob direcção do produtor amadeubleu “eu fui a ele e disse: quero gravar uma música e o Amadeu ajudou em algumas coisas”. Como para a maioria que grava a primeira música “no momento eu achava que tava a fazer muito, mas depois, conhecendo a música, fui descobrindo que ali tinha algumas covas que precisava tapar.” Entretanto, no que concerne à escrita das ‘letras’ Caló é quem as compõe, não obstante haver casos em que faz composições conjuntas, como foi para a música Noite Abençoada que escreveu com Davis.

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Caló mostra-se satisfeito com o feedback porque “é muito positivo, eu não tenho nada que reclamar quanto a isso. No meu facebook todos os dias tem mais de duzentas e tal mensagens, duzentos e tal pedidos. As pessoas apoiam, na rua cumprimentam, falam o que sentem por mim…”. Para isso, conta com uso de plataformas de promoção das músicas onde se destacam rádios e blogs “conheci o Jayson do musiccrib. Ele quando meteu a minha música, a música foi muito baixada.” Contudo “a promoção partiu mesmo do whatsapp.” Actualmente, ele conta também com o seu próprio blog charlescalo.blogspot.com.

O primeiro vídeo musical de estreia do ‘new comer’ foi da música Curtir a Vibe e, nesta música, dentre as outras que tem, “eu sinto que fiz uma música”! Para isto, contribuíram os exercícios de voz que tem feito graças à técnicas vocálicas indicadas por cantores como F-Kay e Hassan Jr.

Ele tem recebido vários convites para participações em músicas de outros cantores “só que no momento eu não estou disponível a participar nas músicas” e para espectáculos “ainda não tenho recebido muitos.”

O meu maior sonho neste momento é a minha música estar a tocar em todo o país, em todas as rádios moçambicanas, e também a passar em todos os programas PALOP. E, eu gostaria de actuar no evento Lizha Só Festas para todas as crianças verem que é possível alguém de 15 anos fazer um show espectacular. Eu gostaria de mostrar para Lizha e Bang que uma criança é capaz de fazer isso.”

O cantor encontra-se em estúdio a gravar músicas que farão parte do primeiro single e conta com a produção dos produtores Grim e Gayza.

Texto: Nigga Shar

Angolanismos estragam a música moçambicana

O locutor da Rádio Cidade em Maputo, Lautinho Perreira, está à favor da eliminação de tiques internacionais das músicas moçambicanas porque acredita que assim o desenvolvimento musical moçambicano será promissor.

Lautinho e alguns colegas da rádio travam, já há algum tempo, uma luta para evitar tocar músicas de moçambicanos contendo expressões e tiques internacionais, pois Moçambique tem próprias expressões que identificam o povo. Assim “temos que aproveitar e explorar aquilo que é nosso, moçambicano, nada de imitar aquilo que é angolano ou sei lá.”

Por conseguinte, essa onda de uso de expressões internacionais abrange cantores emergentes “eu costumo a ouvir músicas de alguns artistas emergentes que usam umas expressões que os angolanos gostam de usar, por exemplo: wi, xêh. Isso aí em Moçambique não se diz”. Em torno disto, ele relembra que, a quando das primeiras aparições, o cantor moçambicano Twenty Fingers “ tinha essa mania [e] chamaram-lhe à atenção” e, actualmente, nas musicas deste cantor “ [não se ouve] nenhum xêh, wi.”

Implicitamente, demonstra-se sedento pela (re)propagação das músicas do cantor moçambicano Danny OG ao afirmar que “nós cá em Moçambique temos nossas manias, o Danny OG tem umas expressões que podemos aproveitar e não faz mal nenhum” acreditando que “é bom aproveitar o que é nosso, o orgulho moçambicano.”

O uso dessas expressões estrangeiras poderá influenciar negativamente no intercâmbio musical entre Moçambique e Angola principalmente, cogitando, portanto, numa hipótese duvidosa sobre a origem do cantor que faz uso das expressões e numa perda de identidade, pois “vocês estão a copiar tudo que temos cá! Porque é que não usam os vossos tiques?! Maningue nice, Xhô.”

Com isso, no processo de filtragem das músicas que tocam nos programas radiofónicos são descartadas todas aquelas que têm insultos e expressões angolanas, definitivamente “essas músicas não devem, em momento algum, passar em qualquer canal nacional” e “se há uma forma de identificar um indivíduo é através da forma como [ele] fala.”

Porquanto, nos últimos tempos, na arena hip-hop, debate-se a tendência para os chamados “valetismos” que se verificam frequentemente nas músicas de rapers mais populares e menos populares. Ao analisarmos devidamente esta tendência poderemos constatar que a busca de ‘skillz e flows’ resulta na perda de identidade. Prestemos atenção para os ‘erres’ (R)!

Texto: Nigga Shar

WhatsApp tem algumas funções desconhecidas por muitos

Conheça algumas funções que se encontram escondidas no WhatsApp:

Bloquear determinados contactos

É outra das opções que provavelmente desconhece. Mas pode fazê-lo silenciando conversas pelo tempo que entender. Tal fará com que deixe de receber notificações da pessoa ou grupo em causa.

Recuperar mensagens apagadas?

Se tiver feito algum backup, pode desinstalar a aplicação e voltar a instalá-la. Quando o fizer vai-lhe ser perguntado se pretende recuperar mensagens a partir da cópia de segurança.

Enviar imagens ocultas

Este truque pode deixá-lo confuso, mas explicamos-lhe em que consiste. Através da app Z- Photo Fake for Chats, pode enviar aos seus amigos imagens cuja miniatura é diferente da imagem em si. Só quando o ficheiro é aberto é que o remetente percebe.

marcar mensagens para ler mais tarde

Um ícone com uma estrela permite aos utilizadores de dispositivos iOS marcarem as mensagens para ler depois. Assim evita esquecer-se de responder.

Definir diferentes toques de chamada

Por fim, saiba que pode predefinir diferentes tons de toque para diferentes contactos ou grupos.

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