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“o mundo que iremos gaguejar de cor”: realismo nimbado de sonho

Por Fernanda Angius

Pedro Pereira Lopes [PPL] é um escritor cujo talento promete enriquecer a nova literatura moçambicana. Articulista e intervencionista como cidadão, poeta, contador de histórias infanto-juvenis, PPL inventa borboletas, estrelas e cantares onde todas as coisas fazem falta e a poesia pode ser a ponte para a diferença.

A colectânea “o mundo que iremos gaguejar de cor” surpreende pelo talento e pelo realismo nimbado de sonho que sempre se exala de cada conto, por mais dura que seja a situação descrita ou encenada. Nalgumas das narrativas, o efeito cinemático e o espessar dramático conseguem tocar bem fundo na alma do leitor mais distraído, tal a veracidade com que a acção se desenrola.

Nestes primeiros contos destinados aos adultos que PPL traz à estampa (pela novíssima mas ousada Cavalo do Mar Edições), há como que a catarse necessária para um jovem que nasceu num país já livre do jugo colonial mas sob a ameaça viva e quotidiana de uma guerra civil que ninguém entendia nem justificava, mas que, inexoravelmente, condenou a memória das duas gerações de jovens, que hoje são o fermento do povo vivo que está a construir o país em que querem ver crescer seus filhos já libertos dos fantasmas dessa guerra que habita os contos deste livro.

Os contos trazem também um perfume de esperança, uma corajosa denúncia desprovida de raiva. Nestas narrativas a vida já se promete em futuro. Embora bem sedimentadas na realidade actual moçambicana, estas estórias vivem de uma ética e de uma moral que é universal e tende a colocar este livro entre um primeiro de uma longa série da nova literatura moçambicana.

Nelson Lineu: “Sou fruto da leitura e das janelas que o livro proporciona”

“a suposta morte da literatura moçambicana assentava no facto de uma geração mais velha […] não ceder o espaço necessário para o surgimento e afirmação de novos autores…” Lucílio Manjate e Sangare Okapi, Antologia Inédita

Nelson Lineu deve ser o poeta mais sorriso fácil e carismático que conheço, ainda que eu o tenha antes estranhado, há alguns verões, nas oficinas de escrita da professora Fernanda Angius. Nascido em Quelimane, em 1988, é membro fundador do Kuphaluxa, grupo comprometido com o livro, onde foi secretário-geral e director da revista “Literatas”, por eles editada. “Cada um em mim” (2014), seu livro de estreia, saiu em digressão pelo país e, confessou-me o poeta, “foi muito bem recebido”. Do seu livro de estreia [poesia] são notáveis os versos telegráficos e límpidos, tercetos e quadras e alguns rasgos longos. A poesia é suave, verso livre e, quase sempre, com terminações magníficas. Talvez seja devido ao curso de filosofia que o poeta fez, pois é frequente a ideia de se estar perante a silogismos poéticos ou aforismos. Salienta-se ainda o “sentido de colectividade” dos poemas, como atestou Celso C. Cossa, e o não exagero ou uso melodramático e pomposo de paráfrases e metáforas dos “novo poetas”, artificiosa, que compromete a interpretação. Do livro no prelo pouco se pode dizer: será que este “Cor do voo” mergulha no lirismo, nos temas que lhe são recorrentes, a infância, a memória, o erotismo, a terra que o nasceu? Esta entrevista “fala um pouco de tudo”, do seu compromisso com o grupo que ajudou a erguer e da sua produção poética.

Nelson Lineu, durante uma apresentação no Instituto Camões, 2015

Pedro Pereira Lopes (PPL): A tua estreia aconteceu em 2014. Três anos depois, o que se pode esperar do próximo livro?

Nelson Lineu (NL): Na altura em que eu publiquei o “Cada um em mim”, o José de Remédios perguntou-me o que é que se poderia esperar dele. Eu respondi-lhe que o livro já estava escrito, que já lá estava. O que se pode esperar não é o que eu escrevi, mas os caminhos que o livro poderá traçar. Então, o que se pode esperar do meu próximo livro é… 2014 a 2017, há muito aprendizado, muita procura de conhecimento. Tive até possibilidades de reeditar o livro, mas recusei-me prontamente porque sempre achei que tinha que amadurecer a minha escrita. Então, o que se pode esperar, de certeza, é um outro NL, se é melhor ou não, isso não sei, mas é um outro NL.

PPL: É bem interessante esta questão de reinvenção do NL enquanto poeta, de um outro NL, porque num dos textos sobre o lançamento de “Cada um em mim”, tu afirmaste que “viver é partilhar-me com os outros”. Ainda pensas assim?

NL: Naquele momento, para mim, viver era partilhar o NL como pessoa. Eu acho que quando nasceu o “Cada um em mim”, o NL pessoa, o NL poeta e o livro estavam muito ligados, não havia aquela distinção sugerida pelo Fernando Pessoa, “o poeta é um fingidor”. Há um poeta que eu admiro, o Mário Quintana, ele diz que a sua biografia é tudo aquilo que ele escreveu. Mas eu não penso assim agora. Hoje eu ando à procura do estético, do belo. Viver pode até ser partilhar, mas partilhar a ideia que tenho sobre a poesia, sobre a literatura ou a arte.

PPL: Então, temos um novo paradigma, uma nova conotação? O que é viver, agora, para ti?

NL: Não estou a dizer que o “NL pessoa” já não ache que a viver seja partilhar-me. Eu como pessoa faço isso, mas como poeta já não me partilho, aliás, partilho o que eu penso sobre a arte. Hoje eu creio que a poesia me leva a outros campos que me fazem perceber que a vida sem poesia não é possível… Mas isto não quer dizer que ela [a poesia] esteja ao alcance de todos. São poucas as pessoas que conseguem captar essa possibilidade da poesia.

PPL: Segundo o jornal “DW”, um texto [conto] seu “convenceu” o Mia Couto e o José Eduardo Agualusa durante as “Oficinas Literárias” realizadas na Fundação Couto, em Março de 2016. O NL pretende romper com a poesia?

NL: Não gosto de pensar assim. Em 2016, o Celso Muianga [editor da Fundação Couto] perguntou-me sobre os meus contos. Eu disse-lhe que não queria “sair” da poesia, que me queria afirmar ainda como poeta. Acredito que aquilo era um convite para publicar os meus contos. Não cheguei a publicar e creio que alguém “tomou o meu lugar”. Sinceramente, não me arrependo, eu ainda precisava de consumir muita prosa. Eu dei aulas de português e isso me deu muita preocupação com a língua em si, o que me faz recuar sempre quando o assunto é a narrativa, não só no domínio da língua, envolve também o enredo, as técnicas de escrita, então… Eu não quero cometer os erros que cometi na poesia. Não são necessariamente erros, eu tinha um conjunto de leituras, mas não como hoje. Não gostaria de aparecer na prosa como alguém que está a iniciar. Vou lendo, escrevendo, aprendendo. Não quero publicar prosa tão já. Prefiro estudá-la. Aliás, nem seria um rompimento, eu comecei a escrever como prosador. Dentro do Kuphaluxa, eu e o Quive fazíamos prosa. A professora Fernanda Angius criticou ferozmente a minha prosa, mas achou natural a minha poesia, “Lineu, aqui tu és artista”, disse-me. Daí o meu investimento na poesia…, e vou morrer a fazer isso. Eu tenho uma grande paixão pela prosa mas enquanto eu não for capaz de dominar os seus instrumentos de escrita, não vou publicar nada.

PPL: Podemos então esperar alguma prosa do NL no futuro?

NL: Claro!

PPL: Já agora, alguns membros dos fundadores do Kuphaluxa, em particular o Eduardo Quive, Japone Arijuane, Amosse Mucavele, Mauro Brito e tu estrearam-se em livro com poesia. Há alguma explicação para tal?

NL: É muito interessante o que me perguntas, porque é uma mentira agradável. O Amosse começa a escrever poesia dentro do grupo, pois escrevia antes prosa, o Quive também. Eu comecei no Kuphaluxa como “homem da poesia”, mas depois comecei a oscilar e entrei para a prosa. Sempre existiram essas mudanças, de prosa para poesia e vice-versa. Eu acho que nós éramos ecléticos, ou seja, mostrámos que podíamos escrever quer prosa quer poesia, mas a questão é onde é que cada um se sente bem. Hoje eu acho que o Amosse escolheu a poesia. Eu estou com alguns projectos de prosa, cada um escolheu um campo. É preciso sublinhar que não foi uma questão de vendas, até porque a poesia não vende. Eu gosto da prosa e a minha maior influência foi o Mia Couto, embora tivesse lido o Craveirinha e o Ungulani; o Mia mostrou-me que é possível conviver com vários estilos, que eu posso fazer poesia, crónica, eu amo a crónica… se me questionassem “NL qual é o teu gênero favorito?”, eu diria crónica… Mas é poesia, crónica, conto, romance, o Mia escreve tudo isso, eu li quase toda a obra do Mia Couto, e isto foi fundamental para mim. Invisto mais na poesia porque eu quero ter os pés firmes na poesia antes de empreender outros voos.

PPL: O NL faz parte do grupo original do Kuphaluxa. Hoje escritores publicados e populares dentro e fora do país. Vocês ainda continuam amigos, ainda são membros activos do grupo?

NL: Eu fui secretário-geral do grupo e depois director da revista “Literatas”. Para mim, o Kuphaluxa ajudou-me a viver, deu-me o ar que precisava, não necessariamente ganhos financeiros ou cargos, mas ar para viver, pois sempre andei fechado. Quem lê a história da literatura de moçambique percebe que, conforme os membros dos grupos vão publicando livros, a fama, o protagonismo que um ou outro assume… isso incomoda. Eu não me assumo um membro activo do Kuphaluxa, mas quem está dentro do grupo sabe que eu não estou lá por certos motivos. Talvez seja a busca de protagonismo, fecharam-se-me certas portas, é aquela coisa de “com quem eu quero trabalhar”. Esta é uma das minha maiores dores, mas é um daqueles filhos… se calhar eu esteja errado, vou deixar o Kuphaluxa andar e eu estarei para aplaudir quando boas coisas acontecerem. Eu estarei sempre lá para dizer as coisas com as quais não concordo. No fundo, crescemos, questões da vida aconteceram, as faculdades, as namoradas, etc. Estão lá ainda alguns membros fundadores, o Quive, o Isidro, o David Bamo; outros, como eu, ainda mantemos o mesmo espírito. Continuamos a fazer o que nos levou a criar o grupo, seja o Amosse Mucavele ou o Mauro Brito, continuamos a divulgar o livro e a criar o gosto pela literatura. O espírito do Kuphaluxa ainda está lá, não é somente publicar livros, sermos amigos ou andarmos juntos; podemos discordar sobre diversos aspectos da vida mas aquilo que faz o Kuphaluxa é indiscutível.

PPL: Nas vésperas da sua saída do secretariado do Kuphaluxa, o NL disse “acreditava no poder da literatura e nas janelas que o livro abre”. Ainda acredita na literatura?

NL: Eu saio do Kuphaluxa quando ainda poderia continuar por mais anos. Sempre ficou claro a ideia de rotatividade. Eu queria dar esse exemplo aos outros membros. O desejo foi sempre formar mais pessoas e passar o testemunho. Não é uma questão de cargos, até porque o conceito de cargos é político demais. O que eu quis passar no momento é a ideia de que todos devemos sair. Ainda acredito na literatura, sempre! Incentivar a leitura é tudo para mim. Sou fruto da leitura e das janelas que o livro proporciona. Eu acredito nisto. Mas também não estou a dizer que as pessoas devem ficar sentadas em casa a ler e acharem que depois terão um emprego, estaria a ser um falso profeta, mas é pela capacidade de imaginação, criatividade e abstracção que o livro pode trazer. Isso foi fundamental para mim e acredito que pode ser para as outras pessoas também.

PPL: A professora Sara Jonas encontrou lances do existencialismo na tua poesia. O que é que o NL procura? Algo relacionado com o acidente que teve?

“cada um em Mim”, 2014

NL: Estamos aqui a buscar três identidades, o NL pessoa, o poeta e o formado em filosofia, que gosta da corrente existencialista. Quando escrevi o “Cada um em mim” eu não tinha em conta estes aspectos do existencialismo, é algo que descubro tempos depois. O existencialismo nada teve a ver com o acidente. “Cada um em mim” está relacionado com uma viagem que fiz à cidade de Quelimane, depois de ter abandonado o meu primeiro projecto de poesia. Eu sou de Quelimane, lá nasci, vivi em 4 ou 5 bairros, estudei, cresci, fiz rap… começo a escrever poesia do nada, de férias. Eu conheço 85% dos becos de Quelimane, aqueles becos iguais aos da Mafalala. Cada local que vi recordava-me de tudo que vivi com as várias pessoas que conheci, os outros. Quando me dei conta, eu tinha um corpo de poemas. É um livro que eu gostaria de reeditar dentro de 5 anos. Esse existencialismo devem ser essas vidas, essas memórias.

PPL: O próximo livro será também existencialista?

NL: “Cada um em mim” evidencia um grande dilema, eu era um estudante de filosofia, aliás, serei sempre um eterno estudante. Eu fugia desse contacto entre a filosofia e a poesia, e é por isso que eu não cito filósofos na minha poesia. Eu vejo grandes poetas moçambicanos a fazerem isso e até acho fantástico. Mas para mim é como se… como se eu não estivesse a fazer grande coisa. É louco quando o Craveirinha ou o Patraquim chamam o Aristóteles ou um outro filósofo nos seus textos, no meu… é como se eu tivesse… eu não me sinto com essa grandeza de evocar filósofos. Não gosto de fundir estes dois campos. O Padre M. Ferreira disse que não sabia se o “Cada um em mim” era poesia filosófica ou filosofia poética… Eu sofria de um conflito interior, eu não queria juntar filosofia e poesia. No meu novo livro eu tento conciliar isso. Acho que funciona muito bem essa combinação, quero fazer uma nova viagem. A filosofia usa o método lógico-racional. Eu uso, no novo livro, “Cor do voo”, o ilógico, como por exemplo quando digo que “A folha fotografou o rio”. A folha não é capaz de fotografar.

PPL: O existencialismo do “Cada um em mim” inicia-se em Quelimane, o que é curioso, pois num dos teus poemas escreves “o que me mantém fixo/ a Quelimane/ não é a raiz”, o que é?

NL: Gosto muito deste poema. O que me mantém fixo a Quelimane não é a raiz, é o fruto, como quer sugerir o poema. Tenho a raiz, sou de Quelimane, mas sou fruto que tomba em qualquer parte do mundo. É como o Mussa Rodrigues [músico cego e já falecido que era famoso por tocar uma viola de latão], que é de Quelimane, mas ele não é artista porque é de Quelimane, o ser artista é o fruto da árvore.

PPL: A sua poesia é bastante limpa, sem muitos “arranjos florais”. Qual é o seu sentido oficinal?

NL: Confesso que, pelo bem ou pelo mal, foi-me difícil discernir o poeta do fingidor, era tudo muito ténue. E eu sou indisciplinado por natureza, gosto de ser marginal, de ser da periferia, talvez seja por isso. Deve ser também do trabalho que fiz com a professora Fernanda Angius, que marca o meu lado humano e a minha poesia. Ela foi a minha mentora e fundamental para a busca do conhecimento da língua [portuguesa]. A minha estética é indisciplinada, constrói-se por si própria, sem intenção alguma. Acho que é mais interessante que o “Cada um em mim” fale por si e não que eu fale por ele.

PPL: O Nelson Lineu e o Kuphaluxa fazem parte de “uma geração” chamada, pelo escritor Aurélio Furdela, de “Geração Internet”. Qual é a sua opinião sobre o assunto?

NL: Penso que uma grande parte dos novos escritores está ligada aos blogues, facebook e revistas electrónicas. Mas eu não gosto muito do debate sobre gerações. Acho que ainda somos jovens, incluindo a geração do Furdela, se é que ela existe. Ainda somos jovens para ficarmos horas a fio a discutir essa questão. O que me interessa é trabalhar os meus livros. Não nego, entretanto, o papel da internet na divulgação dos novos escritores moçambicanos em Angola, Portugal e Brasil. Aliás, mesmo os que não fazem parte desta “Geração Internet” são hoje conhecidos fora do país a partir da internet. Será que estamos a falar de escritores que surgiram pela internet ou de escritores que se afirmaram pela internet? Essas discussões não são importantes, criam mais discussões e situações negativas no lugar de ficarmos em nossas casas a escrever e tentar perceber o mundo.

PPL: O NL vive actualmente numa “zona” chamada “O Pulmão da Malhangalene”, que, diz-se, foi o último reduto do poeta Eduardo White. Qual é a magia daquele lugar?

NL: Pelo que eu li do White nos últimos tempos, ele tinha uma relação muito forte com as pessoas, principalmente com as senhoras que vendiam vegetais. Um amigo meu, o Jessemusse Cacinda, perguntou-me como é que em tão pouco tempo eu tinha tanta popularidade com as gentes do “Pulmão”. Talvez porque o White e eu somos de Quelimane [risos]. Eu convivo com as pessoas, temos aquela relação, mesmo com as “mamanas” [senhoras, mães] que vendem coisas que geralmente eu não compro. Acho que o White gostava de conversar com as pessoas, de ouvi-las. Então, o lugar propicia essa situação de estar com as pessoas… não é o lugar que faz o poeta, é a capacidade de captar as pessoas.

PPL: É mais ou menos aquilo que o Eduardo White dizia, “O artista não representa o povo, o artista faz parte do povo”…

NL: Eu não gosto muito de me assumir como “povo”. “Povo” é um simples conceito. Eu não sei quem é ou não é “povo”. Eu não sei se o Presidente da República é “povo”. Se o presidente de um partido político é ou não “povo”. Eu não entendo isso. Não me quero meter porque acho que esse conceito é impreciso. É um conceito desgastado, é como população, eu prefiro falar de homens ou seres humanos. Esse é o ponto crucial, White foi o maior poeta que nós tivemos, pela revolução que ele fez. Há um poema-homenagem ou ode que faço ao White, que talvez apareça no meu próximo livro, qualquer coisa como “Enquanto existia sangue/ nos papéis/ ou nos livros/ White trouxe amor.” Esse é o grande mérito do White. É esse amor que representa a humanidade. É isso que faz com que exista essa ligação ícone com White quando nos sentámos com as senhoras do Pulmão, do Compone, do Xiquelene ou de qualquer outro sítio. É o amor, a humanidade é que conta. “Povo” é apenas um conceito político.

PPL: Só para terminar, podemos assumir que o Kuphaluxa “criou” escritores?

NL: Eu acho que o Kuphaluxa ainda não criou escritores. Ainda não criou porque publicar livros não era no nosso objectivo [quando criámos o grupo]. Eu acho que ninguém do Kuphaluxa se pode assumir como escritor já feito. E, sinceramente, deve-se falar aos membros do Kuphaluxa que o caminho ainda não está feito. Publicar livros e aparecer na televisão não fazem o escritor, o livro sim.

PPL: E se fosses editor, dos actuais membros do Kuphaluxa, qual seria o primeiro que publicarias?

NL: Dos que tem livros?

PPL: Não, dos que ainda não publicaram.

NL: O Hermínio Alves. Ele é dos que está preocupado com a escrita em si. Outrora foi moda ser do Kuphaluxa. Alguns membros estavam somente preocupados com a fama, aparecer na televisão e dizer poesia… Mostraram que não seriam capazes de dar um outro passo. Mas o Hermínio Alves tem espírito de escritor. Ele é a minha escolha, sem dúvidas.

Os 5 Exércitos Militares Mais Poderosos de África

O poder militar de um país é um factor que determina o seu nível de influência em sua região e país. A corrida para o fortalecimento do arsenal militar acontece em todos os continentes, inclusive em África.

Você sabe qual país africano tem o exército militar mais poderoso? Confira lista em ordem decrescente.

As Maiores Potências Militares de África

A lista publicada anualmente pela Global Firepower é dominada por países com fortes raízes árabes. Todos os orçamentos apresentados são é dólares norte-americanos.

5. África do Sul

A República da África do sul é um país localizado no extremo sul da África com cerca de 54 milhões de habitantes.

A África do sul possui um total de:

  • 78.000 militares activos
  • 231 aeronaves
  • 195 tanques de combate
  • 2265 veículos de combate
  • 30 meios navais
  • 4,6 biliões de orçamento militar

4. Nigéria

Localizado nas margens da África Ocidental, A Nigéria é o país com cerca 186 milhões de habitantes.

A Nigéria possui um total de:

  • 124.000 militares activos
  • 110 aeronaves
  • 148 tanques de combate
  • 1420 veículos de combate
  • 75 meios navais
  • 2,3 biliões de orçamento militar

3. Etiópia

A República Democrática Federal da Etiópia é um país encravado no Chifre da África, sendo um dos mais antigos do mundo. É a segunda nação mais populosa da África e a décima maior em área, com cerca de 102 milhões de habitantes.

A Etiópia possui um total de:

  • 162.000 militares activos
  • 80 aeronaves
  • 800 tanques de combate
  • 800 veículos de combate
  • Nenhum meio naval
  • 340 milhões de orçamento militar

2. Argélia

A República Argelina Democrática e Popular, é um país da África do Norte que faz parte do Magrebe. É a cidade mais populosa na costa do Mediterrâneo com cerca de 40 milhões de habitantes.

A Etiópia possui um total de:

  • 520.000 militares activos
  • 502 aeronaves
  • 2405 tanques de combate
  • 6754 veículos de combate
  • 85 meios navais
  • 10 biliões de orçamento militar

1. Egípto

A República Árabe do Egito é um país do nordeste da África é um país localizado no Norte da África, cuja capital e maior cidade é o Cairo. O Egipto é muito conhecido pela antiga civilização egípcia, com os seus templos, hieróglifos, múmias, e pirâmides. O país possui cerca de 94 milhões de habitantes.

A Egípto possui um total de:

  • 1 milhão e 300 militares activos
  • 1132 aeronaves
  • 4110 tanques de combate
  • 13949 veículos de combate
  • 319 meios navais
  • 4 biliões de orçamento militar

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Toyota Altezza

Lexus IS anteriormente conhecido como Toyota Altezza é uma série de carros executivos da Lexus fabricados desde 1998.

O IS foi originalmente vendido sob a placa de identificação Toyota Altezza no Japão (a palavra “altezza” é italiano para “altitude”) até a introdução da marca Lexus e a segunda geração do Lexus em 2006. O nome Altezza ainda é usado em vezes para se referir às características luzes traseiras cromadas da primeira geração do modelo, conhecidas como ‘luzes de Altezza’.

Primeira Geração

O Altezza da primeira geração foi lançado no Japão em Outubro de 1998, enquanto que o Lexus IS 200 fez a sua estreia na Europa em 1999 e na América do Norte estreiou como o IS 300 em 2000.

Segunda Geração

A segunda geração do IS foi lançada a nível mundial em 2005, com os modelos IS 250 e IS 350 ambos com motor V6, seguido por uma variante de alta performance com motor V8 versão, o IS F em 2007. E por fim vieram versões convertíveis IS 250 C e IS 350 C, em 2008.

Terceira Geração

 

A terceira geração Lexus IS foi lançada em Janeiro de 2013, com versões diferenciadas como o IS 350 e IS 250 com motores V6, o híbrido IS 300h, e variantes da linha de alto desempelho Lexus F. A designação IS significa Desporto Inteligente.

Meu Carro Não Quer Pegar!

Você já passou por uma daquelas situações em que seu carro se recusa a iniciar? Às vezes há uma solução rápida, e às vezes pode ser uma situação um pouco mais desafiadora.

Verifique a bateria

Sua melhor aposta é começar com a sua bateria – uma bateria morta costuma ser a razão mais comum para o carro que não querer ligar. Você pode verificar a força da sua bateria com um testador de bateria ou então você pode tentar um jump start (arranque com cabos). Se seu carro ligar, você simplesmente precisa de uma bateria nova. Se ainda assim não ligar, é hora de mergulhar um pouco mais fundo.

Para esses casos, há uma série de sintomas, possíveis diagnósticos e soluções para si.

Os sintomas

 

Há um grande número de peças que compõem o seu carro, o que significa que há uma variedade de razões pelas quais o seu carro pode estar a pegar.

Faz um barrulho, mas não inicia

Você pode apenas ter uma bateria morta. Se você tiver razões para acreditar que este não é o caso, olhe para a fiação e para o motor de arranque para ver se há uma conexão solta.

Nenhum som quando você liga a ignição

Verifique a bateria e analise estado das conexões de cabos terminais. Se eles parecerem estar corroídos, pode ser necessário limpar ou trocar os cabos.

Não pega quando chove

Você precisa verificar o interior da tampa do distribuidor para ver se há humidade – consulte o manual do seu carro para encontrar a sua localização. Para evaporar toda a humidade no interior da tampa do distribuidor, rode a tampa de cabeça para baixo e despeje ou borrife um pouco de solvente nele. Em seguida, seque a tampa da melhor maneira possível com um pano limpo, sem fiapos e coloque a tampa.

Outras situações mais complicadas

Aqui você precisa de algum conhecimento sobre as peças do carro para poder fazer alguma coisa.

Pega, mas desliga logo

Verifique se a faísca eléctrica está a chegar nas velas de ignição. Quando você abre o capô de seu carro, você enconrra uma série de fios que levam a diferentes pontos no compartimento do motor. As velas de ignição estão localizados na extremidade dos fios do motor. Se isso tudo parecer estar em conformidade, verifique o fornecimento de combustível para o seu motor.

Falhas no motor ou durante a aceleração

Verifique a bomba de acelerador, velas de ignição, o distribuidor e o timing

Dicas para cuidar de um recém nascido

Quando o bebé nasce, existem cuidados que as mamãs e os papás devem tomar nota. Principalmente aqueles que são pais de primeira viagem. Reunimos alguns deles neste artigo que lhe vão ajudar com os cuidados.

1. Posição certa para o recém nascido dormir

Os recém nascidos costumam dormir cerca de 21 horas por dia, o sono é importantíssimo para o desenvolvimento regular e saudável do bebé. É aconselhável que o recém nascido fique deitado de lado ou de barriga para cima. Nestas duas posições o bebé corre menos riscos de engasgar ou até asfixiar na almofadinha.

2. Preparar o banho do recém nascido

O banho do bebé deve ser diário e de preferência no período mais quente do dia, entre as 11 e 15 horas. Durante o banho é importante segurar o corpo do bebé firmemente e apoiar bem a cabeça dele, mas antes é fundamental preparar as toalhas, as roupas, a fralda e os produtos de higiene, e verificar a temperatura da água (deve estar em torno de 36°C) na banheira do bebé. Depois disso o bebé já pode ser despido para poder tomar o banho. É preciso ser cuidadoso.

3. Como desentupir o nariz do recém-nascido

Os bebés possuem um mecanismo de defesa presente no nariz para eliminar certas impurezas que pode provocar o entupimento nasal. Pode-se usar alguns métodos para desentupir o nariz do recém nascido: soro fisiológico, aspirador nasal e a solução de água e sal. O importante é usar de forma abundante para soltar as secreções e desobstruir a passagem do ar. Ao desentupir o nariz do bebé, este irá respirar, comer e dormir melhor.

4. Decifrar o choro do recém nascido

É normal mães e pais não saberem lidar com choro do recém nascido. O bebé irá chorar quase sempre nos primeiros meses. A verdade é que o bebé sente medo de todo mundo desconhecido ao redor dele. Depois de passar meses na barriga da mãe, o bebé sente uma insegurança natural ao encarar o espaço aberto a que é submetido. O bebé chora porque sente calor, frio, desconforto, sono, fome, sede, susto, medo, cólica, dor entre outros. Por isso que choram por tudo e por nada porque não tem outra forma de se expressar.

5. Saber se o recém nascido está com febres

É possível detectar a febre no bebé num simples toque, após isso deve-se medir imediatamente a temperatura com um termómetro. A medição deve ser feita na axila ou na virilha. Quando for medida na axila, a temperatura considerada normal é até 36,5ºC e na virilha, até 37,5ºC. A elevação da temperatura é a indicação de que alguma coisa não está bem no bebé e se torna perigosa quando ultrapassa os 42ºC. Se o recém nascido apresentar alteração na temperatura leve-o ao pediatra.

6. Como amamentar o recém nascido

Em primeiro lugar a mãe deve deixar o bebé numa posição confortável que ele possa alcançar facilmente o peito. Deixe o bebé com a cabeça e o corpo alinhados, para que ele não precise ter que virar o pescoço para mamar. O ideal seria testar diferentes locais da casa até encontrar o sítio perfeito para ambos durante a amamentação. O segredo para a amamentação sem dor é uma boa “pega”. A pega correcta requer que o bebê abocanhe o mamilo e uma boa parte da aréola. Se estiver a dor, interrompa a mamada colocando o dedo mínimo entre a gengiva da criança e o mamilo, para desfazer o vácuo, e comece de novo.

Cada mamada pode durar de 5 à 40 minutos.  O recém-nascido deve ser alimentado no esquema de amamentação por livre demanda. Isso quer dizer que, sempre que ele tiver fome, vai se manifestar (pelo choro).

7. Como cuidar do umbigo do recém nascido

A área do cordão umbilical precisa estar sempre limpa e seca uma vez por dia, usando sabão neutro durante o banho, até a queda espontânea do coto umbilical, que ocorre por volta do 7º dia após o nascimento. Ele deve ser limpo uma vez por dia, após o banho, usando cotonete e álcool. O coto umbilical não é esse terror todo, não precisa ter tanto receio. O bebé não sente dor nessa região porque o coto umbilical não possui nervos, é só um pedaço da pele da mãe.

8. Necessidade de vacinar o recém nascido


Apesar das defesas que o bebé ganha através do leite materno, existem doenças contra as quais o recém nascido deve ser imunizado através de vacinas, que devem ser aplicadas de acordo com o calendário de vacinação, desde os primeiros dias de vida. A vacinação permite o controle e/ou erradicação de doenças graves como por exemplo, a Poliomielite, o Sarampo, a Tuberculose, a Hepatite B, a Rubéola e entre outras. O bebé passa a ter o “Cartão de Saúde da Criança”, documento onde serão registadas todas as vacinas, e informações, como: dados de identificação do bebé, anotações sobre o parto e condições de nascimento, um gráfico para acompanhamento da evolução do peso/idade, doenças mais importantes, dados da imunização e e outros.

9. Verifique sempre as fraldas do recém nascido


Um recém-nascido precisa, em média, de oito trocas de fralda por dia. É necessário trocar sempre as fraldas do bebé para que não tenha assaduras. A forma ideal de tirar o excesso de fezes e urina do corpinho de seu filho é com algodão molhado apenas em água. Caso utilize fraldas de pano, lave-as sempre com sabão neutro. Nos bebés do sexo feminino a limpeza do bumbum deve ser feita da frente para trás, para se evitar riscos de infecção vaginal.

10. Lidar com cólicas do recém nascido

Se o bebé está chorando incessantemente, enquanto dobra as perninhas em direcção à barriga e não consegue dormir de forma alguma este pode estar com cólicas. Infelizmente não existe tratamento para este tipo de problema, mas medicamentos para aliviar as cólicas podem ser utilizados, desde que prescritos pelo médico. Aqui vai uma dica que pode ajudar muito: Quando seu bebé estiver apresentando as cólicas, coloque-o deitado de costas sobre a cama, e faça movimentos de vai-e-vem, e depois segure nos pezinhos, leve seus joelhos até a barriguinha e volte a esticar as perninhas. Faça movimentos como se ele estivesse a pedalar numa bicicleta em movimentos circulares. Faça estes dois exercícios alternadamente durante alguns minutos cada.

11. Forma correcta de carregar o recém nascido

As vezes é difícil saber a forma correcta de segurar o recém nascido, até mesmo as mães. Afinal, segurar no colo alguém tão pequenino e frágil requer bastante cuidado. Como a musculatura do pescoço é pouco desenvolvida, é preciso apoiar bem a cabeça e as costas do bebé. A melhor maneira de fazer isso é encaixar a cabeça na dobra do cotovelo e as costas no antebraço. Mas nunca faça movimentos bruscos e preste atenção para não pressionar demais, a parte superior da cabeça da criança, já que os ossos do crânio ainda não estão totalmente formados.

12. Excesso de roupa no recém nascido constitui risco

O excesso de roupa no recém nascido pode causar febre ou desidratação. A sensação de frio ou calor do recém-nascido não é muito diferente de uma pessoa adulta. Quando está quente, o corpo transpira e elimina calor pelo suor. No frio, os pelos arrepiam para evitar a perda de calor. Como o sistema no recém-nascido ainda está imaturo e pode não responder como deveria, é preciso alguma atenção, mas não se pode ultrapassar os limites e deixar a criança super-aquecida.

Além do desconforto que leva ao choro do bebé, o excesso de roupas e/ou cobertores provoca sudorese, deixando as peças que estão em contacto com a pele molhadas, o que aumenta o risco de resfriados, principalmente nos meses frios. Pode ocorrer também desidratação e hipertemia, a incapacidade do organismo de reduzir a produção de calor.

13. Levar o recém nascido ao pediatra


Quando o recém nascido estiver com aproximadamente 7 dias de vida, é importante fazer a primeira visita a um pediatra. Nesta consulta será realizado um exame geral, onde o peso e a estatura do bebé serão avaliados. As próximas consultas deverão ser mensais, para que haja um acompanhamento periódico quanto ao crescimento e desenvolvimento do bebé.  

14. Colocar o recém nascido na cadeirinha do carro

O bebé precisará de uma cadeirinha para que fique seguro dentro do carro. Quanto mais cedo você tiver uma, melhor, para que o bebé possa acostumar ainda cedo.

Vestidos de Capulana Para Madrinhas

Foi escolhida para ser madrinha de um casamento, lobolo, baptismo ou outra ocasião especial? Então você com certeza deve considerar um vestido de capulana como sua primeira opção de indumentaria.

Vídeo de vestidos de capulana para Madrinhas

Veja o nosso habitual slideshow com nossas recomendações de modelos de capulana para madrinhas. Aperte o Play.

Modelos de vestidos de capulana para madrinhas

Bom, agora é hora de você escolher o vestido que melhor combina consigo. Qual vai ser? O decotado? O longo?

1. Vestido justo com racha a frente

2. Vestido tubinho de mangas compridas e abertas

3. Vestido peplum curto

4. Vestido justo de uma manga em renda

5. Vestido sereia-peplum

6. Vestido comprido com rendas nas mangas

7. Vestido tubinho-peplum

8. Vestido tubinho curto de manga meio caída

9. Vestido tubinho com mangas balone

10. Vestido comprido de uma manga caída

4 Livros para dar de presente aos mais pequenos

Para quem quer que seja, escolher presentes não é uma tarefa fácil. Quando o assunto for os mais novos, na dúvida, um livro é sempre a melhor opção. Comparativamente a outras prendas, os benefícios do livro são de longa duração, estimulam a imaginação, a criatividade e o gosto pela leitura. Uma criança leitora será sempre um adulto melhor, culto e consciente. Eis 4 dicas de livros de autores moçambicanos que são uma festa para os olhos.

A VIAGEM DE LUNA. Escrito por Teresa Noronha e ilustrado por Ruth Banon (Alcance Editores, 2016). “Ancorada no Oceano e envolta numa bruma cerrada está a Ilha”. É assim que começa a aventura da Luna, uma menina misteriosa e com um dom estranho que, no meio de uma festa e tormenta, surge em Nweti, a ilha, num embrulho de algas. Criada por David e Diana, um dia Luna parte em busca de si e dos seus. A Viagem de Luna é um livro encantado que explora o mistério, o amor e a biodiversidade. É também um livro rico em vocabulário e frases bonitas. (35 p., 350 Mts).

O GIL E A BOLA GIRA E OUTROS POEMAS PARA BRINCAR. Escrito por Celso C. Cossa e ilustrado por Luís Cardoso (EPM-CELP, 2016).“O Gil” é um personagem que vai saltando de poema para poema, fazendo golos ou pilotando uma nave, como o “titio Armstrong”. Os poemas deste livro são divertidos e inteligentes. O universo infantil está presente em quase todos os textos, “Papagaio de papel”, “O pião do Tó”, “Recreio”, “Adivinha”, entre outros. A ideia é clara, são poemas para brincar, brincar com a poesia. Com ilustrações muito simpáticas, este livro é perfeito para uma iniciação à poesia. (27 p., 300 Mts).

O GALA-GALA CANTOR. Escrito por Luís Carlos Patraquim e ilustrado por Ivone Ralha Alcance Editores, 2014). Quando um poeta e experienciado escritor escreve para crianças, o resultado é este: uma obra-prima de sentimentos, de tensões emocionais e arranques poéticos. Karingana wa karingana! O “Gala-Gala”, aliás, o dragãozinho azul da Kyra, não é só cantor, fala bastante, viveu na França e chama-se Julizardo. Este livro é, na verdade, uma historieta de amor, uma relação de contemplação entre a Kyra e a miudagem que joga futebol e ouve vozes do alto das árvores. (47 p., 300 Mts).

PASSOS DE MAGIA AO SOL. Escrito por Mauro Brito e ilustrado por Bárbara Marques (EPM-CELP, 2016). Estes poemas não parecem, logo à partida, dedicados ao público infanto-juvenil, mas disso não passa, de uma ideia. Este livro, de 13 poemas, é um arranjo sofisticado, sem muita rima mas de parar o coração. Parece um caderno de memórias, uma viagem aos lugares da infância pelo olho do presente. A escrita é simples, elegante e absorvedora, como “um quadro/ que guarda a saudade” (p. 06). A ilustração é também sofisticada, uma mistura de desenho, pintura e colagem, um cortejo muito geométrico. (30 p., 350 Mts).

Calças de Capulana Para Homens

A vantagem principal das calças de capulana para homens é a de que elas podem ser usadas nas mais diversas ocasiões e podem ser combinadas com várias peças, permitindo a criação de vários estilos.

Vídeo de Calças de Capulana Para Homens

Aperte o play para ver o slide de calças de capulana para homens no conforto do seu sofá!

Modelos de Calças de Capulana Para Homens

Está na hora de você escolher o modelo que melhor se adeqúe ao seu estilo. Qual vai preferir?

1. Calças de cor castanha com detalhes em losango de branco, preto e cor de vinho

2. Calça com detalhes em amarelo, azul, vermelho e branco

3. Calças vermelhas com detalhes em amarelo

4. Calças amarelas com detalhes em rosa, lilás e branco

5. Calça com estrelas de quatro pontas com detalhes azul e preto

6. Calça laranja com detalhes em azul, preto e castanho

7. Calças castanhas com detalhes em verde, cor de vinho e preto

8. Calças com detalhes em cor creme, castanho claro e escuro

9. Calças brancas com bolinhas azuis e amarelas

10. Calça preta com mapa africano em vermelho, amarelo e verde

Livro de contos “o mundo que iremos gaguejar de cor” lançado esta semana

O jovem escritor moçambicano lança neste quinta-feira (31) o livro de contos “o mundo que iremos gaguejar de cor”, no Centro Cultural Português em Maputo.

O evento, que inicia às 17 horas, contará com um bate-papo com autor, moderado por Sara Jonas, numa sessão que contará ainda com uma leitura encenada de Guilherme Roda e com a participação musical de Chico António.

O livro de contos o mundo que iremos gaguejar de cor é a primeira obra de prosa publicada pela Editora Cavalo do Mar, na colecção Pelagem Negra, e a quarta obra publicada do autor.

Segundo Adelino Timóteo, «…ao lermos o mundo que iremos gaguejar de cor, perpassa-nos algo tal que o autor que nos leva ao caos, que desconstrói a realidade, propõe-se não só a criar uma nova ordem, mas sobretudo a espantar o medo, os fantasmas que o dominam e que são a matéria alvo dos seus escritos: a fome, a miséria, a desgraça e corrupção.»

“O Pedro Pereira Lopes é, definitivamente, uma das vozes mais interessantes do novo panorama das letras em Moçambique. Ele gosta de trabalhar os géneros e tem-se revelado bastante ecléctico. Lúcido, inteligente, com sentido oficinal, e um bom leitor, dentro de poucos anos será iniludivelmente uma das figuras cimeiras da nova geração.” Comenta escritor António Cabrita.

Sobre Pedro Pereira Lopes

Pedro Pereira LopesPedro Pereira Lopes nasceu na Zambézia, em 1987. Membro da Associação dos Escritores Moçambicanos, é pesquisador e docente no Instituto Superior de Relações Internacionais.

Obras e prémios:

Setenta vezes sete e outros contos (não-publicado, 2009), 3º lugar no concurso de ficção narrativa João Dias;

O homem dos 7 cabelos (infanto-juvenil, 2012), Prémio Lusofonia/Município de Trofa (2010);

Kanova e o segredo da caveira (infanto-juvenil, Maputo, 2013; São Paulo, 2017);

Viagem pelo mundo num grão de pólen e outros poemas (infanto-juvenil, Maputo, 2014; São Paulo, 2015),

O mundo que iremos gaguejar de cor (contos), Menção honrosa do Prémio Literário 10 de Novembro (Maputo, 2015) e Menção honrosa do Prémio Literário Eduardo Costley-White (Lisboa, 2016);

O comboio que andava de chinelos (infanto-juvenil, no prelo), Prémio Maria Odete de Jesus
(2016).

Vestidos de Capulana Para Igreja

Alguns ambientes requerem que as mulheres vistam um determinado tipo de vestuário, seja por regra ou por trato moral: a igreja é uma delas. Isso não significa que nesses momentos a moda fica de fora. Você pode ficar linda com o modelo certo de vestidos de capulana para igreja.

Modelos de vestidos de capulana para igreja

Até para você que não gosta de muita maga, tenho a certeza que um destes modelos vai chamar a sua atenção. Confira!

1. Vestido justo de mangas cobertas

2. Vestido evasê de mangas compridas

3. Vestido justo de mangas abertas

4. Vestido tubinho-peplum

5. Vestido princesa de mangas médias

6. Vestido fiesta

7. Vestido tubinho com mangas ligadas

8. Vestido tubinho curto de mangas longas

9. Vestido evasê com mangas de tamanho médio

10. Vestido comprido de mangas compridas

O maluco secreto (no error loading stories, 4)

Falava com cães, árvores e anjos, sobretudo cães. Era uma sombra viva, de voz calada e coração difícil de radiografar. Digo isto porque Buda simpatizava com anjos mas não era chegado a crianças. Cavaqueava com grande parte dos cães da vizinhança, todavia Jack e Rock eram os seus mais-queridos, aos restantes não lhes dava atrevimento. Passavam as manhãs, os três, debaixo da copa de uma mangueira alta, discutindo sobre os valores pervertidos dos homens e sobre a fidelidade dos cães. As árvores do quintal – a mangueira, uma laranjeira e um abacateiro – eram, às vezes, convidadas para opinar, mas estabelecia-se uma comunicação estranha, visto que os cães não entendiam o ramalhar das plantas e porque elas se lamentavam com frequência: queixavam-se dos cães, que as faziam de mictório, e queixavam-se dos humanos, porque trepavam-nas sem piedade, tirando-lhes os frutos; podavam-lhes os ramos sem consentimento algum; e esculpiam, nos seus troncos, corações com transitórios dizeres. Por este e outros motivos, Buda nunca cavaqueava com as árvores na presença dos cães. Depois do almoço, ele costumava levar os quadrupedes para um passeio no riacho, onde se banhavam e ficavam ao sol. Era no riacho onde lhe apareciam os anjos. Os seres alados gabavam-se das suas proezas diárias (quantos ímpios tinham convertido, quantos acidentes tinham evitado, entre outras tagarelices de anjos) e descreviam os avanços, daquele cujo nome é impronunciável, na sua jornada para subjugar o mundo. Por sua vez, Buda questionava-lhes quando é que poderia conhecer o céu e se já não era um bom momento para se fundar uma escola de línguas, onde ele seria director e professor. A resposta dos anjos era constante, não cabia a eles tais decisões. Era sempre assim.

Ninguém sabia ao certo quando é que Buda se tornara poliglota e iluminado, mas o seu pai, o senhor Jonas, andava já preocupado, afinal o homenzinho era o seu único filho. Buda recusava-se a ver um especialista:

“Nunca estive tão são”, dizia.

O pai não se chateava, tinha sempre pressa e reuniões na empresa.

“Eu disse-te que os cursos de filosofia não prestavam. Não têm utilidade, já vês, o miúdo está formado mas não tem emprego”, replicava a mãe.

“Mas ele pode ensinar numa escola!”

“Ensinar filosofia não é exercer filosofia. Um professor de administração é de longe um administrador”, gritava Buda do quarto.

“Se não foi a filosofia, foi a poesia. Que vida vadia tu levas!”

“Não é vadia, mãe, é vazia, livre de mundanices!”

“Mil vezes repleta de mundanices do que de palermices!”

A vida de Buda seguia na mesmice. Falava com cães, árvores e anjos. Banhava-se no riacho e deixava-se nu durante horas, energizando as suas partes do interior ou o seu traseiro achatado. Um dia, cansado da rotina, decidiu introduzir filosofia nas suas conversas com os anjos. Na primeira semana, os anjos ficaram palermas com a repentina mudança do homem – o único capaz de lhes falar desde os tempos de Paulo –, e evaporavam-se assim que lhe descobriam as intenções. Na semana seguinte, quando sentiram o beicinho trémulo, as criaturas caíram, por assim dizer, em voo turbinado na margem do riacho. E fizeram-lhe revelações de dimensão bíblica. Contudo, como Buda não andava interessado, pouco dedicou-lhes os seus ouvidos. Quando chegou a sua vez, o homem fez-lhes três perguntas:

“Há filosofia no céu? Ser ou não ser, eis a questão? O que fazia aquele de Nome Inefável antes de conceber o mundo?”

Os dois anjos, Nithael e Josenaldo, acotovelaram-se até um deles não poder mais. Eram informações classificadas, segredos do Estado Superior, diabo!, sabiam que teriam sérios problemas com o Gabriel. Mas o Josenaldo, o mais bravo dos anjos de baixo escalão, vendo uma oportunidade de cair de uma vez por todas e prosperar no ramo religioso, resolveu abrir a bolsa de silêncios:

“Os anjos inventaram a filosofia. Fomos os primeiros a questionar a acrosofia e as obras do Pai. A filosofia chega à terra com a primeira vaga de anjos caídos. Lilite, ao questionar a sua submissão a Adão, inaugurou aquilo a que vocês chamam de estar a caminho.

Buda abanava a cabeça, feliz com o seu progresso. Mas quando Josenaldo abria outra vez a boca, um trovão ressoou do âmago do Sétimo Céu, era o Gabriel. Os dois anjos evaporaram-se para longe, para Belém do Pará, devido à má precisão no teletransporte. Uma vez interceptados, Nithael foi transferido para o subsector de evangelização; Josenaldo, achado principal culpado, teve sorte pior, não foi desterrado como solicitava, permanece no céu, tendo porém sido confiscadas as suas asas.

A mania de ficar com as partes do interior desguardadas já assustava o senhor Jonas. Buda recusava-se a trajar o que quer que fosse.

“A filosofia faz-se melhor de forma natural.”

Falava de Aristóteles e de Nietzsche aos cães. Nas noites punha Jack e Rock na sala de estar, ligava a televisão e juntos examinavam as notícias do país. Indignada com o filho, a mãe fechava-se no quarto. O diagnóstico do médico especialista foi honesto, Buda era esquizofrénico. O senhor Jonas estava chocado.

“Um filho meu não fica louco. Não um sangue do meu sangue!”

“As tuas insinuações violentam-me os ouvidos e estraçalham-me o coração”, chorava a esposa.

Como não existia uma provável desculpa médica ou biológica, acusaram as suas leituras.

“Foram os livros. Viveu tempo demais noutros mundos. Eis o resultado: é um homem imundo!”, dizia a mãe. “As páginas viciam, é por isso que ele, às vezes, as cheirava.”

Ficou resolvido, Buda seria internado. Levaram-no para a psiquiatria numa manhã de sábado. Ele, avisado por um anjo amigo, estava preparado, nem sequer deu luta, a violência não tinha lugar no seu pensar filosófico. Deram-lhe uma injecção e Buda adormeceu, estavam acautelados para que ele não se despedisse dos seres com quem confabulava.

Cinco meses depois, Buda tornou ao lar. Houve uma recepção animada. Os animais e as árvores não tiveram parte no evento. Aliás, as árvores tinham sido arrancadas e o quintal estava tão protegido que não possibilitava a entrada de cães. Ele tinha deixado de ser poliglota.

Quando Buda teve o seu primeiro filho, uma menina de olhos grandes, um dos amigos ofereceu-lhe um cachorrinho magricela, da cor de açafrão, “É para cuidar da menina!”, disse-lhe. Buda jamais dirigiu palavra ao animal, ignorava-lhe as cheiradelas e rosnadelas. A mim, que sou o seu anjo protector, o idiota nunca enganou. Buda continua a ser o que sempre foi, um maluco secreto.

Angelina Jolie quer travar divórcio com Brad Pitt

Angelina Jolie, a actriz americana de 42 anos, parece querer reatar a relação com Brad Pitt, de 53, depois de este ter alegadamente parado de beber.

A actriz tinha assinado os papéis para o divórcio em 2016, depois de Brad ter tido uma discussão gigante com o filho, Maddox, durante um voo para Los Angeles, em que estava, supostamente, alcoolizado. Mais tarde, Angelina assumiu publicamente que iria pedir pela custódia total dos seis filhos, frutos da relação com o actor americano, e que iria mudar de casa.

Contudo, depois da entrevista dada pelo actor à GQ, a imprensa tem vindo a comentar uma possível retaliação do casal. Na entrevista, Brad confessa que está a ser seguido por um terapeuta, que está a ajudá-lo a controlar o vício do álcool.

Um amigo próximo de Angelina, de 42 anos, contou à US Weekly que o casal tem tentado reatar a relação, pelo bem dos seis filhos: Maddox, de 15 anos; Pax, de 13; Shiloh, de 11; Zahara, de 12; e os gémeos Vivienne e Knox, de nove.

Para além disso, a fonte diz que Brad está sóbrio há cerca de onze meses, o que também está a ajudar na decisão da actriz.

Outra testemunha, também próxima do casal, disse que “o divórcio não vai para a frente (…) há meses que não têm feito nada em relação a isso e não vão fazer”. A mesma fonte acrescentou ainda que Brad “tem tentado manter-se sóbrio para voltar a conquistá-la” e que “parar de beber foi tudo o que ela sempre quis que ele fizesse”.

Cm

“Se não fosse poeta seria curandeiro”: Uma conversa com Sangare Okapi

“A loucura deve estar no texto, não nas atitudes.”

Ungulani Ba Ka Khosa

Ouvi o nome “Sangare Okapi”, pela primeira vez, quando eu era caloiro na universidade. A minha prima, a Milla, dizia-me, com irritante frequência, que eu era como o seu professor de português: “louco”. Autor de três livros, premiado e respeitado pela crítica, Okapi é fruto do bom amor, do seu fluido, é um poeta de fortes convicções literárias e que não se preocupa com o “espectáculo chulo” – como diria Julien Gracq. Não publica há quase meia década, e nestes tempos em que os “poetas” daltónicos seguem publicando poemas e poemas, iguais como os seus rostos sedentos de atenção, a sua voz traria, infalivelmente, uma agradável sensação.

As nossas conversas tornaram-se profundas nas “tertúlias” da Casa da Cultura do Alto-Maé, e desde lá, a minha admiração pelo poeta apenas cresceu. Confesso que sempre o tive por um enfant terrible, como Artur Rimbaud ou Eduardo White, inovador e avantguardian. Este texto é fruto de uma pequena conversa que tive com o poeta, há quase um mês, em sua casa. É útil referir que Sangare Okapi acabara de perder a sua esposa – enquanto participava da Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas, no Brasil – e eu não sabia se fazia ou não a entrevista. Ao todo, foram 11 questões sobre, essencialmente, a sua escrita e poesia.

Pedro Pereira Lopes (PPL): Por que é que escreve?

Sangare Okapi (SO): É uma pergunta, à primeira, fácil, mas que causa em mim… muita angústia, muita angústia! Confesso que não sei o que escrevo, porque escrevo e para quem escrevo. Sei que sou escravo das minhas agruras… Fico a pensar na escrita de forma muito insipiente; aprendi a ler antes de escrever. Filho de mãe professora, do ensino primário, não tinha como fugir a isso, e penso que isso é que determinou aquilo que vou fazendo hoje, e o meu pai já escrevia teatro e trabalhava seriamente com a palavra e de forma directa. Directa no sentido de estar no campo, perguntar e registar… para compreender a vida dos que já sabiam muito mas não sabiam muito. Não sei se respondi ou se calhar coloquei mais perguntas. Há muitas incógnitas na minha cabeça. Sempre me confrontei com a parte mais difícil. Eu acredito que escrever é aquilo que não sei fazer, porque há muita escrita nas pessoas que não aprenderam os hieróglifos.

PPL: O que é poesia para si?

SO: Poesia não é aquilo que se procura. Olho para a poesia como qualquer coisa que se enquadra num saco contundente, naquela parte da literatura. A poesia, em síntese, é uma letra que sutura, satura e se deve aturar. A poesia é bonita. Sabe o quê, não tenho ideias coerentes!

PPL: O que é que faria se não fosse poeta?

SO: Se não fosse poeta seria curandeiro. A poesia cura. Curandeiro… Pereira, você é maluco! A poesia cura, Pereira, cura de diversas formas. Por exemplo, o silêncio. Porque o silêncio nos convoca a uma outra terapia: o tempo. O tempo…, e se quisermos podemos resvalar até à memória, porque temos lápides. Aliás, você fala muito de haikus ou haicais, não sei… mas as lápides são essências daquilo, as lápides nos ajudam. Uma das formas de fazer poesia é visitar outros museus: cemitérios.

PPL: E o teatro? O SO foi coprodutor, foi até premiado…

SO: Coprodutor porque não tinha como fugir daquilo. Nego, hoje, dizer que é genético. Não é genético, era a perspectiva de como o mundo deveria correr. Gostava dalgumas ideias construídas, gostava das ideias de William Dubois, gostava, gostava, não tinha como fugir, e na altura não tínhamos muitos livros no ensino secundário, se não ler Ki-Zerbo, mas depois enxergámos outros pan-africanistas, digo que até liámos o Thabo Mbeki; mas era o que nos ensinavam. Na verdade, o que me motivava mais era olhar o teatro como a literatura viva. O teatro continua a fazer o seu papel como literatura viva.

PPL: Acha que o seu livro de poesia neoconcreta foi bem recebido, que é um livro compreendido?

SO: Não sei se é um livro compreendido, mas é o meu livro primeiro, o meu primeiro livro. Às vezes converso com alguns amigos escritores, como é o caso do Lucílio Manjate… eu fiz tudo ao inverso, sinto que o meu primeiro livro foi o “Mafonematográfico”, e tinha como título “Poesia Pouca – Pedagogia da Poesia”. Mudei o título porque surgiram dois outros projectos literários, que mais me marimbaram, que era “O Inventário de Angústias ou Apoteose de Nada”, em homenagem ao meu irmão, e já tinha o “Mesmos Barcos”, que é um livro de carteira. O último livro é o primeiro que, historicamente, se vai dizendo que é o outro, o outro, do outro… Na verdade, eu arrumei os textos, não sabia muita coisa de poesia, mas fazia exercícios. Chegou-me às mãos o livro de Mario Benedetti e eu fiquei com “Inventário”. Depois veio o Paulo Favaró, que é um estudioso, que estudava a poesia Tropicália, onde aparece Gal Costa, Gilberto Gil, Osvaldo… então, era uma turma de uma estrutura grafemática incrível. Fui compreendendo alguns cenários de um estilo de poesia que me agradava, pela forma exibicionista e fashion das palavras, elas desfilavam na página, era uma forma de exposição. Ajudou-me bastante a ter a capacidade de olhar para o preenchimento dos espaços na página. O livro não foi chancelado como poesia e eu gostei, foi considerada prosa. Isso agradou-me bastante, quando dizem que é prosa, fiquei satisfeito, qualquer um tem a sua posição fora dos cânones instituídos.

PPL: O seu primeiro livro publicado (“Inventário de Angústias”) é prosa-poética. Por que mudou de estilo?

SO: Não sei se é prosa-poética. É um caderno onde procuro fazer uma incursão para representar o meu irmão – eu repito isso sempre – que me ensinou a ler. Não sei se é prosa-poética. Não sei muito bem o que é isso. Eu escrevo extremamente curto. O “Inventário” é diferente porque na dificuldade de escrever de forma extensa o que sinto, sinto maior dor nos versos menores, “enxuto”, como diz o nosso amigo poeta [referência a Amosse Mucavele].

PPL: Considera-se um poeta louco (como Alba, White)?

SO: Sangare não é um poeta louco (como Alba, White, Armando Artur…). Sangare é essência deles. A loucura tem uma dimensão, é como o ovo, não quero aqui citar outros que tem a gema mas não tem a clara.

PPL: Para si, ser poeta é uma bênção ou maldição?

SO: Maldição! Maldição – não no sentido da palavra aglutinada. Ela deve estar um pouco solta, “mal dicção”. A poesia, toda ela, vive da dicção. Uma poesia sem dicção não é poesia. Não há bênção na poesia. Não há maldição, há má dicção. Há muitos que escrevem, mas devemos respeitar a dicção.

PPL: Terá, o seu jeito poeta, influenciado negativamente a sua vida?

SO: Negativa, não! Positiva, sim. Não há mais nada que me faça rir, sorrir, dançar, chorar… A poesia, a poesia para mim existe como algo substancialmente concreto, inteira!, no sugestivo verso de Patraquim. A poesia é positiva para mim, é uma terapia, cura. Não quero ser incoerente, a poesia cura. Por isso se fosse para ser outra coisa, seria curandeiro.

PPL: É acusado de se ter apoderado de ideias, versos e estilo do poeta Ruy Ligeiro. Gostaria de comentar?

SO: Gosto muito do Karonga, aliás, como o trato, Carlos Maurício… Ideias, eu não sei. Eu penso que há disciplinas que estudam um pouco disso. Mas não é tão importante… Recordo-me de algumas inquietações: apoderar-se de ideias, apoderar-se de textos, são falácias. Geralmente, quando as pessoas aprendem umas das outras, avançam-se ideias… quantas vezes aprendemos uns com os outros? Há disciplinas que estudam isso! Fala-se hoje de dialogismo, de intertextualidade, quer dizer, há muitas correntes. Mas quero deixar claro que ele ensinou-me muito, não tenho medo disto.

PPL: Gosto de um verso seu que está no “Inventário”, onde diz “Antes estar só era casual. Agora estar só é um ritual”. Gostaria de comentar?

SO: Estou muito fraco. Hoje, é como se eu estivesse preparado para a vida. Eu sempre disse que li um livro muito bonito, de Simone de Beauvoir, “A Cerimónia do Adeus”. Eu consigo este livro porque o roubei na biblioteca da AEMO [Associação de Escritores Moçambicanos]. Amei bastante, eram conversas entre os dois, conversavam bastante, tomavam os seus cafés, discutiam… são duas figuras que tinham uma grande dimensão do conhecimento. Inventei a minha versão de Simone de Beauvoir, que se foi, e estar só continua a ser um ritual. Eu a conheci e ela dizia-me que não queria ler, só queria um livro, tudo ao contrário. A [Simone] do Sartre já estava altamente cultivada, eu tinha de a cultivar. Quando ela já estava cultivada, eu é que já não lia, ela era quem me questionava, “Leste o quê hoje? Escreveste o quê hoje?” A literatura sempre foi importante. Estou só! É um ritual.

Não se trata de escrever: não leia, por favor!

Texto de FS[i]

Tradução e interpretação de Pedro Pereira Lopes

Não se trata de escrever, não se trata de ler ou de uma filtração intelectualizada de pensamento, experiências, sonhos, sessões de terapia, estúpidos comportamentos e dramas da vida real. A arte das palavras; o interior do escritor que é escrito, desenhado, exposto.

De imagens cifradas em cavernas e pirâmides para letras em um quadro ou uma página ou tela, os humanos trabalham suas múltiplas mágicas para contar uma história.

Escritores escrevem.

As palavras são a pintura, as escovas, as ferramentas, as mesas, as cadeiras, o chão, o sofá, a banheira, a argila, a cola. Escrever é um acto de reunir – juntar o quê? Palavras? Sentimentos? Recordações? Imaginação? Nuvens? Todas as coisas, histórias, maravilhas, perguntas dolorosas, respostas, medos que vivem dentro do escritor, respirados para a vida pelo escritor através do uso de palavras? É essa a reunião? É boa? Alguém já leu? Quem se importa?

Ninguém realmente fala sobre isso, mas há uma estrutura de classe para escrever. As pessoas podem debater entre si quanto à estrutura: qual é tipo de escrita que está na superfície, que tipo de escrita está no fundo, mas existe uma estrutura de classe que vai da literatura ao jornalismo. A escrita acadêmica tem a sua própria classe e seria negligente não mencionar a classe de bons fundamentos de escrita – edição, revisão e gramática. Há também a escrita experimental, que não presta atenção às convenções de escrita. É tudo escrito, e existe uma hierarquia.

O acto físico de escrita toca uma parte da mente que é desafiada a se expressar em voz alta nas palavras faladas. Às vezes, o escritor fica fora do caminho e algo mágico acontece. As histórias aparecem. O que está escrito escreve-se por si mesmo, mostra-se, se expõe. O escritor apenas transcreve.

Às vezes, isso acontece quando a mente está aberta e pronta e vazia de sua plenitude. Estes são os tempos de escuta, de deixar que seja escrito, não de escrever.

[i] FS (28.07.2011), “Sometimes, it’s not about writing”, diponível em: https://fso2.wordpress.com/2011/07/28/sometimes-its-not-about-writing/. Último acesso em 6 de Agosto de 2017.

uma porção pequena de inutilidade (no error loading stories, 3)

estava longe de ser uma bela manhã. não fazia sol, chovia, uma tonelada de água encharcava o topo da palhota. alguns fios corriam sobre as paredes de argila negra, a casa sangrava mas não se queixava, casas não devem chorar, ainda que seus sentimentos fossem como a retrete do fundo do quintal, que borbulhava resíduos e germes. graças à chuva aquele fertilizante iria parar nos canteiros de batata-doce, teriam melhor préstimo lá. chovia como se deus urinasse sobre um ninho de formigas indefesas, pois casa aquilo não era. não era uma bela manhã, qualquer coisa que fosse, não uma bela manhã

o velho, que permanecia na entrada da varanda da palhota, empurrava, com uma vassoura de ramos secos de pequenos arbustos, os resíduos e germes que ali montavam quartel. praguejava, arrependia-se de ter largado a prática dos seus poderes mágicos, se os ainda tivesse, há muito que aquela chuva deplorável teria sido travada. não lhe sobrava nada, nem um pingo de magia. um estrondo fez-lhe sentar sobre o chão húmido, a fome também não o ajudava. havia vinte horas que não comia, dois chás não o tinham saciado. ergueu-se de rompante e voltou a pensar nos poderes mágicos que já não tinha, na quantidade de problemas que teria solucionado, o dilúvio, os germes e a fome. o velho não tinha remendo, tão salientes eram as suas rugas, contudo não perdia o gosto pelos sonhos. sonhara a vida inteira sem jamais ter vivido os seus sonhos. depois de muitos anos, só lhe restava a experiência – e quem contrataria um professor daqueles? sonhar era, afinal, o único poder que ainda lhe restava, um resto inútil, uma porção pequena de inutilidade

a chuva ganhara velocidades menores. a merda não cheirava, menos mal, mas os germes amolavam o velho. teriam sobrevivido ao grande dilúvio ou teriam nascido dos resíduos acumulados na arca de noé? não lhes percebia o sentido da existência. insultou-lhes com um cuspo fraco e puxou o rádio que estava sobre a mesa plástica de três pernas – duas delas cozidas com fios de arame. deu duas palmadas ao aparelho, o objecto fez-se de difícil, talvez uma cabeçada, não, continuaria mudo. tirou-lhe as baterias, três cilindros vermelhos de aspecto cansado da marca “777”. lembrou-se de mateus, mas não divagou, já não lhe diziam muito as leis dos profetas. uma a uma, amassou as pilhas com os dentes, num esforço de dar-lhes outra vez vida, transmitindo-lhes a vida dos seus dentes que se esvaiam em fome. uma delas esviscerou-se, vomitando uma gelatina que lhe irritou a língua. alegrou-se com a seguir o velho, a voz de um poeta irrompeu o ar com uma graça divina. estava contente porque tinha mais companhia para depreciar a enormidade da chuva, mas a língua estava acidificada, de modo que a desabrigou da boca e aproximou-a dos pingos de chuva. o locutor da estação de rádio suspendeu a música para anunciar a continuidade do mau tempo por mais dois dias. o velho quase choramingou, a casa e os seus sentimentos não durariam tantos dias, e depois a trabalheira que seria remendar os traços de barro derretido

seguiu-se uma música velha, de um talento da sua época, que, como muitos, fora contido pelas promessas. rasgou uma página de uma pequena edição do “novo testamento” e enrolou um tabaco que lhe fora oferecido por um amigo. a caixa de fósforo estava velha e húmida, o palito incendiou-se depois de duas tentativas. fechou os olhos como se fumar fosse uma solenidade. puxava devagar, o ar para dentro do cigarro; o fumo demorava-se dentro de si, visitava-lhe os pulmões, as veias, o coração, quando saía, a sua composição não era a esperada. fome e fumo são duas palavras próximas, pensou ele, com os olhos ainda fechados, parecem formas do mesmo verbo, fome é presente, fumo é futuro. queimou a ponta dos dedos, por hábito, sabia gozar dos prazeres que lhe eram possíveis. quando o noticiário foi anunciado, tirou as pilhas do rádio, assim como as leis dos profetas, as notícias do país e do mundo não lhe interessavam. que de novo diriam? estava cansado de ouvir “pelo menos x pessoas morreram…”, morre-se e pronto!, dizia. sentiu falta, naquele instante, do seu neto mais velho. o rapaz andava na escola secundária e queria ser jornalista. o neto era inteligente, mas o velho não gostava da ideia, e se um dia ele ouvisse, no seu radiozito, que o menino tinha sido assassinado? jornalista jamais!, que fosse professor ou enfermeiro, são profissões dignas, de fome não se morre

mordeu as pilhas outra vez, antes de pô-las no rádio. decidiu fazer um chá para esquentar o estômago e esquecer a saudade que tinha do neto. quando o rapaz era mais novo e ele ainda trabalhava, gostava de apresentá-lo aos colegas, e eles ficavam – ou fingiam ficar – felizes com a visita. agora o rapaz vivia enfiado nos livros e fazia tranças como uma mulher. o velho envergonha-se, temia que o seu neto passasse a usar, também, saias, blusas cor-de-rosa ou vestidos floreados. pousou a chaleira no fogão, ainda não era a boca de um vulcão, mas não podia desperdiçar aquele calor. a chuva ganhara velocidades ainda menores. perto dos canteiros de batata-doce, dois patos revolviam com o bico a terra. talvez minhocas ou germes. o velho, assanhado, levantou-se, não queria que as aves bípedes arruinassem a sua próxima safra. meteu-se debaixo da chuva, enxotou-as com paciência, evitando tanto quanto podia, empapar os sapatos. um dos patos, o mais idiota, metido a velocista, equivocou-se na direcção e foi parar na varanda da palhota. o velho praguejou, xô!, xô!, mas o pato, descobrindo a entrada do labirinto, fugiu para dentro da palhota. o velho seguiu a ave, esquecido já do seu chá. xô!, xô!, berrava o velho, rouco, o pato nem sequer grasnava, estava muito a vontade

cansado, meio morto de fome, o velho apoiou-se numa das paredes húmidas da casa, para depois voar num salto enferrujado, maldita parede!, por pouco não era engolido. o pato, um belo e crescido espécimen, estava decidido em não reconhecer a saída. quando o seu bucho malcriado voltou a rugir, o velho apercebeu-se da tolice que estava prestes a fazer. aquele pato não fora ali chamado ou forçado a entrar, ele estava ali por vontade própria, logo, o que o velho ideava naquele instante não seria um crime contra a sua vizinhança, ser comido é a fortuna do oferecido. fechou a porta. ter as mãos fechadas sobre o pescoço da ave foi mais fácil do que a enxotar

o velho comeu até não poder mais, apenas metade, deixou a outra porção do guisado para o seu neto mais velho, esperando que ele surgisse do nada, preocupado com a enormidade da chuva. estava longe de ser uma bela noite. chovia de forma tão grosseira que o velho acreditou que chovia dentro do seu quarto. deitado numa tarimba, envolto numa manta que se desfazia aos fiapos, o velho desistiu de sonhar.

Vestidos de Capulana Para Lobolo

Lobolo é uma cerimónia matrimonial tradicional típica do sul de Moçambique, que para muitas famílias tem o mesmo peso que um casamento civil, por isso muitas mulheres esperam por este dia com muita ansiedade e preparam-se com todo capricho para estarem deslumbrantes para o noivo.

Vídeo de vestidos de capulana para Lobolo

E como não poderia deixar de ser, a capulana é a melhor sugestão de traje para você usar neste dia tão especial, por se tratar de uma peça também muito presente na nossa tradição. Por isso fizemos este vídeo rápido com vestidos de capulana para Lobolo. Aperte o Play.

Modelos de vestidos de capulana para lobolo

Confira então algumas sugestões de modelos de capulana para você vestir no dia do seu Lobolo. Como sempre, escolhemos diferentes modelos para os mais variados gostos e feitios do corpo, com certeza um destes modelos vai ser perfeito para si.

1. Vestido sereia de renda cor de vinho com partes partes brancas e amarelas

2. Vestido verde com traços castranhos

3. Vestido cai-cai cor de vinho com bolinhas em laranja e amarelo

Angelina Jolie acusada de explorar crianças em filme da Netflix

Angelina Jolie está sendo acusada de explorar a miséria de crianças do Camboja, terra natal do filho mais velho, Maddox.

A denúncia ganhou corpo depois de uma entrevista à “Vanity Fair” revelar o método escolha do elenco de “First They Killed My Father”, filme distribuído pela Netflix.

Conforme o artigo, directores de elenco colocavam meninos e meninas – escolhidos de orfanatos, circos e escolas em zonas pobres – em um jogo evolvendo dinheiro. “O jogo é perturbador pelo realismo: os directores colocavam dinheiro em cima de uma mesa e pediam às crianças para pensarem em algo que eles poderiam comprar com aquele dinheiro e, depois, tinham de devolvê-las”, the article revealed.

Outro método usado foi, segundo a Vanity Fair, “fingir ter flagrado a criança fazendo algo e pedir que ela mentisse para se livrar”. O papel para o qual as crianças fizeram tais “audições” acabou ficando com a atriz Srey Moch. “Ela foi a única a ficar encarando o dinheiro por um longo, longo tempo”, contou Jolie. Procurada pelo site NME, a Netflix não se pronunciou. A Unicef informou, ao site, no entanto, que apurará o caso.

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