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A Melhor Religião do Mundo

Chamo-me Emerson David Chiloveque, tenho 24 anos de idade, nacionalidade Moçambicana, fui nascido em Maputo. Fui criado por pais pagãos… desde criança foi-me incutido que devemos respeitar aos mortos, depositar flores a cada domingo, e orar pelas suas almas…

Aprendi a seguir os desígnios africanos impostos na família, desde o chá da panelinha até, “ao extremo”. Enquanto crescia, soube que há várias religiões espalhadas pelo mundo… várias formas de encarar ao sobrenatural, mas não me liguei a nenhuma, ia seguindo o que foi “imposto” pelos meus progenitores. Eis que chegou o momento da “libertação”… precisava, necessitava encontrar uma religião onde pudesse me abrir de corpo e alma, algo com que eu me identificasse, que me desse paz e sossego…

Procurei, confesso que a busca não foi nada fácil… andei em tudo que era igreja, ouvi vários homens que se julgavam profetas . Cresci em Maputo, Maputo-Cidade, já podem imaginar a quantidade de igrejas que lá existem…

Em cada rua que eu passasse, lá estava um pregador, cada um com uma palavra diferente. Raramente existia alguma similaridade, ops, a única que existia é que Deus existe! Embora por vezes mudavam os nomes, pois uma vez era Alá, a outra Jeová, no dia seguinte diziam que era Cristo… Mas depois disso, mudavam os argumentos! Cada um deles procurava puxar-me para o seu “rancho”, intencionalmente, ou não, dava-me a entender que era a única igreja verdadeira que lá existia. Que as outras não passavam de uma farsa. Ofereciam-me um folheto/panfleto… e pediam que me apresentasse num determinado dia e hora, mas, caso eu estivesse de bem com o mundo nesse dia, aceitava entrar de imediato.

Infelizmente, eu saia como entrava, indiferente… As reuniões ou missas eram todas iguais. Havia gente chorando de alegria e reconhecimento pelo altíssimo. Havia gente chorando de desespero e implorando pela presença do altíssimo em suas vidas e, infelizmente, em alguns casos, eu sentia que havia gente que só estava para fazer boa figura… infelizmente, assim como eu…

O meu coração de adolescente se perturbava pois, precisava saber, onde eu poderia encontrar respostas para satisfazer as minhas dúvidas? Onde eu poderia encontrar conforto para o meu coração agitado, onde? Pois nenhuma dessas igrejas me dava paz… mas não desisti, ia procurando pela cidade, em canais televisivos, nos programas matutinos, ou na calada da noite… Felizmente cheguei a conseguir! Houve uma igreja que conseguiu dar-me paz e sossego… comecei a frequenta-la arduamente (IURD, tenho muito respeito por essa igreja, seria hipocrisia dizer que nunca havia acreditado na sua palavra…). Talvez um dia possa voltar, pois sinto saudades daquelas paredes que várias vezes me ampararam…

Mas eu sentia-me triste ainda, uma vez que o meu coração não conseguia responder tantas perguntas que o meu subconsciente fazia…

“Se Deus é apenas um, porquê tantas igrejas e tantas palavras…?”

“Porque se acusam esses irmãos, lutam pelos crentes… e gracejam uns dos outros?”

“Porquê a pedofilia em certas igrejas, e mais escândalos sexuais em outras, drogas ligadas aos templos de adoração… ?”

“Porquê, porquê tantas versões da bíblia, versões em ritmo constante se a apalavra é apenas uma?”

E eu pensava… “Jesus era um carpinteiro, e morreu sem ter nada de seu… mas será que é o que vemos hoje, nos tais homens de Deus, que movem as massas…?”, “Como é que pode ter existido uma guerra, que se dizia santa?”…

BASTA, eu decidi dar um basta, a todas essas reflexões… Hoje, carrego comigo uma Bíblia, não porque acho que a as palavras lá escritas sejam mais verídicas que as demais, mas mais pelo valor sentimental que tem para a minha pessoa. Uma falecida tia, ( QUE DEUS A TENHA,TIA LINA ), usava-a e, até hoje, consigo ver as suas marcações na Bíblia, nas passagem que a tocavam… isso conforta-me. Lembro-me até hoje de a ver falar: “EU NÃO SIGO AOS HOMENS, EU SIGO A DEUS”!

E FOI ISSO QUE ADOPTEI PARA MIM. Não tenho uma casa para adorar, tenho a Deus no coração e procuro viver de acordo com os seus mandamentos. Mandamentos esses que nos foram incutidos ainda na nossa criação, bem sabemos nós, o que é o bem e o mal, ainda no ventre da nossa Mãe!

Assim tenho vivido até aos dias de hoje, como uma “pomba livre”, apenas carregando a palavra em meu coração e, procurando ajudar ao próximo sempre que poder. Respeitando sempre a decisão dos outros, em relação a religião e outros temas sociais… Então, creio que não é certo quando certos homens religiosos, contestam ao pobre Chil, por não ter uma casa para adorar…Céus, adora-se a casa ou adora-se a Deus, a Deus que está em todo lugar? Eis a questão… então, assim vou vivendo!

E lembrem-se que Jesus disse: “Chegará o momento em que não importará onde e quando se adora, mas sim como se adora”.

Que o Senhor seja convosco.

Sobre o Corte de Água pela AFORAMO e o Vandalismo do FIPAG

Ando por ai interessada em alguns assuntos muito actuais e pertinentes. Não posso afirmar com toda a certeza, mas é algo que acontece um pouco por todo o país. Estou a falar exactamente do problema de água. Sempre ouvimos por todo lado que sem água não há vida – Pura verdade.

Falo do assunto porque muito recentemente quase ficamos sem água. Para quem não sabe, sobretudo os leitores do Moz Maníacos que estão fora da nossa linda pátria. Vou contar a estória como forma de contextualizar o leitor.

A Associação dos Fornecedores de Água de Moçambique (AFORAMO) anda insatisfeita com o comportamento do FIPAG (Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água) que anda a vandalizar as canalizações feitas por abastecedores de água privados, que por conta e risco próprio e, fundos próprios, investiram milhões de meticais (milhões mesmo, é muito caro abrir furos, sem contar que por vezes não se alcança o desejado).

Os privados abasteceram as zonas suburbanas de Maputo durante muito tempo, isso porque o Estado (o responsável por isso) não está em altura de chegar em todos os bairros. Não é obrigação nenhuma dos privados em fazer isso, fizeram por vontade própria. E acreditem ajudaram muitas famílias a ter o precioso líquido.

Agora, porque aparece, hoje, o FIPAG a destruir as suas infra-estruturas e impor condições aos privados? Por mais que respondam a minha pergunta vou continuar cinzenta. É simples, por mim os tipos do FIPAG devem conquistar os seus clientes nas zonas onde os privados já se instalaram. E não o que está a acontecer agora.

Do para exemplificar, os trabalhadores do FIPAG que estão a colocar a famosa tubagem para o abastecimento de água, vandalizam tudo o que encontram pela frente e simplesmente deixam a céu aberto. Mesmo as estradas, eles abrem crateras e deixam estar. Deve aparecer alguém a tapar os rastos.

Mas então, isso no meu pobre ponto de vista é sinónimo claro de cobardia, pelo menos no que concerne aos operadores privados, porque estes arriscaram tudo e mais alguma coisa para ajudar a nós (povo) a ter o tão precioso líquido.

Voltando um pouco a famosa greve dos operadores privados, estes anunciaram que iam paralisar o abastecimento de água por tempo indeterminado. Agora, imaginem o pavor dos moçambicanos, ou melhor dos residentes das zonas suburbanas de Maputo.  Porque na maior parte destas não chega nem a rede de abastecimento público de água e muito menos o FIPAG, diga-se, só agora é que este resolveu se instalar e já criou prejuízos enormes.

Por milagre, mas por milagre mesmo, a greve não aconteceu, ou durou apenas um dia, porque os privados retrocederam. O povo respirou de alívio, mas as sabotagens continuam. Tem uma pergunta que não me sai da cabeça. Dizem por ai que não chora, não mama. Será que toda vez que os moçambicanos quiserem fazer-se ouvir devem recorrer à greve? Deixo a critério de cada um.

Moçambique e a Banda Desenhada

Deixem-me deixar a modéstia à parte e dizer que ainda não conheci um moçambicano com uma colecção de banda desenhada maior que a minha, o que não chega a ser uma grande surpresa para ninguém ao observarmos o nível de promoção desta arte do lápis. Mas eu confesso que ficaria feliz se alguém viesse confrontar a minha afirmação – seria uma forma de saber que não estou sozinho nesta coisa.

Minha Primeira Vez

A primeira vez que eu conheci o Mickey, o Superman, Tintim e outros títulos populares da televisão, foi em tiras de banda desenhada e muito mais tarde, quando tive acesso à televisão pude ver os meus super heróis com voz nas telas. Naquela época a minha mãe comprava estes livros nas bancas da rua, eram livros usados vindos de outros países, e quase todos tinham alguma coisa escrita à caneta lá. Mas isso não me interessava muito… Eu já folheava revistas de banda desenhada antes mesmo de saber ler, a minha mãe e os meus irmãos liam para mim algumas vezes, mas foi com 6 anos que eu li a minha primeira história em quadradinhos sozinho, era uma edição especial da Mafalda do cartoonista Quino, eu achei os desenhos tão engraçados quem nem dei importância para o facto de eu não ter entendido a história. E dali em diante comecei a vasculhar livros da estante de casa à procura de coisa parecida (muitos dos livros de autores de portugal), foi nessa procura que eu encontrei algumas tiras isoladas do TimTim e vários personagens da Disney, que eram sempre usados como exemplos de alguma coisa.

Nos anos seguintes aprendi na escola um pouco mais sobre banda desenhada e ao mesmo tempo começava a ler uma revista mensal chamada Audácia, que foi a responsável pela minha grande paixão pelas BD. A revista apresentava em cada edição, duas a 3 séries de banda desenhada para adolescentes. Eu acompanhei a revista até decidir explorar outros mundos. A maior parte dos títulos que conheci nos anos seguintes eram de revistas emprestadas por pessoas que tinham quedas pela banda desenhada como eu.

Mafenha

Ler banda desenha para mim sempre foi melhor do que qualquer filme ou desenho animado, aquilo era tão excitante que eu era capaz de ficar horas e horas só a ler aquelas histórias intrigantes sem comer nada, mas nenhuma alegria anterior foi maior do que quando eu conheci Mafenha, um clássico do cartoonista moçambicano Sérgio Zimba. O simples facto de ser uma de um moçambicano já tornava a obra especial e superior a todas as outras. Eu já acompanhava as tiras do Zimba no jornal e mergulhava no rio de lágrimas das minhas gargalhadas, a crítica social quase passa despercebida com caricaturas e humor de Mafenha.

Tira de Mafenha
Tira de Mafenha (Sérgio Zimba)

Mafenha foi a primeira e a única obra moçambicana próxima à banda desenhada que eu li. É verdade que ela não trás nenhuma grande história e nem revolucionou nada, mas será sempre lembrada por mim como uma boa tentativa de valorização da arte do lapis. Mas nada de moçambique mereceu minha atenção até hoje. Nenhum artista teve a coragem de lançar mais nada parecido. Só vejo banda desenhada nas revistas sobre HIV…

Tudo o que há em banda desenha nacional é para rir. Eu sonho um dia em ler histórias que me façam pensar como Watchmen de Allan Moore, ou simplesmente rebeldia como em Preacher de Garth Enis,  super herói como o nosso querido Batman ou uma turma maluca como a do Maurício de Souza. Alguém conhece algum vilão criado por um moçambicano?

E se você é artista e deseja expor a sua obra aqui, nós ficaremos muito felizes em recebe-lo!

As flores estão a murchar

Eu vi esta foto há alguns dias atrás ,confesso que fiquei “escandalizado” perante tal imagem… O miúdo que aparece a voar a moda Jean Claude Van Dame, não deve ter mais de 16 anos de idade contudo, entrega-se de corpo e alma a esse gesto penoso.

As flores estão a murchar...
Voadora (Foto: Feling Capela)

Os outros gritam ao lado, pegam em pedras e ameaçam, insultam e, a malta segue em frente, rumo ao exílio do “gatuno”.

Apenas uma pergunta esbofeteia-me repetidas vezes…

Se, com essa idade, esses miúdos já têm atitudes do género, como será o comportamento de todos eles quando atingirem a maioridade?

Todos nós temos sofrido com os assaltos e vemos “in loco” a violência pelas ruas, mas não cabe a nós fazer justiça , há órgãos responsáveis por isso, leis que devem ser cumpridas! Os exemplos que os levam a comportamentos do género, vem dos filmes que passam nas Tv’s do nosso pais, sem censura alguma… irresponsabilidade dos quadros que dirigem a essas instituições e, de nós que deixamos os nossos filhos, irmãos… assistir e deliciarem-se com tais imagens agressivas, gestos pejorativos, linguagem obscena, cenas eróticas… e la vai a Pérola… depois espanta-mo-nos ao descobrimos que as flores já sabem mandar “manguitos”, soltar frases carregadas de insultos e, voar deste modo (como fez o miúdo da foto) ainda por cima uniformizado!

Sinto muito que isto esteja a acontecer e que ninguém tome a devida atitude para proteger aos pequenos desses labirintos que não levam a lugar algum e, se o fazem, certamente que é a violência! De violência já estamos cheios em Moçambique, violência essa que vem crescendo assustadoramente…

Todos nós temos a nossa culpa ,ninguém fica de fora, é a sociedade despedindo-se dos seus valores morais, paulatinamente… Sinto muito que não se esteja a investir como deve ser no desporto para as camadas juvenis, na literatura, no teatro, na dança… pelos bairros da capital,de modo a entreter a pequenada e, tentar salvaguardar o pouco que resta da nossa decência.

Desta vez não irei “espreitar ao futuro”, tenho medo do que possa avistar, caso atitudes do género passem diante dos nossos olhos e a gente continue cruzando os braços, não seria nada risonho o cenário apresentado.

O ruir de uma casa, por maior, ou menor que seja, começa pelas fundações!

Ocultar Botão de Pedidos de Amizade no Perfil

Algumas vezes encontramos alguns perfis no Facebook que simplesmente não têm nenhum botão que permita que as adicionemos como amigos. Porque?

Esta é uma dúvida que muitos usuário do Facebook tem, e hoje eu vou mostrar porquê isso acontece, e caso você esteja interessado em activar essa opção para seu perfil, descobrirá que não há nenhum mistério.

Vá para as configurações de privacidade.

Ocultar Botão de Pedidos de Amizade no Perfil

Na secção Como conectar, clique em editar configuraçoes.

Quem pode lhe enviar solicitações de amizade?

Se você mantiver a opção Todos o botão aparecerá para qualquer um, mas se você escolher Amigos de amigos apenas esse grupo poderá ver o botão Adicionar aos amigos no seu perfil.

Bom, como você pode ver, não é possível impedir completamente que as pessoas te adicionem, mas já é alguma coisa.

O Medo de não entrar na UEM

Na vida de qualquer estudante, chega um tempo que normalmente é entre o alívio que sair da escola representa e o abismo representado pela forma repentina com que a vida nos dá certos cargos. Aí, é quando precisamos mostrar que merecemos a idade que temos. É preciso ser crescido o suficiente para parar, olhar de fora para dentro e corrigir a própria vida. Devemos (tentar) perceber:

  • O que se quer fazer;
  • O que se pode fazer;
  • O que se está a fazer.

O sentimento predominante nessa fase é o medo. Para o estudante, esse medo pode aparecer pelas mais variadas causas, porém as que mais se notam são:

A falta de conhecimento; que nos faz pensar que: nascemos burros e burros morreremos

Pode não acreditar mas aqui em Moçambique é normal, chegarem na oitava classe alunos que não sabem ler nem escrever. Vezes há, em que chegam até décima segunda classe nessas condições – e querem, mesmo assim, disputar uma vaga na Universidade Eduardo Mondlane – a maior e mais prestigiada universidade do país .

O receio de fracasso é grande, principalmente para aqueles que sonham com uma vaga em cursos muito concorridos. Mas o momento de preparação, é um momento só nosso em que devemos fazer de tudo para acreditar que tudo é possível, não interessa se alguém já olhou para ti com cara de ‘‘eu vou ter futuro, e tu não’’, nem se tu próprio achas que não és capaz.

A confusão criada pela falta de organização da matéria já estudada ou por se estudar

Ao estudar sob pressão, o tempo é o pior inimigo. São vários livros, milhares e milhares de páginas. É um momento crucial para todo estudante mas é uma pena que muitos desistem justamente nessa parte.

Um bom tutor, com certeza vai te aconselhar dizendo: ‘‘Nada é difícil, somos todos capazes com esforço. Seja o conteúdo que for, seja a quantidade que for: vá em frente!’’

O ‘‘excesso de inteligência’’

Que nos faz pensar em escolher cursos pelo grau de dificuldade, na ilusão de que por fazermos o curso mais difícil do mundo, teremos mais dinheiro e/ou respeito dos outros (uma completa parvoíce)! Vamos procurar fazer o que dá algum dinheiro, mas que seja algo que gostamos de fazer em 70%. Não adianta fazer engenharia civil, se odeio aulas de Desenho! Não adianta fazer engenharia civil porque Moçambique está a crescer e há poucos engenheiros no país! Faculdade não é como Escola Secundária. Estudar é uma viagem loooooonga! Você conhece o destino mas se o caminho for complicado, pode preferir saltar do avião. Ali, de cada vez que você entra na sala de aulas, cava o seu próprio buraco, abre seu próprio caminho.

Escolhe a viagem pelo caminho que mais te agradar e vai até ao fim. Não deixa nada nem ninguém te impedir de fazer o que gostas, agora.

Consulte aqui o material de Preparação Para os Exames de Admissão à UEM

Os magros salários dos professores do ensino primário

Há muito tempo que penso em tocar o assunto dos professores do ensino primário (para mim, é um assunto bastante sensível e que merece tratamento ao mais alto nível), mas as vezes acho melhor deixar para lá. No entanto, hoje decidi falar. Não sei que repercussão o assunto poderá ter, mas lá vou eu. Acho que é uma aventura boa e vale, por ser de uma classe que merece que todos os moçambicanos tirem o chapéu. Afinal, o que seria de moçambique sem os professores?.

Os professores do ensino primário aqui em Moçambique recebem muito pouco, mas muito pouco mesmo….e para receber minimamente tem que estar colocado em uma localidade daquelas bem distantes mesmos. Dificilmente se encontra um professor com um carro básico, mas deviam ser eles a usar os melhores do mercado (talvez).

Acho triste e deprimente um professor responsável por desenvolver as primeiras manifestações da mente de uma criança, desenvolver personalidade carácter, articulação da língua, desenvolvimento psico-motor. Essas crianças que no futuro pode ser até um presidente da república, grandes doutores de alguma coisa. Contrariamente, os do ensino secundário e universitário receberem fortunas enquanto que já não tem tanto trabalho assim, pois diz se que o ensino é virado para o aluno.

Ou seja, quem deve fazer o esforço não é o professor e sim, o aluno que está super interessado em aprender algumas coisas. Cabe aos professores o papel de monitorizar o desempenho dos alunos.

Professora Moçambique

Na minha humilde opinião, acredito que não existe um salário ideal para um professor do ensino primário, mas até onde sei não deviam passar privações por receberem “migalhas”, enquanto que em geral a pessoa só se torna realmente pessoa por passar pelas mãos deles.

É muito simples, imaginemos um cenário em que os professores só ficam e olham para o aluno (hoje em dia temos alguns casos de género, mas está mesmo ligado aos incentivos que eles não tem), não tem paciência para o ensinar, fazer o devido acompanhamento, o que seria dessas crianças (que são intituladas flores que nuncam murcham).

Estaríamos a assistir uma situação de meninos que só estariam a zanzar, todos com cabeças ocas e sem nada de interessante para dizer e mostrar. Mas, assistimos uma situação totalmente diferente, as crianças se desenvolvem muito bem e é tudo graças a esse esforço dos professores que mal recebem, simplesmente não conseguem sequer ter dinheiro de chapa para eles e os seus respectivos filhos. Mais ainda, não conseguem ter uma alimentação condigna.

Estamos numa situação em que só é docente ou professor aquele que tem amor por isso, e corremos o risco de, futuramente, serem poucos. Em todas as classes de emprego, há que se criarem incentivos, o que os responsáveis pela área deviam fazer é dotar, financeiramente, a esta classe ou grupo para que continuem com o trabalho (diga-se magnifico) que tem.

Não se justifica que o professor tenha que percorrer longas distâncias para exercer a sua profissão e passado dois a três anos não consegue nem comprar um “carrito” básico para circular. Ele é obrigado a andar de transporte público. Onde vai ficar a auto estima desse professor? A sua vontade de trabalhar?

Vou responder. Claro que só vão sobrar aqueles que estão na profissão porque gostam e mesmo assim vão trabalhar mas não como deve ser. Simplesmente, vão despachar. É uma situação bem triste, porque deveria ser diferente. E recentemente, descobri que para elevar a renda desses professores é necessário fazer o ensino superior.

Acho justo, mas se eles não conseguem fazer nada com o salário como é que vão pagar a famosa universidade? Claro, que não vão continuar a estudar. Sabe-se que as nossas universidades saem bem caras para a maior parte dos bolsos, estamos numa altura em que estuda só quem pode, por aqui.

Lembro-me que quando fiz o ensino primário tínhamos diversas actividades na escola, todas elas eram de iniciativa do professor, nos últimos tempos os alunos vão a escola, mas não tem o acompanhamento directo do professor, por isso encontramos crianças com sete a oito anos que ainda nem sabem ler. Nós levávamos palmadinhas por não conhecer a tabuada, alfabeto e não saber juntar as palavras para conseguir ler.

Acredito que há mal nenhum em se pagar o salário razoável aos professores do ensino primário, sem contar com os incentivos, bónus que também deveriam receber.

Enfim, mais uma vez acho que falei de mais…

Kastelo Bravo hospitalizado em Johannesburg

Kastelo Bravo

O cantor moçambicano Kastelo bravo encontra-se internado numa clínica sul africana para tratar uma embolia pulmonar e uma costela deslocada, resultantes de um acidente de viação.

São desconhecido os detalhes, sabe-se apenas que o cantor encontra-se em estado delicado – o que levou a especulações nas redes sociais por parte do público e alguns artistas. Kastelo Bravo viajou para a terra do rand na companhia de um amigo.

Google Translate: O Salvador dos Cabuladores

O Google Translate, também conhecido por Google Tradutor é responsável pelas altas notas de muitos alunos moçambicanos, principalmente nas disciplinas de inglês e francês. Este artigo vai retirar aquela pulga atrás de orelha, que muitos professores têm depois de verem o seu aluno mais burro a tornar-se num génio da noite para o dia…

O que é o Google Translate?

Google Tradutor é um software online de tradução automática. Ele traduz desde palavras isoladas, frases, textos, páginas web até documentos inteiros em várias línguas. Eu lembro que quando comecei a usar o serviço em 2007, as traduções de frases e textos eram muito fracas, mas à medida que o tempo foi passando, o serviço evoluiu e hoje é possível traduzir textos com bem menos erros, porém ainda é necessário fazer revisões para deixar o texto com sentido. É uma boa opção para quem precisa fazer traduções rápidas apenas para entender alguma coisa escrita em outra língua.

A Salvador dos Cabuladores

Os jovens estudantes moçambicanos descobriram que o maravilhoso tradutor pode ser usado em qualquer lugar e a qualquer momento pelo celular, e o momento que eles escolherem é o dia dos testes. Quando o professor pede para fazer uma redacção em outra língua, basta escrever a redacção em português, que em menos de 2 segundos o tradutor trás o mesmo texto completamente traduzido. Mesmo que o texto esteja cheio de erros de concordância (afinal de contas foi traduzido por um software), o professor vai gostar do texto uma vez que vai parecer que o aluno fez tudo o que pôde para produzir o texto.

A tecnologia está aí para ser usada então é preciso que os professores comecem a ter em conta esse facto e criem formas de avaliação que bloqueiem estas coisas.

A Ma Paixão

Lembro que quando eu era mais novo, adorava viajar pelo sul do pais… com o meu pai, pois ele era, e continua sendo o meu herói! Nessas jornadas de pai e filho, eu conhecia os seus amigos, os seus métodos de trabalho e, novas paisagens, sotaques e sabores…

Apesar dos meus minúsculos anos de vida, eu conseguia notar a diferença entre o povo assim como similaridades. E eram sempre inéditas as nossas viagens, cada uma delas tinha uma lição de vida para me oferecer. E uma das que mais me marcou foi esta:

Estávamos na zona de Chicualacuala era Janeiro, e eu trazia comigo as sobras do fogo de artificio que comprara nas vésperas do final do ano. Bem, ter fogos de artificio – os ditos “paixões” – no bolso, alegra o coração de qualquer criança de 10, 9 … anos de idade. Comigo não foi diferente, estava entusiasmado para ver aquilo a rebentar e delirar-me com o barulho emitido…

Peguei nos meus paixões e tentei acende-los… mas fui interpelado por um amigo, colega e padrinho do meu pai que nos acompanhava na corrente sessão.

– Mersinho, o que é que estas a fazer?
– Quero acender paixão!
– Queres acender o que? Para quê?
– Quero acender paixão, é para “arrebentar”, anima…
E eu olhava para aqueles olhos e aquele sorriso que se expunha penosamente, perante a minha diminuta pessoa.
E ele lá continuava, mirando-me, até que resolveu falar…
– Mersinho, levanta-te…

Obedeci, sem nada compreender…

– Mersinho, estás a ver estas paredes… estás a ver aquele tanque de água ali, todo velho? Estás a ver aqueles velhos ao longe com uma catana e enxada nas mãos… indo trabalhar… estás a ver aqueles carros ardidos, que “já nem tem proveito”…
– Sim tio, estou a ver…
– Tudo aquilo, são efeitos da guerra… se estivéssemos em Maputo, poderias acender aos teus paixões e eu nem me iria preocupar mas, aqui? Bem sabes como isso faz barulho… isso poderia assustar a pessoas como aquele velho ali, com catana e enxada… ele iria se lembrar daquele carro ali, sem proveito… depois iria chorar só de ver estas paredes aqui… todas esburacadas… Sabes quem fez aquilo tudo?
– Não tio – respondi sem entender o motivo daquele sermão intenso…
– Foi a guerra Mersinho, foi a guerra… o barulho desses teus paixões iria trazer a guerra à memória de pessoas como aquele vovô ali… aquela gente já sofreu muito com a guerra, perdeu familiares e amigos com a guerra, as pessoas iriam pensar que as armas “acordaram”… então, gostarias de ver as pessoas tristes?
– Não tio, não, não gosto de ver ninguém triste…
– Isso, agora guarde isso, quando chegarmos a um lugar mais agitado, poderás acender aos teus paixões, até irei te ajudar…
Passou-me a mão pela cabeça enquanto sorria… e eu, resolvi perder-me entre os aposentos da imaginação..

No dia 25 de Junho, Moçambique e o seu povo celebraram o dia da Independência, oxalá que tenha sido do Rovuma ao Maputo… tomara que o barulho desses “paixões” que gritam e ecoam pelo centro do país, não matem e firam a ninguém… Pois o povo ainda está traumatizado, a guerra não beneficia a ninguém que a presencia… os verdadeiros “ganhadores” disso, estão noutro mundo, assistindo ao espectáculo dos gritos, tormentos, ranger dos dentes… com um saco de pipocas ao lado… deliciando-se do sofrimento alheio…

Que haja paz em Moçambique, hoje e sempre!

As Cantoras Mais Bonitas de Moçambique em 2013

As cantoras moçambicanas são todas bonitas, não temos dúvidas disso e nós queremos dar o devido valor a elas elegendo entre todas as nossas beldades, as 10 mais bonitas na opinião dos leitores do Moz Maníacos. Durante 30 dias nós deixamos disponível um formulário onde todos poderiam sugerir quem seria a cantora mais bonita do país, o resultado é o que temos o prazer de apresentar agora.

10. Lizha James

Lizha James
A Rainha do Ragga é a décima colocada e uma das poucas a aparecer em todas as edições do nosso Top anual.

9. Anita Macuácua

Anita Macuácua
A premiada cantora moçambicana estreia no Top 10 do Moz Maníacos na nona posição.

8. Tânia Tomé

Tânia Tomé
Tânia Tomé desfila a sua beleza pela primeira vez no Moz Maníacos, granjeando a oitava posição.

7. Liloca

Liloca
Liloca estreiou no nosso Top em 2011 em sétimo lugar. Não recebeu muitos votos em 2012 e voltou neste ano tomando de volta o seu lugar.

6. Iveth

Iveth
A rapper Iveth estava fora do Top 10 de 2012. E neste ano volta com melhor classificação.

5. Mimae

Mimae
Os nossos leitores mudaram de ideia e decidiram tirá-la da nona posição do ano passado para a quinta.

4. Noémia

Noémia
A nossa estrela em ascensão faz a sua estreia no nosso Top 10 numa posição interessante.

3. Dama do Bling

Dama do Bling
A intérprete de My Eish volta ao Top 10 depois de ter ficado de fora em 2012 e em oitavo lugar em 2011.

2. Júlia Duarte

Julia Duarte
Júlia Duarte ainda é a queridinha dos Moçambicanos, estando na mesma posição que ocupava em 2012.

1. Neyma

Neyma
A Cantora moçambicana Neyma Afredo mantém a preferência do público do Moz Maníacos e a coroa pelo terceiro ano consecutivo.

Fotos da Liloca

Galeria de fotos da cantora moçambicana Liloca.

Fotos da Liloca

Liloca

Liloca

Liloca Cantora

Liloca cantora

Liloca cantora

Liloca Japonesa

Liloca moçambique

dra. Liloca

Liloca Madade

Liloca Moz

Fotos da Liloca

Liloca

Liloca Moçambique

Liloca

As fotos originais e outras podem ser encontradas no  Instagram e no Blog da Liloca

Linkedin: O novo ponto de encontro dos profissionais moçambicanos

O Linkedin é uma rede social para profissionais e empresários, é o décimo quarto website mais visitado em moçambique – e não é para menos. Para além de oferecer a possibilidade de os utilizadores construírem perfis profissionais e criarem conexões entre si, o Linkedin possui uma secção especialmente virada a  oportunidades de emprego, o que simplifica muito a vida de todos e ainda serve como uma segunda opção ao Emprego Moz.

Em muitos países o Linkedin é muito usado para promover encontros e networking entre profissionais da mesma área. Curiosamente, embora seja promovido como uma importante ferramenta para a busca de emprego, apenas 12% dos entrevistados numa pesquisa disseram que já conseguiram uma entrevista através de uma conexão no LinkedIn e apenas 5% conseguiu emprego.

Linkedin em Moçambique

O Networking parece ser o objectivo principal dos utilizadores do LinkedIn, tanto em Moçambique quanto pelo resto do mundo. Já existe uma quantidade significativa de utlizadores moçambicanos, cuja maioria são empresas, talvés sinta-se um pouco abandonado no princípio, mas ao longo do tempo, à medida que for criando novas conexões, isso passa. Você não precisará de centenas de conexões como no Twitter para sentir-se bem. Eu pessoalmente uso o site menos de 3 vezes por semana, diferente do que acontece com as outras redes sociais como o Facebook, que fazem parte do dia à dia. Mesmo assim uma conta no LinkedIn é importantíssima para a sua marca pessoal

Clique aqui para criar a sua conta e conectar-se a mim no LinkedIn e juntos criarmos uma forte comunidade de utilizadores moçambicanos naquela rede social.

Espero por si!

Comemorando o dia da Independência em meio à Guerra

Estava eu a pensar no que poderia escrever para os leitores do Moz Maníacos nesta semana. Pensei, pensei e pensei… (costumam dizer que quando penso muito estrago tudo XD) até que concluí que queria falar do dia da independência e de algumas confusões que andam acontecendo por aqui. Eu não gosto nada de política, não me meto em política mas vamos lá falar do dia da independência e dos ataques que estão a acontecer na zona centro do país.

Passam exactamente 38 anos depois da independência, devíamos estar todos felizes, a comemorar a tão esperada expulsão dos colonos portugueses. Pronto, estamos livres e eis que inicia a guerra civil, mais conhecida por guerra dos 16 anos. Os que viveram essa guerra (mesmo eu que não vivi percebi que fez estragos de verdade), dizem que antes dela, o país já prosperava e demonstrava grandes sinais de desenvolvimento, mas a famosa guerra acabou com tudo.

Mais uma vez, os confrontos cessaram, vivemos “pendurados” por algum tempo, a maior parte do povo com menos de um dólar por dia. Mas, quando tudo parece que as feridas começavam a cicatrizar e o crescimento bate à porta – descobrem-se poços de petróleo, gás, carvão mineral e diversos recursos naturais… eis que surge a Renamo em forma de guerrilha a causar terror a tudo e todos.

Uma pergunta que surge em mim e noutros:

Nós (povo) temos algum grau de parentesco com os governantes contra quem lutam?

Vou justificar o porque da questão. É simples, até agora só estão a atacar pessoas inocentes, desde os militares até as pessoas particulares que passam por aquelas vias.

Vitima da Renamo
Vitima de Ataques

Querem fazer guerra? Ou dividir o país? Podem até estar descontentes, mas em momento algum se pode aceitar que pessoas inocentes morram sem necessidade. Que filhos fiquem sem pai ou mãe porque um grupo entendeu que devia ceifar a vida alguém. Que uma família fique sem meios de sustento porque alguém queimou o seu ganha-pão (carros, camiões, entre outros tipos de transportes).

Os jornais, a televisão, rádio, entre outros meios apontam para um número significativo de mortos e feridos e danos materiais avultados e cá para mim, não havia necessidade disso.

Está a acontecer um “diálogo” desde o final do ano passado, mas não se chegou a nenhum entendimento e dá a impressão de estarem a sabotar-se e enquanto isso, pessoas inocentes perdem vidas, diga-se mais uma vez, sem necessidade nenhuma. É uma daquelas situações que se poderíamos evitar.

Agora me ocorre mais duas perguntas.

O que vamos festejar no dia da independência?

Onde estão as pessoas que representam o povo a estas alturas?

Muito simples, sempre aparecem de longe a dizer que lamentam, que repudiam o que está a acontecer, mais nada. Tudo continua na mesma. Os guerrilheiros da Renamo vão actuando e nós estamos cada vez mais apavorados.

Devíamos estar radiantes pela comemoração dos 38 anos da independência. Era mais um ano rumo a tão esperada independência financeira (ou económica), mas não. Estamos a regredir mais uma vez. Será que não podemos sair dessa situação e ser como um povo normal? E, para os guerrilheiros da Renamo, por favor, procurem pessoas responsáveis pelo povo para atormentar e nos deixem viver (a nossa vidinha triste) mas em paz.

Acho que falei demais. Fui.

Guerra e Paz em Moçambique

O Romance da Lebre: 1º Ciclo

Sentados na lareira com o madala, vamos ouvir mais um conto que tem sido passado de geração em geração entre os rongas…

Um belo dia a Gazela veio visitar a Lebre a sua casa. A lebre disse-lhe: “Vamos divertir-nos um pouco.” Perguntou a Gazela: “E como nos divertiremos?” Ao que a lebre respondeu: “Vou-te mostrar.”

Foi buscar uma panela, colocou-a ao lume e a água começou a ferver. Então a lebre disse para a Gazela: “Entra lá dentro.” A Gazela respondeu: “Com certeza, mas entra tu primeiro!”

A Lebre entrou na água que já tinha esfriado. A gazela pôs a tampa na panela mas a água fazia ti-ti-ti (quer, dizer, estava absolutamente fria). A Senhora Lebre sentou-se comodamente e disse: “Agora destapa panela.” A Gazela tirou a tampa e a Lebre saiu e disse: “Agora é a tua vez, entra!”

A Gazela entrou. A Lebre tornou a tapar a panela e acendeu lume por baixo. A água começou a ferver. A infeliz gazela pôs-se a fazer muito barulho, a gritar muito alto. “É que”, disse-lhe a lebre ”quero ficar com os teus chifrezinhos, esses que tens na cabeça!” A Gazela morreu.

A Lebre pegou nos chifrezinhos, pôs-se a lavá-los, a poli-los, a encerá-los com gordura; depois pô-los ao sol. Feito isso foi regalar-se com a carne da gazela. Comeu-a toda, de tal modo que não sobrou nada.

Depois pegou numa esteira, estendeu-a no chão e colocou perto de si a sua provisão de gordura. Continuou a ensebar os chifrezinhos uma vez a outra, depois pôs-se a assoprar lá para dentro e a fazer pfongo- pfongo… pfongo- pfongo… pfongo- pfongo!…

Acorreram todos os animais do mato e perguntaram-lhe:

“Donde vem este som de corneta?”

“De casa dos corneteiros” disse a Lebre “ali em baixo na aldeia do chefe.” Eles precipitaram-se para a aldeia do chefe.

A lebre então começou novamente a tocar: pfongo- pfongo!… pfongo – pfongo!… pfongo – pfongo!…

Os animais regressaram e disseram:

“Então de onde vem este barulho?”

A lebre respondeu novamente:

“É la de baixo, da povoação do chefe. Eu também ouvi.”

Foram todos embora mas disseram ao hipopótamo:

“Tu, amigo, esconde-te ai; depois nas contas o que se passa.”

Ele escondeu-se realmente a lebre começou: pfongo- pfongo!… pfongo- pfongo!… pfongo- pfongo!…

“Ei”! Disse-lhe o hipopótamo “então tu é que andas a enganar os filhos do chefe! Vou-lhes dizer!”

“Não, não me denuncies” disse-lhe a Lebre. “Vou-te ensinar a tocar corneta.” E entregou-lhe os chifrezinhos.

O hipopótamo experimentou e fez; pff! Pff!…

A Lebre disse-lhe:

“ Vem cá que é para eu te tirar o beiço inferior. È comprido demais. Por isso não consegues tocar e cortou-lho.

O outro tornou a experimentar e fez: pff! Pff!…

“É o beiço de cima que é comprido demais” disse a Lebre, e cortou-lho. Então o Hipopótamo zangou-se e disse:

“É assim que tu me estropias todo, fingindo ensinar-me? Vou engolir a tua corneta.” E engoliu-a.

A Lebre disse-lhe:

“Hei-de te encontrar, uma vez que te cortei os beiços e os teus dentes brilham ao sol! Reconhecer-te-ei sem dificuldade!”

O Hipopótamo voltou para casa-

Então a Senhora Lebre foi preparar um arco e flechas. Esperou, esperou, esperou, para atirar sobre o Hipopótamo. A pomba viu-a a disse ao Hipopótamo: “gu! Gu! Olha que a Lebre quer te matar.” O Hipopótamo levantou-se e voltou para a água. A Lebre esperou, esperou, esperou, depois matou a pomba cujas pombas se espalharam pelo chão em todas as direcções. Pegou a ave, queimou-a, cozeu-a, moeu-a, misturou as cinzas com areia e depois esperou, esperou, esperou, aguardando a ocasião de atirar sobre o inimigo.

Nesta altura as penas da pomba gritaram: “Gu! Gu! A Lebre vai-te matar”. E o Hipopótamo voltou ao rio e lançou-se à água. A Lebre pegou nas penas, e, de regresso a casa, queimou-as, moeu-as e misturou-as com a terra. Depois pôs-se outra vez à espreita. Tinha ficado uma única pena e esta gritou: Gu! Gu! A Lebre vai-te matar”. A Lebre procurou esta pena por muito tempo; finalmente encontrou-a, voltou para casa, queimou-a, moeu-a e espalhou as cinzas pelo chão.

Esperou de novo e atirou a flexa sobre o Hipopótamo. Atirou uma segunda flecha e o Hipopótamo morreu.

Então cortou-lhe em bocados; abriu-lhe o corpo e tirou sua corneta que lavou, esfregou, encerou com gordura e expôs ao sol. Pôs a carne a cozer e voltou ao rio para lavar mais uma vez a corneta.

Quando voltou, uma parte da carne estava cozida. Pôs outra o espeto, depois voltou para o rio com a corneta, a faca e o machado.

Ora eis que chega a Civeta. Comeu a carne e, depois de ter executado certa função da natureza, partiu. A Lebre voltou. Lá de longe tapou o nariz; nem sequer se aproximou do lume pois viu que a carne tinha sido roubada. Percebeu logo pelo cheiro que tinha sido a Civeta que meteu o golpe. Por isso foi directo às árvores ocas habitadas pelas Civetas, das quais era senhora por ter as vencido em tempos na guerra. Eram em grande número, estas árvores ocas. Cumprimentou as Civetas dizendo: “Bom dia senhoras Civetas”.

Elas responderam: “Bom dia meu chefe!”

A Lebre chegou ao tronco da que lhe tinha roubado a carne e disse: “Bom dia, senhora Civeta! Comeste a minha carne! Vamos ajustar as contas”. A outra teve medo e escondeu-se no fundo do seu buraco. A Lebre pegou no machado e começou a cortar a árvore.

Quando o tronco caiu, a lebre arrancou capim e tapou as aberturas dos lados. Depois começou a fazer um buraco no meio, até ao canal interior. Deitou fogo à erva de ambos os lados; a árvore começou a arder. “Ndza fooh!” (estou a morrer), gritava a Civeta. A Lebre espera por ela, de machado no ar, na abertura do meio. Quando a Civeta quis sair a Lebre matou-a.

Depois disse para as outras Civetas: “Arranjem-me esta pele””. Elas obedeceram e deram-lha. Elas próprias comeram a carne da sua irmã.

A Lebre pegou na pele, na corneta, na faca e no machado. Caminhou durante muito tempo até chegar a um lugar onde havia muita gente. Disse-lhes: “Comprem a minha carne de Civeta”. Eles responderam: “Está bem” e ofereceram-lhe duas cabras. Ela concordou com a troca e foi dali beber cerveja. Bebeu muita, muita, o ponto de se embriagar. Então matou uma das cabras e comeu-a e depois matou outra e comeu-a também.

Passou-se muito tempo. Nessa altura a lebre decidiu começar a roubar.

Pegou na corneta, subiu a uma colina e gritou: “Ntê! Ntê! Ntê! O Exército vem aí…í…í…í! Fujam!” Imediatamente as mulheres que colhiam amendoim e feijões no campo fugiram, receando os guerreiros inimigos. Foram esconder-se no fundo do machongo. A Lebre desceu e roubou os amendoins e feijões. Arranjou mesmo uma reserva que guardou à parte.

Depois de comer tornou a gritar “Ntê! Ntê! Ntê! O Exército vem aí…í…í…í! Fujam!”. A Lebre tirou o que quis e fez nova provisão.

Então as pessoas começaram dizer: “A Lebre está-nos a enganar. Vamos buscar phati (goma preta)” Arranjaram muita, uma grande quantidade, depois dirigiram-se para o campo e fizeram uma boneca com mãos, pés, nariz, orelhas, olhos, cabelos, um manequim de mulher.

A Lebre recomeçou a gritar: “Ntê! Ntê! Ntê! O Exército vem aí…í…í…í! Fujam!” Elas fugiram. Aparece a Lebre. A figura de mulher tinha ficado. Quando a Lebre se aproximou gritou-lhe: “Sai daí mulher!” A mulher ficou calada e imóvel. A Lebre disse: “Sai daí senão bato-te!” Aproximou-se e deu-lhe um soco. O punho penetrou profundamente na goma e ficou preso. “Larga-me ou mato-te!” Gritou a Lebre. Depois bateu-lhe com outro punho que ficou também preso. Bateu com a perna, prendeu-se á goma… Bateu a outra, a mesma coisa! Então gritou; Morder-te-ei com os dentes!” Também por aí ficou presa e permaneceu suspensa no manequim, balouçando de um lado para o outro…

Nessa altura apareceram as mulheres que tinham feito a imagem e encontraram a Lebre naquela posição! Dizem-lhe: “Ah! Eras tu, Senhora Lebre, que nos enganavas!” “Libertem-me” respondeu ela. Amarraram-na dizendo: “Vamos-te matar.” “Oiçam, disse ela, não me matem aqui, em cima da terra. Matem-me nas costas do chefe.” Voltaram para a aldeia e puseram uma esteira no chão. O chefe deitou-se e a Lebre deitou-se sobre o seu dorso.

Um guerreiro muito forte pegou na azagaia e quis trespassar a Lebre. Mas esta deu um salto para o ar, para bem longe e escapou-se. E deste modo o guerreiro matou o chefe! E assim os membros da aldeia liquidaram aquele que tinha morto o chefe!

Desse modo termina o conto ronga contado por um madala em volta da fogueira, com a promessa de um segundo ciclo do romance da Lebre, que eu farei questão de trazer na próxima semana.

Até lá!

Os Mais Procurados de Moçambique em 2012

Mais Procurados de Moçambique em 2012

Mais Procurados de Moçambique?

Quem São?

Hey, calma! Este não é um artigo policial. É verdade que eu gostaria de poder publicar esse tipo de listas um dia, mas acho que ainda falta um pouco para a PRM atingir esse nível de organização. O nosso país está a crescer e certamente esse departamento vai aproveitar a boleia.

Esta lista apresenta as palavras mais pesquisadas no Google em Moçambique no geral, excluindo os termos genéricos (facebook, download, mocambique, moçambique, google, musica, gmail, maputo, fotos, africa), que ocupam a primeira e a décima posição nessa ordem. As pesquisas desta lista referem-se a termos que destacaram-se e foram tendências naquele ano.

Vamos à lista?

Mais Procurados de Moçambique em 2012

1. euro 2012

Parece que os moçambicanos gostam mesmo do futebol estrangeiro. O facto da liga europeia estar em primeiro lugar é uma prova disso.

2. whatsapp

Este é o aplicativo de chat mais popular do país, e já teve o privilégio de passar por aqui num artigo especial naquele ano. Reveja Whatssapp: Uma Moz Manía

3. beforward

Os carros importados do Japão dominam, e depois que os moçambicanos descobriram que poderiam adquirir carros directamente do Japão em apenas alguns cliques no site Be Foward, essa tendência atingiu estes níveis.

4. fecebook

O Facebook é a maior rede social do mundo, e em termos gerais é líder de pesquisas em Moçambique, mas não só foi a tendência número 4 do ano.

5. www

O termo www aparece nesta lista pelo simples facto da maioria dos moçambicanos ainda não ter muita prática com a internet. Tente lembrar, qual foi a primeira coisa que digitou quando abriu o seu navegador pela primeira vez?

6. rebeldes

É só olhar para as adolescentes para compreender porque a novela da Record está entre os mais procurados do ano de 2012.

7. waptrick

Waptrik é o maior site de móvel de downloads em vários países, eu lembro que este e o Google foram os primeiro websites que eu visitei pelo telemóvel.

8. waptrick.com

É apenas uma variação do termo. Algumas pessoas simplesmente não sabem que o Google não serve para digitar endereços web, ou mesmo sabendo, não sabem em que parte do navegador devem digitar o endereço.

Eu conheço algumas pessoas que têm o Google com Deus… várias pessoas chegam nos nossos sites pesquisando por termos como “Quero edital da UEM” ou “como resolver a questão 4 do exame de história da 12 classe de 2012” no nosso site Escola Moz.

9. messi

Messi aparece em número 9 no Ranking dos mais procurados? Parece que as pessoas já não gostam muito do Dominguez…

10. rick ross

O rapper moçambicano é ídolo de vários pivetes e os pivetes são os que mais navegam na internet neste país…

 

Este artigo foi para quem sempre teve a curiosidade de saber destas coisas. Próximo ano termos mais um Top 10!

Fotos de Paulina Chiziane

Paulina Chiziane ou “Poulli” é a nossa estrela de hoje… Sinto como se esta escritora tenha levado tempo demais para chegar ao nosso portal. Afinal de contas estamos a falar de um nome que já entrou para a história da literatura moçambicana. Até quem não gosta muito de ler, já ficou tentado a viajar pelas tramas hilariantes que as pessoas tanto falam.

A escrita de Chiziane tem sido muitas vezes definida como política e feminista. Para Paulina, a escrita é uma missão. É uma maneira de expressar as dificuldades que as mulheres encontram quando confrontadas com a heterogeneidade das tradições culturais moçambicanas e os sistemas legais e administrativos recém-desenvolvidos. A escrita de Chiziane aborda muito as diferenças regionais em aspectos culturais e políticas das relações de género. Recentemente Paulina fugiu um pouco do género que a tornou célebre ao publicar uma espécie de autobiografia, com enfoque a um momento da sua vida em que enfrentava dificuldades.

Este não é um artigo bibliográfico sobre a escritora, por isso vamos parar por aqui e o nosso discurso continuará em forma de fotos tiradas aos longos dos anos, em vários cantos do mundo, o que mostra o quão querida é a nossa escritora nos quatro cantos do mundo.

Galeria de Fotos de Paulina Chiziane

 Fotos de Paulina Chiziane

Paulina Chiziane sorrindo

Paulina Chiziane escritora

Paulina Chiziane moçambicana

Paulina Chiziane romancista

Poulli

Fotos de Paulina Chiziane

Paulina Chiziane livro

Chiziane

Paulina Chiziane livro

Paulina

Esta é a nossa homenagem a esta mulher que tem dado um enorme contributo à literatura moçambicana, são muitos os jovens escritores que se espelham na mamá Chiziane,  em nome da dos amantes da Cultura Moçambicana, esta foi a forma que encontramos de dizer Obrigado! 

Créditos e Agradecimentos das fotos:

Otávio Sousa, Cronopios, Rafael Medeiros, Exclusiva!BR, Luzerner Zeitung, Revista Macau, Tv Camaguey, Ponto Final Macau, A Verdade Brasil

Calções de Capulana

Calções de Capulana são apenas mais uma das várias coisas que nós podemos fazer com este precioso tecido moçambicano, aliás, roupa é apenas uma das várias coisas que podemos fazer com a capulana, nós já mostramos vários modelos belíssimos de vestidos feitos de capulana, mostramos calças feitas de capulana e recentemente publicamos uma galeria de fotos com camisas feitas de capulana, que podem lhe dar um pouco de inspiração na hora de vestir à maneira moçambicana.

Continuando a nossa viagem pelo mundo da moda com a capulana, nós preparamos alguns modelos interessantes de calções feitos de capulana (shorts), tanto para mulheres  quanto para homens, infelizmente desta vez não poderei dizer que são ideais para todas as ocasiões :-D, mas tenho a certeza que vai encontrar um que faça o seu estilo e que dê para usar à vontade.

Calções de Capulana Para Homens

Quando eu nasci, não era muito comum ver mulheres usando calções, o que me fez ter certeza que esse tipo de vestuário foi feito apenas para os homens, os temos mudaram e eu já não penso assim, mas vamos respeitar a cronologia da moda e vamos começar mostrando alguns modelos interessantes de calções de capulana para homens.

Calções de Capulana

Shorts de capulana para homens - Verde e fogo

Calções de Capulana para homens - clássicos

Shorts de capulana para homens - modernos

Calções de Capulana para homens - amarelos

Calções de Capulana Para Mulheres

Enquanto que os modelos para os homens não têm muitas variações notáveis, modelos de shorts para as mulheres variam e cada uma agrada a um certo tipo de mulheres. Por saber que mulheres de todo o mundo verão esta apresentação, eu trouxe uma variedade de shorts para poder atingir a maioria. Eu tenho dúvidas de que sairá daqui sem um modelo preferido!

São 10 fotos seleccionadas a pensar nas mais ousadas, mais dois dos modelos vão cair nas graças das discretas :-).

Calções de Capulana Para Mulheres

Calções de Capulana Para Mulheres amerelos

Calções de Capulana Para Mulheres discretos

Shorts de capulana

Shorts de capulana para mulheres

Shorts de capulana para mulheres - conjunto azul

Shortinhos de capulana

Shortinhos de capulana para mulheres

Shortinhos de capulana curtos

Shortinhos de capulana azuis

 

É verdade que eu separei os calções para homens e mulheres, mas está evidente de que há alguns modelos que ficam muito bem em qualquer sexo, que isso fique a critério do seu bom gosto.

Meus amigos Moz Maníacos, a minha apresentação termina aqui, estaremos juntos em breve para mais uma sugestão de moda moçambicana. Não se atreva a sair daqui sem deixar um comentário! :-D

 

Créditos das Imagens:

Cia Afrique, Dupsies, Etsy, Face 2 Face Africa, Fashion Bomb Daily, Fashion Istactivista, Muloves Fashion, One Nigerian Boy, Polyvore, The Fader e US Trendy.

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