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Pessoas caladas têm muito barulho em sua cabeça

Numa época não remota, na capital do império médio […], o jovem escrevedor poliu as lentes de seus óculos e pôs-se muito bem sentado diante de uma folha branca do engenho de dactilografar. Depois estalou os dedos como um saltimbanco que se estica, passou a língua sobre os lábios e, imprevistamente, milhares de vozes começaram a guerrear dentro da sua cabeça, vozes de pessoas, crianças, mendigos, astronautas, de mulheres que catam amêijoas; vozes de animais, pedras, cactos, de quadros fantasmagóricos suspensos; vozes de vida e morte, de anjos e demónios. Era sempre assim, a sua cabeça era uma incalculável anarquia, cada ser murmurava o que lhe dava na cachimónia, vezes tinha que parecia um bazar, com aquelas patroas que não conseguem amparar a língua, o dedo ou os olhos; outras vezes era uma assembleia, com coelhos e chicos-espertos, elefantes dorminhões, rinocerontes pançudos e hienas com assaltos de risotas; trincheiras, fundo-do-mar, paragem de transporte público em hora-de-ponta, espaço, imensidão sideral, aí as vozes planavam em silêncio, áfonas, gritavam em escuridão, eram leves, levitam, apócrifas.

E o jovem escrevedor ficou só, com os ouvidos abertos, escutava àquela zurrapa, sem identidade, sem opinião, as vozes fluíam com mais vida do que a sua própria vida, parecia encantamento, ele era tantos, tantos outros dentro de si, não tinha rótulo, e pessoa tão calada que era, quem o visse certamente não diria que ele tinha muito barulho em sua cabeça. Suspirou um longo trago, pousou os dedos no teclado e escreveu: “Os livros…”! […] Pausa! Outra! Outra pausa longa! Silêncio, o mais profundo silêncio cantava-lhe em silêncio. As vozes, aquelas vozes malditas, já não conversavam, nem sequer uma, e o escrevedor quis olhar para a sua cara estúpida, e sentiu um baque no estômago, vibrante, uma fome de ansiedade… Ah!, agora estava só, era só ele, ele só, sozinho e mais ninguém, chupou os dentes, parecia um rato, apagou as palavras que escrevera. “Hoje estou sem inspiração”, ouviu alguém assobiar ao seu ouvido. “Não!”, disse ele, “… Um copo de água já me aviva as ideias.” Mas não avivou, o escrevedor exasperou-se consigo mesmo, nem sequer um haicai, três simples versos de menos de vinte sílabas!, que desperdício de criatividade.

Naquele dia o escrevedor de destinos jurou que não valia o título que carregava, e todos aqueles súbditos e residentes do jardim imperial que o consideravam nobre, génio que rimava às almas dos fracos, que escarnecia dos altivos senhores da corte, que tinha a paixão na veia em vez de sangue. O escrevedor estava determinado, deixaria tudo, o que conquistara até àquele momento, a sua modesta multidão de apreciadores, os anos perdidos em estudos, mas, de que lhe valia aquilo se não tivesse uma musa? O jovem escrevedor sorriu, pensou na mulher que admirava com cuidado, com muito afecto, como pudera esquecer… As vozes, ele ouvia-as novamente, falavam dentro dele. Escolheu uma voz, ouviu-a: “Somos tantos que o meu nome é Legião” – escreveu.

(Obs: A epígrafe desse texto é da autoria de Ângela Scarlette, com a devida vénia.)

Consequências das Chuvas em Moçambique (A Mesma Desgraça de Sempre)

Sempre que chove em Moçambique, sobretudo em algumas zonas bem localizadas, o cenário se repete. Cá para mim, existe um pouco de descaso, porque já aconteceu uma, duas vezes não há necessidade de termos sempre os mesmos problemas. Basta chover, pronto! Algum canto deste vasto Moçambique pára, porque simplesmente as vias ficam intransitáveis, algumas infraestruturas submersas, machambas totalmente devastadas e por ai em diante. Anualmente levamos sustos enormes resultantes das calamidades naturais, nomeadamente, chuvas, ciclones, em alguns casos a experiência poderia nos salavar. As imagens abaixo vão clarear o que estou a tentar dizer…

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Fotos da Dama do Bling

Galeria de fotos da cantora moçambicana Dama do Bling.

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Arsenio Henriques Vs Mc Roger – Final Round

Um leitor do Moz Maníacos que gosta de aumentar lenha na fogueira enviou-nos este vídeo super interessante, da tão comentada entrevista ao MC Roger feita pelo jornalista Arsénio Henriques, alvo de muitas piadas e memes na internet. Os internautas classificaram a entrevista como uma disputa pessoal entre os dois apresentadores e para quem assistiu ficou claro o clima de guerra entre os dois apresentadores. Este vídeo vai ajudar-nos (e muito) a compreender melhor o que houve naquele dia.

Você verá abaixo um trecho da entrevista que foi censurada pela STV, mas que acabou vazando na internet e foi parar nas nossas mãos e agora nas suas…

Um esclarecimento sobre a suposta traição da Lizha James

Nos últimos dias tem circulado uma mensagem nas redes sociais e nas correntes de email sobre uma suposta confissão da Lizha James sobre a paternidade de seu filho e blablabla. É mais um esforço dos desocupados de criar barulho e acabar com a credibilidade alheia. Antes de continuar vejamos a mensagem que anda por aí há meses:

A verdade que todos já sabíamos…
Essas cantoras so nos decepcionam Liza James e Bang deram uma entrevista a MOZ CELEB no ultimo sábado e eles confirmaram k a filha da liza james o pai biologico nao é o bang mas sim Ayuba Coroneia nao disseram isso antes pra nao ferir aos seus fans mas pela pressao do publico e boatos que nos ultimos dias existiam eles foram obrigados a confeçar a verdade e pedem desculpas ao fans e ao publico em geral e liza prometeu fazer uma musica falando sobre esse acontecido…………….

so Cantoras de Moçambique mesmo pra fazerem coisas de vergonha estou decepcionado com ela minha paixao pelas musicas dela ja nao é a mesma……………..tsk

Nós não fazemos especulações, não apresentamos artigos sem evidências claras e ainda escrevemos muito bem, por isso quem lê o nossos blogs com frequência sabe que é impossível que uma coisa dessas tenha sido escrita por nós. O casal nunca confirmou isso, então não há por que dar crédito.

Decidimos deixar esta nota, porque a dita mensagem apresenta em anexo uma foto do casamento da Lizha James publicada no nosso site, que possui uma marca d’água com a assinatura da comunidade Moz Maníacos, o que faz com que muitos associem essa maluquice ao nosso website.

O Moz Maníacos através do site Música Moz promove a música e os cantores moçambicanos, é extremamente aborrecido quando nesse esforço a nossa imagem e credibilidade são usadas e associadas a fofocas de fundo de quintal.

Espalhem esta mensagem e ajudem-nos a limpar esta sujeira.

A Literatura Jovem em Moçambique

Já há algum tempo que venho reflectindo sobre o actual estado da literatura juvenil em Moçambique, nessa terra tão bela quanto polémica. Sendo eu um jovem escritor, aflige-me bastante o que tenho visto e reparado. É algo que tem passado despercebido aos olhos de muitos. O que tem estado a acontecer neste ramo é o seguinte: Somos muito poucos, os jovens escritores que lutamos para se fazer presentes no panorama da nossa arte literária, isso para não falar (ainda) no simples desleixo que a maioria dos jovens tem pela literatura. Sinto que teremos de reintroduzir na nossa sociedade o hábito da leitura e inspirar a escrita, ou corremos o risco de marcar futuras gerações com a nossa fraca presença ou mesmo ausência nesse meio.

Se não vejamos: Até hoje, ainda nos contentamos com a herança que a geração 25 de Junho deixou e continua deixando. Desculpem-me ao ser tão directo  mas é a verdade e para poupar palavras darei exemplos: Até hoje ainda nos guiamos por obras do José Craverinha, Paulina Chiziane, Mia Couto, Noémia de Sousa, Rui de Noronha, Marcelino dos Santos, Ungulane Bah Ka Cossa … entre outros, que muito antes da ansiada independência, lutaram com o que tinham em mão para alcançar a tão esperada paz que hoje em dia desfrutamos. Tratava-se de uma luta psicológica com o antigo sistema. Surgiu a explosão da arte literária em Moçambique, nos bairros sub-urbanos da capital, pelos distritos e províncias. Com a inspiração movida pela fé, compunham poemas e crónicas… desestabilizando psicologicamente o nosso inimigo na altura. Narravam o dia a dia do povo e inteligentemente perspectivavam o futuro que é o nosso presente. Resultado do tal esforço, até hoje nos orgulhamos das obras de arte que estes magnifico escritores compuseram e nada ou pouco fazemos para “provar ao futuro” que fomos inspirados pelos mesmos. Sinto que somos a juventude mais banal de todos os tempos! Apelo aos meus colegas, jovens escritores e os demais, mais união e cooperação, para que possa haver uma mudança radical da nossa literatura. Proponho que passemos a criar obras que tenham mais a ver com o que temos vivido actualmente no seio da nossa sociedade, que é bastante carecida de educação cívica! Hoje em dia o nosso povo desfruta da paz, mas ainda existem inimigos no nosso seio. Falo das drogas, do álcool, da prostituição, do racismo, tráfico de menores, corrupção… estas minas que têm explodido diariamente, deixando vários dos nossos irmãos desgraçados, enquanto nós permanecemos relaxados, desfrutando da nossa “herança” e fingindo que nada disso existe!

Verdades em forma de obras de arte, são um dos meios mais viáveis para levar vários jovens e os demais, à reflexão e mudança de atitude. Afinal de contas qual é o papel do escritor na sociedade? Não basta descrever as alegrias e tristezas que são abundantes no nosso meio. Temos de ser mais interventivos e didácticos, dando assim o nosso contributo para a existência de um meio mais são. Apenas questionar-mo-nos porque poucos jovens têm o hábito de leitura, não irá trazer os demais até aos nossos textos, devemos nos adaptar ao ritmo dos passos da sociedade! Vamos deixar os nossos irmãos mais novos perdidos na ilusão do Peter Pan, acreditando que serão flores para sempre? Porque não criar contos infantis apresentando-os à realidade da forma mais doce e verdadeira, preparando-os para a vida adulta que é tão conturbada? Costuma dizer-se “ De pequenino, se torce o pepino”, eu creio, e defendo isso!

Trabalhemos todos juntos, para que as gerações futuras carreguem uma recordação benigna, da nossa. Sejamos inconformistas com o estado actual da nossa sociedade, sejamos mais participativos e contribuintes para a resolução dos problemas que afectam a mesma. Pois Moçambique precisa do nosso apoio, Moçambique precisa de acções  ”idênticas” às que os nossos pais tiveram, pois, só assim poderemos vencer as mazelas existentes no nosso meio e inspirar positivamente as flores de hoje que serão os homens e escritores do amanhã.

Fotos da Portagem de Maputo (Filas Infinitas)

Até onde sei no próximo dia 1 de Abril, dia da mentira, vão aumentar o preço da portagem, no lugar dos actuais vinte meticais que os automobilistas pagavam por viagem passarão a desembolsar 25 meticais. Uns dizem que em sinal de protesto sempre que passarem por lá vão buzinar, outros só reclamam mas os donos dizem que é resultado de terem ficando cerca de cinco anos com a mesma tarifa.

Cá entre nós, se agravassem os preços e o tráfego fluísse e as estradas estivessem em boas condições não havia muitos problemas, acredito que os automobilistas reclamavam mas entenderiam a situação. Mas a cena que ocorre naquelas bandas nas horas de ponta é bem triste. São filas super longas de carros e mais carros a tentar passar por ali.

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Marllen vai ser mãe

A cantora moçambicana Marllen está grávida do seu primeiro filho com o também cantor Tutto do grupo Sofresh, segundo uma publicação feita pelo casal no Facebook.

O anuncio foi feito com entusiasmo e foi recebido com felicitações dos fãs do jovem casal.

Marllen também conhecida como Preta Negra, está prestes a entrar para o clube das jovens cantoras e mães onde já estão suas ex-companheiras da Bang Entertainment a Lizha James e Dama do Bling.

Uma espécie de mapa para a felicidade

Um copo de vinho que fecunda as flores. Bebo só, sem nenhum amigo por perto. Ergo o meu copo e salvo a lua, cinzenta, quase magenta, cortejo ainda a minha silhueta, ela não fica de fora, é uma festa de três. A lua não bebe e a minha sombra limita-se a reproduzir os meus movimentos, mas por um momento considero-os o que não objectivamente são, e respiro a primavera, sorrindo à sombra, acenando à lua, afinando um passo de dança. Estou sóbrio, estamos todos felizes, bêbados, a cada gole, uma deixa, essa minha amizade louca comigo mesmo.

Rarefaço-me desse momento de hedonismo, esse prazer decadente não me consola; 28 de Março, uma sequência de números que traduzem algo, hoje é o meu dia de anos. Nem nada, só os famosos poemas de aniversário. O Vinícius: “Passem-se dias, horas, meses, anos/ Amadureçam as ilusões da vida/ Prossiga ela sempre dividida/ Entre compensações e desenganos.” O Pessoa: “Somam-se-me dias./ Serei velho quando o for./ Mais nada./ Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…” O Drummond: “O meu significado/ Da palavra aniversário. […]/ Espécie de relicário,/ Dos versos que eu escrevi,/ Com todo amor, e não li,/ Durante o ano passado.” E logo o Quintana que me faz, sonâmbulo, atravessar O deserto sem nenhuma bebida gaseificada no bolso: “Idades só há duas: ou se está vivo ou morto.”

Uma espécie de mapa para a felicidade

Nada inova o estado configurado do meu espírito, mas apraz-me desligar o silêncio, desligar a escuridão e acender as tomadas das coisas que não gostaria de esquecer. No fundo da casa, um homem embriaga os copos com um uísque forte, sinto-o como se não fosse uma pessoa real, movida pelas minhas palavras, pelo meu último grito inteiro, não, não apócrifo “let my people go”, qualquer coisa como toneladas de elefantes sobre os meus ombros. Des-solteirarei os meus sonhos, brevemente, com realizações como gozos na cara da utopia.

A festa sente uma melancolia palpitante e os meus ouvidos pontapeiam o altifalante, ou vice-versa, mas nada me resta desse enlace, desconvido-me prontamente. E a ideia nutre-me um aperto no peito, “O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa”. Hoje é o meu aniversário, mãe!, o que a senhora tem para mim? Acha-me crescido em suficiência? Será que ainda pesam os meus actos sobre os seus ternos olhos? Eu possuo cada vez mais livre-arbítrio, e isso faz-me mal: transformei-me num incorrigível perguntador, pergunto sobre a dor e o amor, sobre o santo e o mal, sobre a meta-ética cristã.

Terei que lutar pela minha própria família, e sinto no riso, no brilho cicatrizado dos meus olhos, um cuspo pesado que incomoda engolir. Esses anos não impedirão a minha mente de vaguear, eu serei sempre assim, colado à minha inconsciência responsável. Agora o som está mais forte, as luzes giram e noto que a lua me deixou, só esses astros luminosos, que não me fazem sentir nada. Agora sinto que não quero sentir mais nada, nada mesmo, quero apenas etilizar-me de liberdade, libertinar-me. Amanhã desembrulharei o meu presente de aniversário: espero que seja uma espécie de mapa para a felicidade.

Uma viagem pelo Mercado da Malanga

Hoje resolve levar os leitores do Moz Maniacos em uma viagem bem interessante pelas artérias da cidade de Maputo. Vão conhecer o Mercado Malanga (O original, não o do Zimpeto), um dos mais conhecidos e antigos por aqui. Actualmente, existem uns tantos mas houve tempos em que era o principal mercado que se dedicava a venda a grosso de diversos produtos. É um lugar cheio de história onde sempre há alguma coisa incomum acontecendo.

À primeira vista pode aparecer a seguinte pergunta: o que tem de especial nesse Mercado? Respondo: a moldura humana que passa por aqui diariamente seria difícil de contabilizar e são milhares de famílias que ganham o seu sustento aqui através do exercício de diversas actividades. Uns vendem produtos frescos, roupas, comidas, água e por ai em diante. E aqui não falta trabalho.

As fotos falam melhor do que eu, então vamos a elas…

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Os Pestinhas e o Ladrão de Brinquedos

O cinema moçambicano pode começar a preparar-se para receber mais uma obra super interessante e diferente do habitual.  Os Pestinhas e o Ladrão de brinquedos é um filme curta metragem em 3D produzido pela FX, previsto para estrear em breve a nível nacional e internacional.

Sinopse

Quando um dos “filhos” dos Pestinhas Lili, Minhoca e ZéGordo é roubado/sequestrado pelo ladrão da zona, cabe a estes recuperar o mesmo, até que a certo ponto se apercebem que afinal este ladrão tem outros brinquedos com planos de “re-vender”… Os Pestinhas e o Ladrão de Brinquedos, é um filme animado, educativo, que retrata de forma indirecta o rapto de menores.

Trailer:

Os Cantores Moçambicanos com Mais Fãs no Facebook

É complicado medir a popularidade dos artistas moçambicanos usando apenas o Facebook como critério, uma vez que nem todos os artistas possuem páginas oficiais naquela rede social.

Mas dos que já estão lá, quem é o mais popular?

Essa é a dúvida que pretendemos esclarecer no nosso top 10 de hoje. Vasculhamos em todo o Facebook e fizemos esta lista que sinceramente não é nada surpreendente.

Este artigo foi publicado no dia 19 de Março de 2013 (estes dados mudam a cada minuto), nesse dia os artistas possuíam os seguintes números…

1 – G2

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O cantor moçambicano de R&B G2 lidera com mais de 54000 fãs

 

2 – Neyma

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Uma das divas da marrabenta conta com cerca de 23000

 

3 – Dama do Bling

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A Dama do Bling possui quase 21000 fãs no Facebook

 

4 – Lizha James

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Lizha James segue com mais de 20000 fãs

 

5 – Puto Júnior

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Puto Júnior conquistou mais de 16000 “likes” na Facebook

Um Motivo Para Não Ficar Embriagado

Se você acha que ficar com o bolso vazio é a única consequência negativa da bebedeira, você está enganado… Um moçambicano inventou um novo motivo para que controle suas noites nos copos.

Eu não sei como ele actuava exactamente mas só esta imagem já é assustadora :-D. Tente lembrar daquela mulher desconhecida que esteve contigo à noite toda e depois desapareceu do nada… talvez tenha sido este jovem rapaz…

Definitivamente as pessoas estão a levar muito à sério esta coisa de empreendedorismo…

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Aprenda a Bloquear Convites Para Eventos no Facebook

Todos nós sabemos que os moçambicanos invadiram o Facebook e pode-se dizer que a maioria das pessoas com acesso à internet, possui uma conta no Facebook. É aí onde começa o problema…

Existem vários recursos interessantes naquela rede social, inclusive existe um sector no Moz Maníacos que trabalha apenas com o Facebook, porém o mau uso deste recursos por parte de algumas pessoas acaba gerando situações de spam.

Uma das formas mais irritantes de spam no Facebook são os convites para eventos. Além de meterem uns nervos, quase 100% dos convites de eventos do Facebook são inúteis. Já que não podemos obrigar as pessoas a pararem de enviar convites sem nos conhecerem, vamos bloqueá-las!

Para a nossa alegria, o Facebook criou uma forma simples de resolver esse problema. Partindo do facto de que a maior parte dos convites são enviados pelas mesmas pessoas,você pode escolher simplesmente bloquear todos os convites de um determinado amigo. Vamos aos passos?

 

1 –  Vá para as suas Configurações de privacidade.

 

 

 

2 – Seleccione o separador “Bloqueio” (5)

 

 

3 – Vá a bloquear convites para eventos e digite o nome do DJ que sempre te convida à suas festas :-D.

 

4 – Tá Feito.

Como é possível ver, existem outras opções de bloqueio nessa área, então aproveite e bloqueei todas as pessoas que te importunam – elas nunca vão saber que estão bloqueadas, excepto se usar a opção Bloquear usuários.

O Pequeno Engraxador

E andava o pequeno engraxador, portando a sua caixa de trabalho, nas esquinas que variavam, e famoso se fazia. Pois a cada par de sapatos engraxado, um provérbio oferecia.

crash, crash, crash…
“Unga ti bele ngoma hi wena weshe” (não te elogies)
Crash, Crash, Crash…
“Água Mole pedra dura…”
Crash, crash, crash…
“Nunca cuspas no prato em que comeste”

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De 1 a 30/31 desempenhava o seu ofício, leccionava entre as ruas, fazendo sorrir os sapatos do povo. Certo dia ouviu-o o Doutor, e no dia seguinte o engenheiro… passado algum tempo estava na boca do “mundo inteiro”… Até que um dourado Felizardo, acabou por lhe perguntar: como seria possível um petiz que nunca fora aprendiz de letrado algum renomado, ser mais carismático com pinta intelectual, que muito engravatado “diplomado”?

O pequeno engraxador sorriu, e de pronto respondeu:

– “Os certificados e diplomas comprovam, mas as ruas põem-te à prova”
Calou-se o Engenheiro, admirou-se o Doutor… e lá continuou, o pequeno engraxador…
Crash, crash, crash…

Empregado também é gente

Por esses dias ando bem inspirada para defender os fracos, ou fortes, dependendo do ponto de vista. Vou começar por fazer uma perguntinha bem básica: o que seria de  Moçambique (ou outro país qualquer) se fosse habitado apenas por doutores de diversas áreas, engenheiros, ou seja de gente de classe media-alta.

Será que encontraram a cerne da questão? Vou traduzir em outras palavras, num belo dia peguei em mim a pensar em como maltratamos (quase todos fazem isso) os trabalhadores que dão “no duro” para fazer dos patrões o que eles são. É que imaginem numa família onde a esposa e o marido trabalham, os filhos acordam de manhã vão a escola e só voltam no fim do dia. A casa no mínimo seria uma bagunça autêntica e a família uma lástima. O que tenho notado é que dificilmente se dá a devida atenção aos empregados domésticos. Quase sempre são maltratados e insultados porque foram pedir emprego e os donos da casa acham que estão a fazer um grande favor.

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A verdade é que não é bem assim. Os dois saem a ganhar. Um porque tem a casa e a família limpa e organizada e a outra parte porque tem contra-partida que é o salário. Digo mais: os patrões sempre deveriam pautar por tratar bem os seus empregados, faxineiros e por ai em diante.

É simples: se eles não tratam bem, aquele grupo pode optar por vários meios para se vingar dos maus tratos e com os “bosses” nunca estão em casa para ver o que fazer tem toda prerrogativa de fazer e desfazer à vontade. Podem, inclusive, deixar o jantar bem gostoso, enquanto “maltrataram” os alimentos e não há como provar.

Tenho acompanhado situações diversas e muitas vezes penosas que envolvem patrões e, sobretudo, empregadas domésticas. Realmente existem algumas empregadas que exageram como foi o caso de uma que transmitiu HIV/SIDA para o filho dos patrões por amamentar o menino sabendo que está doente, mas porque levava o leite dele para casa para dar o filho, pois ela não tinha condições para comprar. Ela agiu de má fé.

Sempre que ando nos transportes semi-colectivos de passageiros oiço histórias que envolvem patrões versus empregada doméstica. A mais recente que me deixou boca-aberta foi de uma empregada que conversava com a outra a lhe contar novidades, vou reproduzir na íntegra a conversa:

“A patroa vai viajar por uma semana e eu vou ficar em casa dela e dormir na mesma cama que e com o patrão. Em casa, vou dizer ao meu marido que vou viajar com a patroa assim poderei ficar a vontade durante a semana e viver numa boa. Mas também, aquela senhora é uma cobra. Só sabe reclamar. Vou aproveitar e ficar no lugar dela e quero ver a cara dela quando ela regressar de viagem”.

Eu, pessoalmente, fiquei pasma com tamanha franqueza e “descarradisse”. Fiquei a imaginar no dia em que tiver marido e viajar em missão de serviço, deixar a minha família nas mãos da empregada. Opa, tá-se mal.

Nisto tudo, existe um senão. Caso os patrões tratem os empregados com respeito que eles merecem, ocorre uma coisa bem interessante, é simples, os empregados são os primeiros a ter vergonha de fazer qualquer coisa que seja contra os patrões por saber que estes os tratam super bem.
Por outro lado, encontramos mais grupos vulneráveis como são os casos dos comerciantes, pedreiros, pintores, electricistas, cobradores de chapa, canalizadores, “mukheristas” e por ai em diante.

Me imagino num cenário em que todos nós somos advogados, jornalistas, engenheiros, ministros, entre outros, o que seria de um país sem aquelas profissões que todos nós não queremos fazer? Todos desprezam, falam mal e olham para quem faz como se lhe faltasse alguma coisa.
São profissões de extrema importância, no entanto, nós desprezamos. Tratamos as pessoas que fazem como se fosse um favor e ainda submetemos a elas a cada tipo de horror mas porque não podem deixar de fazer porque precisam de dinheiro se submetem.

Agora, vamos tentar imaginar um cenário contrário. Há um tratamento mútuo de ambas as partes, sem insultos nem fofocas assim que o outro vira de costas, se soubéssemos agradecer pelos serviços prestados….viveríamos mais tranquilos em relação a detalhes que parecem tão pequenos e insignificantes mas que, na verdade, fazem toda diferença no nosso quotidiano.

Minha Infância e as Línguas Moçambicanas

Minha Infância e as Línguas Moçambicanas

Eramos três irmãos, nascidos na localidade de Nyakwaheni em Inharrime. Devido a guerra civil refugiamo-nos num subúrbio da cidade de Inhambane há 4Km do centro da cidade. O nosso pai sempre insistiu-nos que falássemos Cicopi, a língua materna moçambicana. Aprendemos a falar português na escola, na rua e no campo de futebol com meninos da nossa idade. Neste ambiente aprendemos também a falar Gitonga e Citshwa. Eramos a única família que falava Cicopi na zona. Na rua os outros meninos gozavam-nos dizendo:

– Vacopi comem xifototo “uma espécie de cobra”! Não sabem falar Português! Vieram de wucopi, lá no mato!

Era um bolling de meninos. Tristes relatávamos tudo ao papá e ele dizia-nos:

– Meus filhos, nós somos vacopi até a morte. Todos os nossos antepassados o foram como vocês. Não se deixem enganar. Aqui na cidade viemos para ganhar a vida e por causa da guerra e não para nos assimilarmos ao Português e a vida da cidade. Quando acabar a guerra, regressaremos a nossa terra natal.

Nós não entendíamos o que nosso pai nos transmitia. Queríamos falar Português para ser como os outros meninos da cidade e da zona que só falavam Português quando brincassem. Queríamos ter amigos que falassem Português e até ser como eles. Ser como eles porque tinham sapatos, brinquedos, bola, roupa da mala, lanche e que os seus pais lhes falavam em Português. De tanto nos sentirmos inferiores a eles, lhes chamávamos de “silungwana” que significa “branquinhos”, mas eram negros como nós. O que nos diferenciava deles é que eles eram meninos bem cuidados, comiam três refeições ao dia e até levavam à rua, depois do matabicho, o seu pão com manteiga, jamu ou ovo para nós cobiçarmos e lhes pedir um bocado. Ai estamos fritos. Eles nos aproveitavam para nos fazer castigos como se fossemos coitados a troca de um bocadinho do seu pão. Mandavam-nos fazer corridas ou aceitar uma boa chapada na cara em troca do bocado de pão. Nos consideravam gente inferior, baixa, do campo, pobres, famintos, que limpam dentes com mulala, pálidos, sem camisa e de calções ou furados ou rasgados nas nádegas ou no meio. Era normal vestir calções de remendos, meter os livros escolares num plástico e ir à escola primária pé descalço.

Nós eramos exclusivos na zona. Chegamos a pensar que o papá não gostasse de nós de tanto sermos os mais pobres da zona. Enquanto eles assistiam TV-video nas suas casas de madeira e zinco electrificadas, nós tomávamos o único banho do dia, esperávamos que o papá chegasse do serviço para jantarmos e ouvirmos a rádio emissora de Inhambane através do Silver (marca de rádio) caso as pilhas tivesse carga. Se não tivessem carga recolhíamos para dormir.

Todos dormíamos na mesma cabana/barraca de “makuti” palha de coqueiro. O nosso pai à noite de xiphefu, exigia-nos que relatássemos tudo que fizemos durante o dia e a seguir contava-nos “matimu ya vacopi” histórias da nossa cultura Copi. Ensinávamos o grau de parentesco da nossa larga família, falava-nos dos nomes de todos os familiares (maternos e paternos) desde o quadra-avó até à nossa geração. Eramos bons ao dominar nomes e as relações de parentesco. Eram personagens algumas falecidas, outras desaparecidas e muitas em vida. Contava-nos a nossa origem como família desde a guerra de Ngungunyani até à nossa geração. Explicava-nos o significado dos nossos nomes tradicionais e do nosso apelido. Narrava-nos contos tradicionais, tithetheka e as vezes tixovo. Eramos alegria do papá, mas a desgraça da zona.

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Nos feriados (7 de abril, 1 de maio, 1 de junho, 25 de junho, 25 de setembro) planificávamos ir à Praça dos Heróis e depois aproveitar para dar um passeio pela cidade para ver carros, brancos e seus filhos branquinhos, ver montras das lojas de coisas bonitas que o papá não conseguia nos comprar.

Todos os meninos da zona arrumavam-se com roupas da mala. Juntavam-se em grupos e cada um exibia a qualidade da sua calça, peúga, camisa e até do lanche preparado pelos pais. Nessa altura nós assistíamos tudo de boca-aberta de tanto cobiçar o quão bonito estavam. Dentro dos nossos coraçoes dizíamos:

– Que me dera se eu também estivesse bem vestido e com o pé no sapato.

Quando chegássemos perto deles para ouvir algo algum elogio a nosso favor já que também estávamos grifados ao último grito era uma lástima. Todos punham-se a rir. Nós eramos a sua graça, mas também um problema por resolver logo ai, antes que partíssemos a cidade. O problema é que não tínhamos roupa da mala e nem sapatos como eles. Vestiámos calamidade que papá recebia do tio Gyamba dos INGC. Neste dia de passeio estávamos grifados de nossos fatinhos (balalaica e calças azul) manda-fazer que a tia Methi nos ofereceu quando passamos de classe. Como eramos três, constituíamos uma tripla e nos auto-apelidávamos por Três Putinhos Chineses (Akhu, Axawu e Xaling) que na altura alegram até aos adultos. Trazíamos nosso lanche num cartucho de papel caqui. Era a mandioca cozida, farinha tapioca “rala” que poupávamos no matabicho e um coco. Era isto que iriamos comer como lanche na cidade. Nestas condições ninguém queria andar connosco de entre os meninos da zona. Ninguém queria andar connosco por que: estávamos mal vestidos, descalços e ainda mais, o nosso lanche não era pão com jamu, manteiga, ovo frito e sumo loumar. Alguns meninos com sentimento diziam:

– Vocês isso é pecado, vamos com eles.

Os mais espertinhos e por sinal os mais bem vestidos diziam:

– Haaa… vocês! É para andarmos com pessoas que vêm do campo? Macopis? Nem Português sabem falar. Esses vão nos envergonhar na cidade. Se vocês querem ir com eles vão de outro caminho sozinhos.

Infelizmente, os poucos que nos queriam ajudar juntavam-se aos outros bem vestidos e se iam. Nós esperávamos uns 10min e em cicopi comentamos:

– He mano, valekeni vatsula. Hinahoka ngu timbi tindzila didhoropani “Meus, deixemo-los partir. Iremos de outros caminhos e chegaremos à cidade”.

Dito e feito, partíamos mas usávamos caminhos corta-mato porque já tínhamos medo que eles pensassem que estamos a segui-los e mais, tínhamos vergonha de andar na cidade onde há muitos meninos estão melhor vestidos que nós.

Chegamos à Praça do Heróis e assistiámos a banda militar a cantar Viva viva a Frelimo, Guia do Povo Moçambicano… e nós acompanhávamos sussurrando pois só dominávamos a parte do coro: Viva viva a Frelimo. Depois fomos assistir as danças tradicionais em Gitonga e a OJM a cantar em Português. Mostrávamo-nos emocionados e então comentávamos as nossas alegrias e admirações em Cicopi em voz alta como manda a nossa cultura. Os outros meninos olhavam-nos surpreendidos e com desprezo de cima para baixo e de baixo para cima e depois, em coro diziam:

– São meninos da rua. Tinyolwene, Tinyolwene, Tinyolwene! Era o outro bolling, desta vez na cidade!

Não eramos meninos da rua nem Tinyolwane, mas sim meninos diferentes dos outros que desde a sua infância colocaram os pés junto à razão, à etnia, à pertença, ao passado, à língua materna e cultura moçambicana para resistir à assimilação ao Português ou à perca da identidade moçambicana. Hoje que somos crescidos sentimos que não queríamos fugir à nossa realidade cultural e linguística.

Na nossa infância houve muitos meninos que foram vítimas da aculturação e que hoje não sabem donde vieram, não conhecem nenhuma língua moçambicana ou se conhecem apenas dizem que “Meu pai é Makonde e minha mãe é Mandau” ou se conhecem provavelmente querem ser aqueles “branquinhos” negros da minha infância. Não sei se será devido à vergonha que os meninos da minha infância tinham contra nós, não sei se é por excessiva aculturação ou assimilação ou não sei se é uma questão do tempo que um dia regressarão às raízes nas quais lhes chamam em línguas moçambicanas:

– Filhos voltem a casa! Há espaço e comida para todos!

Felicitações a todos os meninos que cresceram e preservaram as línguas moçambicanas e que hoje as falam sem vergonha, as escrevem na internet e que as transmitem aos seus filhos!

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