A gravidez é uma fase cheia de emoções. Há a alegria de sentir o bebé crescer, preparar as roupinhas, imaginar o rosto da criança e contar os dias para o nascimento. Mas também é um período em que o corpo da mulher passa por muitas mudanças e precisa de acompanhamento cuidadoso.
Entre as complicações que exigem maior atenção está a pré-eclâmpsia, uma condição que pode surgir durante a gravidez e que, quando não identificada e acompanhada a tempo, pode colocar em risco a saúde da mãe e do bebé.
Muitas mulheres nunca ouviram falar desta doença até receberem o diagnóstico durante uma consulta. Outras só conhecem alguém que passou por esta situação. Por isso, falar sobre pré-eclâmpsia é uma forma de informar e proteger.
Em Moçambique, onde muitas grávidas ainda enfrentam dificuldades para realizar consultas pré-natais regulares, conhecer os sinais de alerta pode fazer uma grande diferença. Às vezes, o corpo dá pequenos avisos antes de uma situação mais grave acontecer.
A pré-eclâmpsia surge geralmente depois da 20.ª semana de gravidez e caracteriza-se principalmente pelo aumento da pressão arterial associado a alterações no funcionamento de alguns órgãos, como rins e fígado.
Um dos sinais mais conhecidos é a presença de proteínas na urina, mas a doença pode apresentar outros sintomas que nunca devem ser ignorados.
O que é a pré-eclâmpsia e porque acontece?

A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez relacionada com alterações nos vasos sanguíneos da placenta. No início da gestação, a placenta precisa desenvolver uma rede de vasos eficiente para garantir que o bebé recebe oxigénio e nutrientes suficientes.
Quando esse desenvolvimento não acontece correctamente, o fluxo de sangue entre a mãe e o bebé pode ficar prejudicado. Como resposta, o organismo materno pode desencadear alterações que levam ao aumento da pressão arterial e ao sofrimento de alguns órgãos.
A ciência ainda não conhece completamente todas as causas da pré-eclâmpsia, mas sabe-se que alguns factores aumentam a probabilidade de uma mulher desenvolver esta condição.
É importante lembrar: ter um factor de risco não significa que a mulher terá obrigatoriamente pré-eclâmpsia. Significa apenas que deve ter um acompanhamento mais atento.
1. Sinais de alerta da pré-eclâmpsia: Quando procurar ajuda?

Um dos maiores desafios da pré-eclâmpsia é que, no início, ela pode não causar sintomas evidentes. É por isso que todas as consultas pré-natais são importantes: medir a pressão arterial e fazer exames permite detectar alterações antes que se tornem perigosas.
No entanto, existem sinais que merecem atenção imediata.
Inchaço súbito no rosto, mãos e olhos
Durante a gravidez é comum existir algum inchaço nas pernas, principalmente no final do dia. Mas quando o inchaço aparece de forma repentina, principalmente no rosto, ao redor dos olhos ou nas mãos, pode ser um sinal de alerta.
Aquela sensação de acordar e perceber que os anéis ficaram apertados de um dia para o outro ou que o rosto parece mais inchado do que o habitual deve ser comunicada ao profissional de saúde.
Dores de cabeça fortes e persistentes
Uma dor de cabeça ocasional pode acontecer durante a gravidez. Contudo, uma dor intensa, frequente e que não melhora com medidas habituais merece avaliação.
Principalmente quando aparece acompanhada de outros sintomas, como alterações na visão ou pressão arterial elevada.
Alterações na visão
A visão pode dar sinais importantes quando existe pré-eclâmpsia. Algumas mulheres relatam:
- Visão turva;
- Pontos pretos ou manchas a flutuar;
- Clarões ou flashes de luz;
- Sensibilidade exagerada à luz.
Não ignore estes sintomas pensando que são apenas “cansaço da gravidez”. Os olhos podem estar a mostrar que algo precisa de atenção.
Dor na parte superior direita da barriga
Uma dor localizada na parte superior direita do abdómen, logo abaixo das costelas, pode indicar que o fígado está a ser afectado.
Este tipo de dor deve ser comunicado rapidamente, principalmente se vier acompanhado de náuseas, vómitos ou mal-estar intenso.
Aumento rápido de peso
Durante a gravidez é normal ganhar peso, afinal existe um bebé a crescer dentro da barriga. Mas um aumento muito rápido em poucos dias pode estar relacionado com retenção de líquidos.
Um ganho de aproximadamente 1 a 2 quilos numa semana sem explicação deve ser avaliado pelo médico ou enfermeira responsável pelo acompanhamento pré-natal.
2. Quem tem maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia?

Algumas mulheres apresentam maior probabilidade de desenvolver pré-eclâmpsia devido ao seu histórico de saúde ou características da gravidez.
Principais factores de risco:
- Primeira gravidez: mulheres na primeira gestação podem apresentar maior risco.
- Histórico familiar: ter mãe ou irmã que teve pré-eclâmpsia pode aumentar a atenção necessária.
- Hipertensão arterial: mulheres que já tinham pressão alta antes da gravidez precisam de acompanhamento especial.
- Doenças renais ou diabetes: algumas condições anteriores podem aumentar o risco.
- Gravidez múltipla: esperar gémeos ou mais bebés aumenta a exigência sobre o organismo.
- Idade materna: adolescentes muito jovens ou mulheres acima dos 35 anos podem apresentar maior risco.
- Obesidade antes da gravidez: pode estar associada a maior probabilidade da doença.
Mesmo assim, é importante reforçar: mulheres sem nenhum destes factores também podem desenvolver pré-eclâmpsia. Por isso, todas as grávidas devem fazer acompanhamento regular.

























