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G PRO lança “foreva”

O conceituado grupo moçambicano de rap GPRO anunciou na quarta-feira última, em Maputo, o lançamento do seu mais recente álbum “Foreva” que acontecerá no próximo dia 30, no Jardim dos Madjermans, no centro da cidade.

Para além da assinatura de autógrafos, o CD da GPRO, composto por 14 faixas musicais conta com participações de vários outros músicos famosos como Muzila, Dj Tafinha, Nelson Nhachungue, Cláudio Ismael, entre outros, estará à venda ao público, a preços bastante acessíveis.

O lançamento do novo disco da GPRO que se notabilizou no mercado da música nacional no ano 2000 com o tema “O País da Marrabenta”, conta com o alto patrocínio da maior operadora de telefonia móvel mcel.

Para Zófimo Muiuane, representante da mcel, o grupo GPRO, pelo que tem vindo a produzir, encontra-se num patamar bastante elevado, “por essa razão, naquilo que é a diversidade do seu compromisso com o desenvolvimento da cultura, a mcel abraçou a esta iniciativa”, disse.

Por seu turno, Duas Caras, um dos elementos do grupo, que agradeceu o incondicional apoio da operadora da cultura moçambicana, afirmou que o novo álbum, para além de ter a vertente da crítica social, traz uma fusão de instrumentais mais balançados diferente do rap habitual.

“Neste álbum, procuramos aliar o útil ao agradável” disse Duas Caras, acrescentando que a produção do álbum “Foreva” durou cerca de um ano e nove meses.

Colecção Primavera-Verão de Taibo Bacar

Taibo Bacar apresentou semanas atrás a sua linda e sofisticada colecção Primavera-Verão para 2014. É autêntico festival de gramour e requinte. São peças lindas e variadas em cores e em estilo. Confira a galeria de fotos!

Visite o website do Taibo para contacto, encomendas e outros em taibobacar.com.

Mulher vai vestida de noiva para o casamento do amante e deu no que deu

O que era para ser o dia mais especial de um casal na cidade de Shenzhen, na China, terminou em confusão entre a noiva e a amante do noivo. Grávida, a amante foi vestida de noiva até a cerimonia do casamento e vocês podem imaginar o que aconteceu depois nê? Veja o vídeo:

Dama do Bling a Caminho do Channel O Music Awards

Dama do Bling volta ao Channel O Music Awards, com vídeo da música My Eish para concorrer ao prémio de Melhor Vídeo da África Austral e para fazer a entrega do prémio de Melhor Vídeo de Dancehall. A cantora disputa o prémio com os músicos Oskido e o tema Tsa Mandebele Kids, Black Coffe e o tema Take It All, Paul G e o tema Get Control, DJ Dimplez e a faixa We Aint Living e Khuli Chana com a música Hazzadaz Move.

A interprete de “Me Luv It” já esteve no evento em 2007, onde foi nomeada em quatro categorias (Melhor Artista Feminina,Vídeo do Ano, Melhor Director de Vídeo, Melhor Vídeo da África Austral) tendo vencido dois deles (sombreados) e em 2010 onde recebeu uma nomeação.

O Channel O Music Video Awards, também conhecido como Spirit of África Music Video Awards iniciou em 2003 sob o nome de Reel Video Music Awards. Desde 2005, os prêmios têm sido realizados anualmente. Os vencedores são escolhidos pelos telespectadores do canal Channel O em todo o continente.

Esta é a segunda vez que a faixa My Eish é nomeada para um evento internacional, tendo já passado pelo Nigeria Music Video Awards

2 Caras em Momento Épico do Rap Moz

O rapper moçambicano Duas Caras foi um dos convidados da edição de 26.10.2007 do programa Mais Jovem, onde muita coisa aconteceu… Este vídeo esclarece muitas dúvidas…

Fred Jossias com duas – Noites de Maputo

Fred Jossias nas Noites de Maputo
Fred Jossias no Festival do Pandza

Fred Jossias "Dançando"

Moçambique: Quando Diremos Basta?

As fotos são um retrato da situação plangente de Moçambique, que sirvam para despertar a todos para o tempo de mudança. Até quando seremos escravos na nossa própria terra?

Educação

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Meio Ambiente e Infra-estruturas

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Saúde

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Segurança

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Cultura

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Quando Diremos Basta?

O drama do recém-formado

Sou Estudante: conhecedor de teorias, cheio de ideologias, e sonho Grande. Fui motivo de decepções (elogios) para alguns docentes, pois nos testes não os dava muito para corrigir. Depois da academia veio a Graduação, e agora sou dr.. Com um Diploma reluzente na mão, de Custo Familiar passeo para uma Fonte de Rendimentos do Agregado – agora devo contribuir.

– É o nosso dr.! – dizem eles, felizes e ávidos pela minha contribuição. Até os meus familiares distantes, a sociedade, todos contam comigo.

Sou o primeiro dr. da família, então já imaginam. As economias das vendas da Mamã no “Dumbanengue” e o “Xitique”, proporcionaram-me uma festa de arromba-pacata, alusivo à minha graduação.

– E agora? E o emprego? – pergunto-me! Toda louça emprestada à festa foi devolvida. E, as semanas passaram…

O Diploma, num local privilegiado da parede (ao lado de uma foto do casamento dos velhos), recorda-me que tenho que ter um emprego, penso: mas como um emprego, pois sou empreendedor!? – aprendi isso na Universidade –, embora que tudo “simulado”, e nada “prático”. Sei como fazer, mas nunca fiz. A minha missão é: transformar tudo em riqueza, o meu “Plano de Negócio” é a minha garantia – mas a Banca exige garantia real. Não tenho os Business Angles, não conheço a porta de Cavalo, nem sei onde o Cabrito come amarado!

Alto ai:

– “Não somos de uma fábrica de Títulos” – diziam eles, eu ouvia.

Assumo e grito com orgulho:

– Lá não somos formados, formamo-nos! – isso quando estudante. A casa é Magna, a Universidade é um Primogénito, então cuidado! Mas isso fazia muito mais sentido na Academia, mas saí de lá para a realidade do Mercado Agressivo. E as oportunidades: elas não vêem; tentei criá-las. Mas, para teres uma vaga e te encaixares, há muito por detrás: pagas, concorres (tens que ter a informação, ela existe, mas onde?), deves ter cunha, deves “tomar banho e falar com o vovô”, ou estar no local certo e apresentar as competências exigidas, mas aceitando a exploração requerida – cada um com seu método, até que podem ser combinados (Eclectismo).

Felizmente, hoje o dia sorriu, depois da n-ésima entrevista, apresento-me bem indumentarizado. A Vaga é para Assistente no Departamento do Gestor de Recursos Humanos de uma Joint-venture ou um Megaprojecto, não sei ao certo. Estudei Gestão e Liderança (vantagem), nenhuma experiencia profissional é requerida, (outra vantagem). Quando me questionam acerca das minhas experiências gerais, deixo escapar que tive 18 Valores de média nessa cadeira, e tenho experiência na leitura do Chiavenato, Maximiano, Souza e outros, assumo que estou preparado.

– Filho conseguiu? – perguntou-me a Mamã toda zelosa, e viu a resposta a cair dos meus ombros…

Logo me vejo no auge, afinal tive boas notas na formação, posso ser Docente universitário, tantos são, eu sou bom. Há muitas fábricas de títulos por ai. Merda, 2015, “Maldito Decreto”! Na minha escola já nem querem saber de nós, como docentes: são Políticas e Políticas são para Políticos. Como poderei Mestrar, se não consigo apenas as minhas necessidades básicas sanar?

Sou mais assíduo aos Jornais, aos Bares e aos períodos de frustração, pois não é fácil – já teria o dito. Agora já nem penso apenas em vagas para Licenciados, tenho que trabalhar, esse é o foco. Afinal, deve-se começar de algum sítio, e dai progredir. E neste momento estou lendo um anúncio de uma vaga em que precisa-se de um Indivíduo com 12ª classe, lá vou eu (…), pois antes começar do zero, que nunca começar!

Analisando as causas das escaramuças da Munhava

O Jornalista Gustavo Mavie fez uma análise sobre os  tumultos ocorridos no bairro da Munhava, durante o comício do MDM e do seu candidato à presidência do município da Beira, onde segundo o Canal Moz e o @Verdade a Força de Intervenção Rápida teria sabotado o evento com gás lacrimogéneo e outros actos de violência contra os militantes.

tumulto

Por Gustavo Mavie para o Jornal Notícias ed. de 19.11.2013

Nos países onde os direitos e a privacidade dos outros são respeitados, a semelhança da Inglaterra onde vivi algum tempo, se alguém tem vizinhos muito próximos e quer fazer uma festa é imperioso que comunique à Polícia.

Mais importante ainda, tem que pedir autorização aos seus vizinhos e, mesmo assim, a festa não pode exceder a hora previamente acordada.

Infelizmente, entre nós, talvez porque começamos a trilhar o caminho que leva ao civismo muito tarde demais, fazemos festas barulhentas pelas noites adentro, sem termos pedido aos nossos vizinhos que, até podem estar a padecer de doenças delicadas e sensíveis ao ruído, como é o caso da hipertensão.

Há quem diga que somos assim, porque a maioria de nós ainda não assimilou as boas práticas urbanas, razão pela qual até urinamos em tudo o que é sítio.

Talvez porque só começamos a trilhar os tais caminhos do civismo em 1975, quando fomos libertados do diabólico colonialismo pela mesma Frelimo que, hoje, alguns odeiam com uma intensidade que nunca chegaram a odiar aqueles que nos dizimavam com as armas do apartheid, no caso vertente a Renamo, e alguns dos que agora nadam nas águas do MDM que, na óptica de alguns, é a Renamo apenas com outra roupagem.

Toda esta referência à imperiosidade de se pedir aos vizinhos antes de se fazer uma festa capaz de prejudicar o seu descanso, vem a propósito do showmício que o MDM, do Daviz Simango, realizou na “Varanda da Frelimo”, segundo as palavras de um colega da Beira que assistiu aos confrontos da Munhava.

Ele considera o local onde o MDM fez o seu showmício de “Varanda da Frelimo”, porque dista cerca de 200 a 300 metros da Sede da Frelimo, o que para ele é algo muito estranho e suspeito, porque era suposto que o MDM tivesse calculado à prior que, sendo um momento de campanha, a própria Frelimo precisaria dessa sua varanda para acomodar milhares de seus militantes e apoiantes que, obviamente, não podiam caber dentro do edifício da sua sede.

Aliás, pelos relatos que tive a oportunidade de acompanhar através da imprensa e de alguns colegas que estiveram a cobrir a campanha da Frelimo e do MDM, tudo começou quando a caravana da Frelimo estava a regressar de mais um giro pela cidade.
Ao tentar passar entre os participantes ao showmício do MDM para chegar à sua sede, a caravana da Frelimo deparou-se com a oposição de alguns dos simpatizantes do partido do Daviz Simango que participavam no showmício.

Para mim, é algo que não se pode explicar com simples palavras, quando se procura saber como é que a liderança do MDM decidiu organizar o seu showmício nas proximidades da Sede da Frelimo, de quem essa mesma liderança do MDM encara não como adversário político mas sim como inimiga, daí que, desta vez, uma das acusações que voltou a fazer o próprio Daviz, foi de que os incidentes de sábado último na Munhava, tinham como principal objectivo assassiná-lo.

Será que o MDM não tinha outro lugar melhor na cidade da Beira para fazer o seu showmicio, a não ser nas proximidades do seu adversário político, aliás, inimigo?

Como é que o Daviz esperava que a Frelimo fosse dar à sua sede, se a sua varanda estava ocupada pelos seus shomicistas? Será que o Daviz Simango haveria de considerar normal se a Frelimo fosse fazer o seu showmicio na sua varanda ou mesmo nas imediações da sua sede?

Pior que tudo isto, como é que o MDM haveria de encarar esta decisão se ocorresse num dia em que o próprio MDM estivesse no último dia de uma campanha eleitoral como foi o caso da Frelimo, em que a sua sede na Munhava estava a conhecer um movimento desusado dos seus próprios membros, devido à campanha que estava a levar a cabo?
Não acha mesmo que a escolha do local pode ser vista como uma armadilha que visava o que acabou acontecendo? E que agora o Daviz está a expor a toda a força e a todo o mundo como mais uma prova de que a Frelimo é mesmo contra o MDM?

Mas se já sabe que a Frelimo é sua inimiga número 1 como o diz a todo o momento sem prová-lo convincentemente, porque é que não evita estar onde está e pior que isso, vai onde está? Não terá urdido e aplicado aqui, neste caso da Munhava, a estratégia do antigo político e multimilionário nigeriano, Moshodu Abiola, de que quando se quer beijar uma mulher, há que se estar próximo dela, do mesmo modo que para se bater a um homem, há que se estar próximo dele? Não terá sido para bater a Frelimo que o levou a organizar o seu showmicio na sua varanda?

Levanto esta hipótese, porque não vejo porque é que foi fazer o seu showmicio nas proximidades da sede de um partido que mesmo que esteja untado pelo perfume mais bem odoroso do mundo, lhe enjoa! Ou era para mostrar à Frelimo que todos os beirenses estão morrendo de amores por si e pelo seu MDM. Mas se era esta a intenção, nos dias em que estamos, não precisava de ir mostrar in loco, porque as mágicas TV´s, agora com os plasmas, até se vê melhor em tempo real o que acontece pelo país e mundo fora, independentemente da nossa localização, e em melhores condições que algumas pessoas que até estão no terreno.

Na verdade, para nós que como jornalistas temos a obrigação de acompanhar o que vai acontecendo como o que o MDM vai fazendo, o caso Munhava é apenas a repetição, com outras vestes de uma velha estratégia de urdir esquemas que possam induzir as pessoas menos informadas a acreditarem que a Frelimo é sempre o mau da fita.

O mesmo aconteceu nas eleições gerais de 2004, quando o MDM tentou culpar a Comissão Nacional de Eleições (CNE) de tê-lo excluído deliberadamente de sete dos 11 círculos eleitorais existentes em Moçambique.

Como sempre, alegaram que a sua exclusão teria sido urdida pela Frelimo, porque sabia que se concorressem em todas as províncias, o MDM iria ganhar em todas. Só que isso não era verdade porque apesar de o próprio Daviz Simango ter concorrido como candidato a Presidência da República teve de se conformar com o terceiro lugar, tendo Dhlakama caído no segundo e Guebuza no primeiro, com uma maioria esmagadora de 75 por cento dos votos validos.

Foi graças aos factos que nos foram providenciados pela CNE na altura, que ficamos a saber que o verdadeiro culpado dessa exclusão do MDM era a própria liderança daquele partido, que submeteu parte mínima dos processos referentes à inscrição dos seus candidatos às Assembleias Provinciais no último dia do prazo estabelecido e, pior que isso, quando faltavam apenas 15 minutos do término do horário de expediente.

Mesmo assim foi gritando aos quatro ventos que havia sido excluída deliberadamente a mando da Frelimo, porque temia a vitória do MDM. E veja que fez esta acusação apesar de que a própria liderança do MDM havia escrito uma carta à CNE, em que pedia encarecidamente a esta, que aceitasse receber à posterior, os processos que não havia submetido dentro do prazo.

Isto é grave quando se recorre a mentiras e acusações contra inocentes. É o que me parece que o MDM está a repetir no Caso Munhava, onde foi bloquear a “Varanda da Frelimo”, para criar condições de choques entre militantes de ambos os partidos e daí acusar a Frelimo de ser contra o seu partido.

Noites de Maputo: Liloca

A protagonista deste episódio da série Noites de Maputo do MMO é a cantora moçambicana Liloca, fazendo sua apresentação no Festival do Pandza…

Liloca no Festival do Pandza (Foto: Capela)

Liloca dançando

Liloca Rebolando

Carta aberta ao Ministro da Saúde de Moçambique

Exmo Senhor Ministro da Saúde da República de Moçambique,

Somos um grupo de trabalhadores do Sistema Nacional de Saúde (SNS), representando os órgãos centrais, Direcções Provinciais, Direcções Distritais e Unidades Sanitárias. Dirigimo-nos a vossa excelência porque ao nível dos nossos sectores não temos tido respostas às nossas inquietações.

Excelência, a gestão dos Sistemas de Informação para a Saúde (SIS) em Moçambique e das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) que os suportam está a cargo da Moasis, ONG registada em Moçambique e afiliada a Universidade Eduardo Mondlane.

A Moasis, dirigida pelo Sr. Alexandre Campione a partir da Cidade do Cabo (África do Sul), assinou há 5 anos um memorando do entendimento com o MISAU com o objectivo de melhorar a situação de saúde da população moçambicana, a partir da disponibilização de informações atempadas e fiáveis para a tomada de decisão. Importa realçar que o Sr. Alexandre Campione foi assessor para a área de Sistemas de Informação para a Saúde no MISAU. Aliás, todos os quadros séniores desta ONG trabalharam durante largos anos no SNS, como quadros seniores ou assessores.

O que é a Moasis? (http://www.moasis.org.mz/) Criada em Setembro de 2008, a Moasis é um Living Lab e organização de pesquisa sem fins lucrativos afiliado a Universidade Eduardo Mondlane e apoiada directamente pela Jembi Health Systems sediada na Cidade do Cabo (África do Sul).

A MOASIS é especializada na área de Sistemas de Informação para Saúde (SIS), normas e padrões de e-Health e tem como objectivos principais apoiar e fortalecer a área de Sistema de Informação para Saúde (SIS) e e-Health nos sectores privado, público e académico bem como de apoiar as acções de doadores na área do SIS e e-Health em Moçambique actuando como mediador independente e imparcial. O MOASIS é financiado pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), World Health Organization (WHO), Twinning Center, Rockefeller Foundation, International Development Research Centre (IDRC), Health Informatics Public Private Partnership (HI-PPP) e fundos centrais da Jembi HS. Quais são as nossas inquietações?

1) Sistemas para a monitoria da mortalidade e da morbilidade hospitalar do país são geridos e alojados pelo Moasis (fora do SNS) e sem o envolvimento dos técnicos do SNS Excelência, tudo quem tem a ver com os sistemas de mortalidade e morbilidade hospitalar só é do domínio do Moasis, nós os técnicos do SNS estamos completamente excluídos. Isso tudo acontece com a permissão dos nossos chefes / directores.

Excelência, neste momento está a ser desenvolvido o nosso sistema de monitoria e avaliação (SIS-MA) e nós os técnicos do SNS estamos completamente a margem deste processo. De novo esta organização está a frente de todo o processo, assumindo os papeis mais importantes para continuar a mandar em tudo.

2) Dados do SNS não fiáveis o que acarreta decisões erradas e perda de confiança por parte dos utentes e parceiros de cooperação. O sistema de rotina de recolha e processamento de dados do MISAU (Módulo Básico) não nos dá confiança nehuma. Apresenta, para os mesmos dados, relatórios totalmente diferentes. Essa situação piorou quando a Moasis assumiu o Módulo Básico passando a programar novas fichas e relatórios. Excelência, todos os resultados produzidos a partir do Módulo Básico deste que o Moasis se tornou dona dos SIS e TIC no SNS não reflectem a realidade do estado de saúde de Moçambique. Dados de muitos relatórios são inventados para mostrar bons serviços aos doadores.

3) Marginalização dos RH do SNS com o objectivo de enfraquecer o SNS e continuar a beneficiar de ganhos (financiamentos de doadores). Recentemente, alguns de nós foram transferidos da Direcção Nacional de Planificação e Cooperação (DPC) por criticarem como alguns departamentos / sectores são geridos. As nossas preocupações que já são do conhecimento dos nossos chefes / directores mas que continuam sem solução tem a ver com:

· Contínua degradação da qualidade das informações usadas para a tomada de decisões no SNS;

· Exclusão dos técnicos do Misau na gestão do dia a dia dos aplicativos em funcionamento nas províncias, distritos e hospitais;

· Exclusão dos técnicos do Misau nas capacitações internas e externas;

· Exclusão dos técnicos do Misau nas missões de manutenção ou supervisão nos níveis provincial, distrital e unidades sanitárias. Em suma, a Moasis tem autonomia total para colher, processar e disseminar os dados de saúde em Moçambique.

Excelência, as informações que usa para a tomada de decisões sobre o estado de saúde em Moçambique são produzidas a partir de dados errados, seja por erros no preenchimento

Excelência, as informações que usa para a tomada de decisões sobre o estado de saúde em Moçambique são produzidas a partir de dados errados, seja por erros no preenchimento ou por erros de programação do aplicativo Módulo Básico (também gerido e implementado pelo Moasis).

4) Concorrência desleal por parte da Moasis A Moasis age como árbitro e jogador: em muitos casoss aparece como desenvolvedor e implementador de sistemas de informação para a saúde. Em outros casos aparece com representante do MISAU, promovendo concursos públicos, entrevistando os candidatos e celebrando contratos. Excelência, a gestão e implementação de aplicativos como Sistema de Informação de Saúde para a gestão Hospitalar (conhecido por SIS – H e desenvolvido pela Pandora Box) e Módulo Básico (desenvolvido por um consultor afeto a DPC) para não citar outros tantos, foi transferida do MISAU para a Moasis. Atualmente a Moasis é responsável por todas as decisões (estratégicas e operacionais) sobre os SIS e TIC a todos os níveis (central, provincial, distrital e US).

5) Sobrefaturação de atividades por parte da Moasis Nos casos em que é o Moasis a gerir os contratos, como angariadora de fundos, ela especula os preços dos aplicativos ou atividades. Outra forma usada para saquear o dinheiro dos parceiros de cooperação, é planificando atividades (formações, viagens e perdiems) incluindo os técnicos do Misau que são excluídos no momento de execução dessas atividades / formações.

Para atingir os seus objectivos, o Moasis oferece prendas, salários, viagens e até mesmo emprego a alguns familiares de pessoas importantes do SNS. Excelência, isso cria descontentamento e desmotivação entre nós os técnicos do Misau, que ficamos sem trabalho, sem formação e sem nenhuma perspectiva de vida. Pedimos a intervenção de sua excelência para parar com os desmandos promovidos pela Moasis aqui no Misau sob o risco de destruirmos o que se conquistou com muito sacrifício. Pedimos também bolsas de estudos e formações em serviço de modo a aumentarmos as nossas qualificações acadêmicas e profissionais.

Por último queremos pedir as nossas sinceras desculpas por não nos identificarmo-nos, mas como deve imaginar excelência, temos medo ser ser transferidos ou até mesmo de ser expulsos do SNS. Mas todos os factos aqui narrados podem ser facilmente verificados e provados.

Muito obrigado pela atenção

Grupo de profissionais do SNS

Resposta de Castel-Branco aos comentários à sua carta para Guebuza

Professor Carlos Nuno Castel-Branco respondeu as criticas de que tem sido algo após o exercício da liberdade de expressão e de cidadania. Eis a resposta:

Interessante. Não foi Khadafi que chamou “ratos” a todos os críticos dele, independentemente da natureza da crítica? As cartas em “resposta” a minha têm algumas características comuns.

Primeiro, deturpam os assuntos e evitam discutir o que discuti. A minha carta não era sobre raptos ou sobre guerra, era sobre governação. Falei dos raptos e da guerra, no contexto de falar do discurso político, da intolerância, das opções económicas e sociais, do tratamento dado ao pensamento independente em Moçambique, do racismo, do abandono da parte mais nobre dos ideiais socialistas e igualitários da Frelimo, etc. Portanto, limitar a critica à discussão dos raptos é evitar discutir o que eu discuti.

Segundo, todas acusam-me de estar no lado errado da guerra em Moçambique. Isto é estranho porque o PR disse que não há guerra. Então, não posso estar no lado errado de uma coisa que não existe. Além disso, numa guerra desta natureza, qual é o lado certo? Eu penso que o único lado certo é a paz, e não a guerra. Eu estou no lado da paz. A paz é mais importante do que estar certo ou errado. Se crítico o PR e o seu governo não é porque não saiba que a Renamo está armada e não devia estar, e que faz ataques e provoca mortes. Mas porque é que isto acontece 21 anos depois de termunada a guerra? Porque é que a Renamo não foi desarmada e os seus homens devidamente enquadrados na sociedade? Quando assinamos o acorso de paz, não sabíamos com quem eatavamos a assinar? Não conhecíamos a génese e o modo de vida da Renamo? Assinámos a paz porque aceitámos a reconciliação e integração da Renamo na vida normal da sociedade. Na maior parte doa casos, conseguimos isso. Mas ficou sempre o espectro da intolerância, que se agravou na época de governação de Guebuza. Todos os que não são Frelimo são tratados de maneira diferente. Os que são Renamo são tratados como inimigo. Os MDM são tratados como filho do inimigo. Como é que isto não vai atiçar ânimos, particularmente de alguém com génese belicista? Não estaremos nós a provocar a Renamo para haver uma reacção belicista que justifique a intervenção militar? Se Guebuza ama tanto a paz, porque opta peloa caminhos da guerra? Será que quer ficar na história como o homem que matou Dhlakama, acabou com a Renamo e reintroduziu o monopartidarismo? Era preferivel ficar na história como o homem que manteve a paz, acabou com as ameaças militares por via da inclusão politica, social e económica, e alimentou as esperanças de todos oa moçambicanos, não apenas da elite politica e económica. Quem governa este país é o governo. Quem é o principal responsável pela paz e guerra e segurança é o governo. Todos têm que contribuir, mas ninguém pode substituir o governo.

Terceiro, todas comparam Moçambique com os piores do Mundo no que diz respeito a crimes particulares – nos EUA também há fraude eleitoral, no México há mais raptos, em Angola os críticos são presos, no Quénia há lutas tribais. Etc. Qual é a auto estima envolvida neataa comparações? Porque não nos comparamos com a Noruega, que usa as receitas do petróleo e gas para desenvolvimento inclusivo? Ou com o Vitname, onde o crescimento económico é três vezes mais eficaz que o nosso a reduzir pobreza? Como é possivel que um cidadão moçambicano possa dizer que raptos são coisas normais. Daqui a nada pobreza, desigualdade, corrupção, empobrecimento, guerra sem sentido, engomar pessoas, crianças de rua, educação de má qualidade, transporte público em carrinha aberta, sistema se saúde letal, justiça inoperante, apropriação privada do que é público, tudo isso também vai ficar normal, aceitável, porque existe em outros países.

Quarto, todas as cartas questionam a cidadania de quem critica – de quem esteve nas manifestações, de quem não aplaude o líder incontestável, ou a gloriosa Frelimo. Não há maior cidadania do que lutar contra a tirania. Cidadãos somos todos, não é só o que aplaude a banda que passa. Cidadãos conscientes e activos são os que lutam. E esse coisa de sempre dizer que os que pensam independentemente, os que lutam por igualdade, solidariedade, contra o racismo, os que não aceitam o que acham estar mal, etc., são agentes de dorcas externas não é boa politica. Pensem – será que vocês estão a argumentar que moçambicanos de gema não pensam, logo os que pensam não o são? Será que estão a argumentar que quem não aplaude a grande espectáculo não é moçambicano? Será que os vendedores do bazar que mandaram o Paunde ir dar uma volta não são moçambicanos? Cada vez que vocês dizem que os que se erguem são agentea externos, estão a passar um atestado de imbecilidade ao povo maravilhoso. Povo maravilhoso é o que quer uma guerra sem quartel contra a pobreza, a fome, a desigualdade, a injustiça, contra a guerra e contra a insegurança, contra os maus serviços sociais públicos, contra a má governação e contra a incontestabilidade dos queridos líderes. Esse povo maravilhoso nao quer uma nova guerra civil nem quer ficar nas estatisticas mundiais dos países com mais raptos e crimes.

Quinto, sou acusado de ter publicado a carta na imprensa e a ter circulado na net. De facto, não fiz nada disso. Fiz um post no timeline do meu facebook. Esse post circulou a uma velocidade tremenda e foi parar à imprensa. Primeiro foi o media fax e depois o canal. Vocês já se perguntaram porque foi a circulação tão rápida. Eu ponho uma dezena de posts diários no meu facebook, alguns mais interessantes que essa carta. Porque foi o seu impacto tão rápido e grande, ponto de receber destaque no notícias, público, etc? Uma faísca pode incendiar a pradaria, como dizia Mao TseTung, mas só o faz se a pradaria estiver tão seca que possa arder com facilidade. Já pensaram nisso, porque teve este post tanta circulação e impacto? Ou também foi mão externa?

Sexto, podem criticar o tom da minha carta e o estilo. Todas as criticas me ajudam a fazer melhor. Eu próprio sou acérrimo critico de mim e da minha escrita, e isso ajuda-me a melhorar. Eu próprio não gosto tanto do eatilo da minha carta. A próxima carta vai ser melhor, mas será sobre os mesmos assuntos, com a mesma paixão. Melhor significa maia poderosa.

Carta aberta ao Presidente de Moçambique

Por  Carlos Nuno Castel-Branco

Senhor Presidente, você está fora de controlo. Depois de ter gasto um mandato inteiro a inventar insultos para quem quer que seja que tenha ideias sobre os problemas nacionais, em vez de criar oportunidades para beneficiar da experiência e conhecimentos dessas pessoas, agora você acusou os media de serem culpados da crise política… nacional e mandou atacar as sedes políticas da Renamo.

A crise político-militar que se está a isntalar a grande velocidade faz lembrar as antecâmaras do fascismo. Em situações semelhantes, Hitler e Mussolini, Salazar e Franco, Pinochet e outros ditadores militares latino-americanos, Mobutu e outros ditadores africanos, foram instalados no poder, defendidos pelo grande capital enquanto serviam os interesses desse grande capital, e no fim cairam.

Será que você, senhor Presidente, se prepara para a fascização completa do País? Destruir a Renamo, militarmente, é um pretexto. Fazer renascer a guerra é um pretexto. Parte do problema dos raptos – não todo – e do crime e caos urbano é um pretexto. Permitir a penetração da Al Quaeda em Moçambique é um pretexto. Pretexto para quê? Para suspender a constituição e aniquilar todas as formas de oposição, atirando depois as culpas para os raptores e outros criminosos e terroristas, ou para aniquilá-los em nome da luta pela estabilidade.

Senhor Presidente, você pode estar a querer fascizar o País, mas não se esqueça que a sua imagem e a do seu partido estão muito descredibilizadas – por causa de si e do seu exército de lambe botas. E essa credibilidade não se recupera com palavars e com mortos. Só se pode recuperar com a paz e a justiça social. O que prefere, tornar-se num fascista desprezível e, a longo prazo, vencido? Ou um cidadão consciente e respnsável que defendeu e manteve a paz e sugurança dos cidadãos, evitando a guerra e combatendo o crime?

Senhor Presidente, você tem que ser parte da solução porque você é uma garnde causa do problema. Ao longo de dois mandatos, quem se rodeou de lambe botas que lhe mentem todos os dias, inventam relatórios falsos e o assessoram com premissas falsas? Quem deu botas a lamber e se satisfez com isso, com as lambidelas? Quem se isolou dos que realmente o queriam ajudar por quererem ajudar Moçambique e os moçambicanos, sem pretenderem usufruir de benefícios pessoais? Quem preferiu criar uma equipa de assessores estrangeiros ligados ao grande capital multinacional em vez de ouvir as vozes nacionais ligadas aos que trabalham honestamente? Quem insultou, e continua a insultar, os cidadãos que apontam problemas e soluções porque querem uma vida melhor para todos (meamo podendo estar errados, honestamente lutam por uma vida melhor para todos)?

Quem acusa os pobres de serem preguiçosos e de não quererem deixar de ser pobres? Quem no principio e fim dos discursos fala do maravilhoso povo, mas enche o meio com insultos e desprezo por esse mesmo povo?

Quem escolheu o caminho da guerra e a está a alimentar, mesmo contra a vontade do povo maravilhoso? Quem diz que a guerra, e o desastre humanitário a ela associado, é um teste à verdadeira vontade de paz do povo maravilhoso? Por outras palavras, quem faz testes politicos com a vida do povo maravilhoso? Quem deixa andar o crime, a violência e a pobreza, quem deixa andar a corrupção, o compadrio e as associações criminosas? Quem nomeia, ou aceita a nomeação, de um criminoso condenado a prisão maior para comandante de uma das principais forças policiais no centro do país?

Quem se apropria de toda a riqueza e ao povo maravilhoso oferece discursos e dessse maravilhoso povo quer retirar (ou gerir, como o senhor diz) qualquer expectativa? Quem só se preocupa com os recursos que estão em baixo do solo, mandando passear as pessoas,os problemas e as opções de vida construídas em cima desse solo? Quem privatiza os benefícios económicos e financeiros dos grandes projectos, e depois mente dizendo que ainda não existem?

Quem se defende nos media internacionais dizendo que passou todos os seus negocios para os familiares enquanto é presidente – e quem é suficientemente idiota para aceitar isto como argumento e como defesa?

Quem divide moçambicanos em termos raciais e étnicos, regionais e tribais, religiosos e políticos – já agora, o que são moçambicanos de gema? Serão os autómatos despersonalizados e ambiciosos que nascem das gemas dos seus patos? O que são moçambicanos de origem asiática, europeia ou africana – são moçambicanos ou não são?

Quem ficou tão descontrolado que hoje acusa os media de serem criadores do clima que se vive no país – foram os media que se apropriaram das terras, iniciaram uma guerra, deixam andar o crime urbano e foram pedir conselhos ao Zé Du? Que tipo de media você quer? Um jornal noticias que não tem uma referência destacada a três grandes manifestações populares pela paz e seguranca e justiça social que aconteceram ontem no nosso país, embora tenha uma noticia sobre manifestações contra violações no Quénia? Porque é que as manifestações dos outros são verdade e as nossas mentira?

E, já agora, senhor Presidente, pode esclarecer-nos quem matou Samora?

Senhor Presidente, você não merece representar a pérola do Indico nem liderar o seu povo maravilhoso. E desmerece-o mais cada dia. Você foi um combatente da luta de libertação nacional e um poeta do combate libertador, mas hoje não posso ter a certeza que liberdade e justiça tenham sido seus objectivos nessa luta heróica.

O povo maravilhoso, ontem, prestou homenagem a Mocambique, a Mondlane e Samora, aos valores mais profundos da moçambicanidade cidadã e da cidadania moçambicana. Foi bonito ver as pessoas a manifestarem-se por causas justas comuns, a partilharem a água e as bolachas, a abraçarem-se e distribuirem sorrisos, a apanharem o lixo que uma tão grande multidão não poderia deixar de criar. Foi bonito ver quão bonitos e cívicos Moçambique e os moçambicanos, na sua variedade, são. Foi bonito ver os cidadãos aplaudirem a polícia honesta e abraçarem os seus carros, e os polícias absterem-se de atacar os cidadão. Foi bonito ver que conseguimos juntar uma multidão consciente, cívica e honesta, que o seu porta voz partidário, Damião José, foi incapaz de desmobilizar. Foi bonito ver a bandeira e o hino nacionais a cobrirem todos os moçambicanos, moçambicanos que são só moçambicanos e nada mais.

E no seu civismo e afrimação da cidadania moçambicana, esta multidão para si só tinha três palavras: “fora, fora, fora”. Tenha dignidade e, pelo menos uma vez na vida, respeite os desejos do povo. Reuna os seus patos e saia, saia enquanto ainda há portas abertas para sair e tempo para caminhar. Não tente lutar até ao fim. Isso só vai trazer tragédia, mortes e sofrimento para todos e, no fim, inevitavelmente, você e todos os outros belicistas, criminosos e aspirantes a fascistas, sejam de que partido forem, serão atirados para o caixote do lixo da história. Saia enquanto é tempo, e faça-o com dignidade. Ninguém se esquecerá do que você fez – de bem e de mal – mas perdoa-lo-emos pelo mal por, pelo menos no fim, ter evitado uma tragédia social e saído com dignidade.

Que, pelo menos, o seu último acto seja digno e merecedor deste povo maravilhoso. E, enquanto se prepara para sair, por favor devolva ao país e ao Estado a riqueza de que você, a sua família e o seu grupo de vassalos e parceiros multinacionais se apropriaram. Leve os seus patos mas deixe o resto. E, por favor, use as presidências abertas, pela última vez, mas para se despedir, pedir desculpas e devolver a riqueza roubada.

Saia, senhor Presidente, enquanto ainda é suficientemente Presidente para sair pelas suas próprias pernas.

Você sabe, de certeza, o que quer dizer “A Luta Continua!” Então, saia.

E não perca tempo a abater ou mandar abater ou encorajar a abater ou deixar abater alvos seleccionados, sejam eles quem forem. O sangue de cada um desses alvos só vai engrossar ainda mais o rio em cheia que o atirará a si, e seus discípulos, como carga impura, para as margens do rio poderoso fertilizadas pela luta popular. O povo não morre, e é o povo, não um alvo seleccionado, seja quem for, quem faz a revolução. Não se esqueça que a fúria do rio em cheia é proporcional à água que nele flui e à pressão que sobre ele exercem as margens opressoras.

Senhor Presidente, não tente fascizar Moçambique. Se o fizer, pode levar tempo, podem muitas vidas ser encurtadas pelas suas forças repressivas de elite, mas se seguir este caminho, você sairá derrotado. A história não perdoa.
Adeus, senhor Presidente, vá descansar na sua quinta com a sua família e dê à paz e à justiça social uma oportunidade nesta pérola do Índico e em benefício do seu maravilhoso povo. Por favor.

Não lhe queremos mal. Mas, acima de tudo, queremos a paz e que os benefícios do trabalho fluam para todos.

Carta aberta a Guebuza de Carlos Nuno é uma bala que lhe saiu pela culatra

Este artigo é uma resposta à Carta aberta ao Presidente de Moçambique de Carlos Nuno Castel-Branco que pode ser lida aqui no portal.

Por Gustavo Mavie

´´Raptos são uma ocorrência comum em várias partes do mundo hoje, e algumas cidades e países são frequentemente descritos como “Capitais do Sequestro do Mundo´´. A partir de 2007, esse título pertence ao México, possivelmente com 100.000 raptados em cada ano. Em 2004, era aColombia que detinha este título. Apesar de que as estatísticas são mais difíceis de encontrar, há  dados que sugerem que um total mundial de 12,500 a 25,500 raptados em cada ano, com 100.000 para o México´´, in Enciclopedia Wiklipedia.

Quando li, na segunda-feira da semana passada, a carta aberta ao Presidente Armando Guebuza da lavra de Carlos Nuno Castelo Branco, que publicou na Net e em alguns jornais moçambicanos, exigindo ao estadista moçambicano que se demita, porque na sua óptica, governa mal o nosso País como, pior que isso, porque entende que não consegue conter os raptos que assolam algumas cidades moçambicanas, lembrei-me da tese que diz que há pessoas que são como os ratos, que mesmo que vivam uma eternidade numa biblioteca, nunca chegam a saber o conteúdo dos livros que lá estão.

O que me trouxe à memória este caso dos ratos, é porque não percebo como é que um académico como se assume Carlos Nuno Castelo Branco, que estudou em Londres e que é uma das cidades que é uma verdadeira escola natural de sapiência, não se apercebeu que crimes como raptos, de que culpa agora totalmente o Presidente Guebuza, ocorrem em quase todos os países ou pelo menos certas outras cidades mundiais, e que não são de per si prova de má governação de quem quer que seja.

O que mais me surpreendeu, é culpá-lo também por ter, finalmente, ordenado, só a partir de Outubro último, ao exercito moçambicano, para que passasse já da defensiva em que vinha estando, para a ofensiva, em resposta aos repetidos ataques que a Renamo vinha fazendo desde Abril último contra civis, polícias e militares, sem que antes tivesse sido atacada pelo Governo. Não percebo como acusar Guebuza, por ter dado essa luz verde às tropas moçambicanas para contra-atacarem, de modo a frustrar a estratégia da Renamo que era impedir com esses ataques a realização das eleições municipais marcadas para 20 deste mês, e cuja campanha já está em curso agora. Posso admitir que esta estratégia renamista não seja percebida pelo cidadão comum, mas já não pode ser para um académico como o é Castelo Branco.

Mesmo académicos de renome, como o também conceituado jornalista Joseph Hanlon, fizeram já uma leitura realística desprovida de motivações políticas, e concluíram que a culpa de toda esta tensão e escaramuças em que vivemos agora é da exclusiva responsabilidade da Renamo, e não do Governo como a imputa a Guebuza. Hanlon distribuiu, via Net, a 27 do mês passado, um artigo em que comprova com factos irrefutáveis, que foi a Renamo que começou por fazer discursos belicistas desde Fevereiro deste ano. Ele mostra que depois desses discursos inflamatórios, começou depois a atacar, melhor, a matar civis, polícias e militares, sem que nunca antes tivesse sido alvo de nenhum ataque do governo, e que este só foi forçado a retaliar a partir de Outubro, ou seja, sete meses depois da Renamo ter estado a atacar e matar civis, policias e soldados! Um desses ataques da Renamo foi contra o Paiol de Savane em Abril último, em Sofala, em que matou a sangue frio, seis dos soldados que o guarneciam. Dois dias depois, a mesma Renamo atacou um camião tanque e um machimbombo em Muxungwé, que resultou na morte de três pessoas. Tudo isto, meses antes que o Governo tivesse feito aquele assaltado e subsequente tomada de Santungira a 21 de Outubro último.

Como vê, Carlos Nuno Castelo-Branco, atribuir culpas a Guebuza pela reactivação da guerra em Moçambique, é uma acusação a todas as luzes injusta. Mesmo que esta acusação seja feita pela maioria dos moçambicanos, como o diz sem que nos diga como é que chegou a essa conclusão, não é por isso que será justa. A História diz nos que há vezes em que as maiorias apoiaram causas erradas ou pessoas eivadas de maldade ou mesmo incendiários. Hitler foi eleito pela maioria dos alemães, e o errático Kumba Yalá, da Guiné Bissau, foi também catapultado ao poder pela maioria dos guinenses, mas Hitler acabou arrastando os seus compatriotas para a guerra que moveu contra todo o mundo. Ele foi tão mau para os alemães como para o resto da humanidade que o melhor era nunca ter nascido.

A sua formação académica o obriga a ler correctamente os factos e a ajudar os outros que não foram muito para além da aprendizagem escolástica, de modo que sejam capazes de compreender também os fenómenos político-sociais e militares. É o que fez Hanlon nesse seu artigo com o título ´´History Matters´´, ou seja, ´´A Historia Conta´´. Ele vinca que para se perceber a tensão e as escaramuças que agora ocorrem, há que se recuar no tempo, para se ver como tudo foi acontecendo até se chegar onde chegou. Já Cícero dizia que para se compreender o presente, há que se ter em conta o passado. A História da Renamo já explica o que está a fazer de novo agora.

Mesmo o académico sul-africano, Andre Thomashausen, que já foi um apoiante da Renamo, disse, quarta-feira da semana passada à televisão moçambicana TIM, que o problema é da Renamo, que não conseguiu passar de movimento rebelde para partido político, e que isso faz com que os moçambicanos tenham medo sempre que ouvem falar dela.

Eu próprio, escrevi um artigo com base na análise de Hanlon, que o Notícias publicou no sábado último dia 02 que caso o não leu o aconselho a lê-lo retroactivamente, com o título ´´Inimigo do Inimigo Amigo É´´, em que deixo claro que os que condenam Guebuza pelo reinício da guerra em Moçambique, só o podem fazer por uma de duas razões: ou ignoram o que a Renamo foi dizendo, e os ataques que vinha fazendo sem nunca ter sido atacado antes, ou o culpam porque não gostam do Guebuza por qualquer das razões. Este deve ser, certamente, o caso de Castelo-Branco, porque deixa bem claro que o odeia simplesmente, e isso está claramente estampado nesta sua missiva que de tão má é capaz de vir a constar no livro de recordes Guiness Book como uma das piores cartas. Esta sua carta foi uma bala que lhe saiu pela culatra.

Não há péssimo julgamento do que condenar alguém por crimes que nunca cometeu. Se quer ser justo e bom para nós seus compatriotas, condena a Renamo que foi quem começou de novo com os tiros, e não Guebuza que só está a combater estes criminosos que são os alguns dos homens da Renamo que até atacam centros de saúde para matar pessoas que estão a tentar evitar a morte.

Há, na sua carta, uma clara evidência de que não tem em que de facto acusar Guebuza, daí que até o acusa de ser culpado mesmo pelos raptos que afectam Maputo, Beira e, de algum modo, Nampula, quando mesmo países munidos de meios sofisticados de vigilância das suas cidades, como os EUA, que têm câmaras que filmam até formigas, registam também raptos. Mesmo a nossa vizinha África do Sul que, tal como os EUA que tem a famosa FBI, tem polícias especializadas só para este tipo de crimes, é também vítima deste mesmo mal e é um dos 10 países que mais raptos regista em todo o mundo. Estes 10 países são agora encabeçados pelo México, onde, como dissemos já, regista-se 100.000 raptos por ano, ao invés do nosso, que até agora registou um máximo de 50 raptados. O México é seguido por ordem decrescente, pelo Iraque, Índia, a própria África do África, o Brasil, Paquistão, Equador, Venezuela, Colômbia e, finalmente o Bangladesh.  Muitos destes países têm estado neste TOP 10, desde 1999, e que neste ano a lista era encabeçada pela Colômbia, e pela mesma ordem decrescente, seguiam o México, o Brasil, as Filipinas, a Venezuela, o Ecuador, a Rússia, a Nigéria, a Índia e, finalmente, a África do Sul que agora passou deste 10.o lugar para 0 4.o. Ora, será que todos estes países são governados por Guebuza? Ou está a aplicar a falsa tese que diz que o mesmo pode não ser o mesmo, como quando se dizia no outro tempo aqui em Moçambique que quando um preto corria era um ladrão, e quando era um branco a fazer o mesmo, é um atleta.

É importante destacar que no caso do Brasil, já esteve neste lista quando era liderado pelo Presidente pro-povo, melhor, pro-pobres, Lula da Silva, mas que nem com isso ele conseguiu combater totalmente todos os raptores, e até hoje muitos dos magnatas brasileiros só viajam mais de helicópteros para não serem raptados. Mesmo Portugal, que agora se oferece para nos ajudar a combater os raptores, é também vítima de raptos, e o último ocorreu este fim-de-semana contra um médico. O que o Carlos Nuno devia fazer, é apelar aos outros compatriotas a adoptarem medidas anti rapto, como se faz noutros países. No Brasil, por exemplo, os magnatas até já andam mais de helicópteros que de carros. Outra das medidas é usarmos mais dinheiro digital e não vivo nos pagamentos como ainda é comum entre nós.

Mesmo as escaramuças que ocorrem um pouco pelo centro do Pais e em algumas províncias do Norte, são da exclusiva culpa da Renamo, que foi quem começou a atacar civis, polícias e militares. Ou querias que Guebuza ordenasse as tropas a se deixarem matar. Porque não condena a Renamo por ter sido quem começou com os ataques. Surpreende-me esta sua falta de coerência. Ou será porque quando a Renamo atacava estava em sintonia com os seus interesses, já que Balzac diz que os interesses se sobrepõem aos sentimentos. Deve condenar a Renamo porque está a voltar a matar civis como o fazia durante a guerra dos 16 anos que moveu até 1992, e de que Castelo-Branco conhece muito bem, porque na altura era um oficial do exército moçambicano. A menos que sofra de amnésia para se ter esquecido dos seus massacres.

O senhor Carlos Nuno Castelo-Branco e todos os que comungam da mesma visão, como Alice Mabota, deviam saber que se há quem sabe por experiência própria, o quão custou esta paz que agora a Renamo quer voltar a quebrar, certamente que Guebuza é um deles. Isto porque foi ele que chefiou, durante dois anos e meio, a Delegação do então Governo do Presidente Chissano, que a negociou em Roma com a da Renamo, e que tinha como chefe, Raul Domingo, que mais tarde viria a ser expulso da mesma Renamo por Dhlakama.

No lugar de fazer uma análise académica fria, e apontar quem de facto é culpado, deixou-se levar por motivações políticas, e chegar a conclusões politizadas e, logo, erradas ou de má-fé. Para tentar dar uma veracidade aparente, cita alguns dos palavrões que foram proferidos contra Guebuza por algumas das pessoas que estavam na manifestação contra os raptos em Maputo, e as escaramuças provocadas pela Renamo, como algo que prova que todo o povo é anti-Guebuza.

Quanto aos que gritaram fora,fora,fora Guebuza, na verdadade  tentaram, com isso, ´´raptar´´ aquela manifestação contra os raptos, para servir os seus interesses inconfessos, como bem o disse no dia seguinte, o analista político, Esausto Mahanjane, à Radio portuguesa RDP. É que se assumirmos que os raptos são prova de má governação de Guebuza, como o tenta fazer crer, então os que ocorrem noutros países, incluindo nos EUA e no México, em que neste caso chegam a 100.000 por ano neste momento, então os seus respectivos presidentes são maus e deviam se demitir, incluindo Obama.

O governo tolerou muitos dos ataques antes de retaliar

Na verdade, foi pela repetição desses ataques, que forçaram Guebuza a ordenar o exército a retaliar, porque estava sendo dizimado pelos homens armados de Dhlakama, que confundia com o que chamou de piriquitos. Mesmo assim, o exército optou pela defensiva temperada com apelos de Guebuza para que não mais fizesse ataques, mas perante a persistência da Renamo, teve de enveredar pela presente ofensiva, que acabou na tomada de Santungira, onde vivia o seu líder, Afonso Dhlakama. Se quer ter mais detalhes sobre os antecedentes, leia o artigo de Hanlon ou mesmo esse meu que publiquei na edição do Notícias de 02 deste mês.

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A Carta

Sinopse

Quando Kianga se casou com Dário pensou que aquele amor seria para sempre. Afinal, depois do casamento, Dário começou a revelar-se controlador e possessivo, impedindo-a de seguir o seu sonho: trabalhar como costureira. Kianga suporta aquele comportamento durante dois anos.Mas um dia tudo muda.

Produtores: Antonio Forjaz & Mickey Fonseca
Guião: Maura Quatorze
Realizador: Michele Mathison
Fotografia: Antonio Forjaz
Edição: Antonio Forjaz & Michele Mathison
Mistura de Som: OnKeySound (Johannesburg)

Elenco

Kianga – Gisela Ibrahimo
Dario – Xavier Machiana
Mila – Angela Simões
Ben -Fil Baby
Dona da loja – Joana Fartaria
Filipe – Nelson Maquile
Celia – Julieta Lopes

Ontem nas escolas

Lembro-me que quando andava no ensino primário e secundário, era um milagre conseguir acertar algum exercício. Principalmente os de Matemática, mas voltemos, era mesmo um milagre acertar algum exercício. Encontrava-me num verdadeiro abismo da falta de entendimento/percepção das matérias, uma autentica “branca”. A minha cabeça só queria saber do Rap, a minha pessoa só pensava em Busta Rhymes e em mais ninguém. Lembro-me também que várias foram as vezes em que, cansado de levar tanta porrada do meus professores, cansado de ser cobaia para os seus aparatos de tortura, resolvi ir apresentar queixa aos meus progenitores. Qual quê? Em vão foram os meus esforços pois, a resposta que eu sempre obtive, não variava de forma e sentido.

– Pai, meu professor me bate muito, estou cansado…

– Estás cansado de quê?

– Estou cansado de levar porrada Papá, já chega!

– E porque ele te bate?

Ai eu engasgava, mas já que tinha iniciado a conversa, obrigado era a prosseguir, pois o “Madala” lá estava para da-lhe conclusão.

– Mersinho, porque ele bate em ti?

– Porque… ele bate porque…

– Estás a engasgar? Queres um copo com água?

– Não pai, não, não quero…

– Responda-me então. Porque levas tanta porrada na escola. Diga-me agora, se for por injustiça, eu próprio, amanhã mesmo, trato de ir falar com ele.

– Porque não acerto as contas, e ele diz que faço barulho…

<< Pahsh >>, uma bela de uma bofetada era-me oferecida, por vezes uma valente coronhada que me deixava mijado até aos confins das minhas cuecas. E um sermão iniciava e prosseguia…

– É isto que eu direi que ele te faça sempre que fores fazer barulho e, não resolveres os deveres de casa. Não estou a gastar dinheiro pra que depois, no final do ano, chumbes! Se quiseres dou-te já uma enxada e envio-te a Inhambane, em Maxavela, e lá serás agricultor. Estás a ouvir bem?

O que podia eu dizer, além de um breve e entrecortado “sim”? Como se não bastasse o velho tratava de ligar ao professor e sempre dizia a mesma coisa:

“Alo, aqui é o pai do Emerson Chiloveque. Tem se portado mal , nem? Ok, se fizer confusão aí, batam, eu sou o pai dele e eu é que estou a dizer, batam…”. Nada mais e nada menos que isso, era sempre a mesma coisa, dai que, até com palmatória, idêntica àquelas com que espancavam os escravos, na era colonial, nas grandes plantações de algodão… eu levei! Se não fosse por bem, iria ficar na linha, por “mal”!

No final das contas era tudo para dar-me uma boa direção, um rumo seguro.

Hoje…

Olhemos o que acontece nas escolas públicas e privadas, hoje em dia. O professor é quase ridicularizado pelos alunos pelo simples facto de, ser filho deste ou daquele… “grande senhor”, chefe de uma grande empresa e etc. E com as passagens automáticas, já nem falo, os alunos refastelam-se na sombra da bananeira e pouco se esforçam nas matérias. O mais grave, muitos deles chegam a ser protegidos pelos encarregados de educação, assim que é puxada a orelha, por estar perturbando as aulas, corre e vai queixar ao Pai poderoso, e o que este faz? Dirige-se à escola e ameaça processar ao pobre professor que, por temer pelo seu ganha pão, acaba se acobardando e assim vai a Pérola, vivendo à sombra do deixa andar. Questiono-me eu sobre estes métodos, será que nós, não estaremos parindo uma geração rebelde e pouco esforçada? E se assim for, que impacto isso terá no futuro? Porque, apesar de na minha época, o medo ter sido usado para “alinhar” as coisas, havia ordem! Algo que hoje em dia escaceia… Sinto-me triste ao admitir que futuramente, provavelmente, poderá haver troca de insultos em plena sala de aulas… infelizmente o meu instinto leva-me a essa dedução.

Tomara que esteja enganado…

Festival de insensibilidade nas ruas de Maputo

Acredito que tenha falado de crianças algumas vezes. Mas, enquanto não se resolver ou minimizar a situação vou continuar. Lá dizia o Presidente Samora Machel que “as crianças são flores que nunca murcham”, eu acrescento, não deviam murchar, mas infelizmente aqui em Moçambique as coisas são bem diferente. Elas murcham sim. Quem de direito devia amenizar a situação, simplesmente fica impávido a ver crianças na rua a vender chips, chocolates, rachel, pão com badjias, até álcool (proibido para menores de 18 anos, vendem e consomem).

As meninas se prostituem para ganhar dinheiro (uma criança não devia se preocupar em ganhar dinheiro, isso é coisa de adulto), os rapazes saem das zonas suburbanas da cidade de Maputo e vão a baixa, onde vendem diversos produtos e muitas vezes convivem com drogados (a correrem o mesmo risco) e quando a noite cai, dormem onde estão, pois se elas andam correm risco de ser assaltadas.

Em geral, essas crianças não são de Maputo, vem das províncias, em linguagem mais séria podemos dizer que são vítimas de tráfico de crianças que, posteriormente são submetidos a prostituição e ao trabalho infantil.

As imagens do Feling Capela, foram tiradas em Maputo, muitas delas durante a noite e elas falam muito mais que qualquer palavra que podia tentar expressar.

Cry. Feling Capela

Expo night. Bhaka trio 111 1 de janeiro 2012 067 3'55'' Av.25 de  Set. Olhos que nao sabem sentir...            Feling Capela 6'33'' PGR 9'13'' Catedral de Maputo. 9'13'' Catedral de Maputo. (1) Administradores. MAE 055 Criancas partilhando lamina.          Feling Capela

Quantas vezes usa-se esta lâmina para cortar o cabelo e onde foi apanhada?

Dialogo Gov Vs Renamo. 2013 116 eles fumam e nos vendemos...              Feling Capela SEM ESTRELAS, SEM SONHOS! fotos de  JUMA CAPELA

Cama? Dura realidade a nossa

Sem lugar segura para dormir e proteger seus (foto blackbarry)              Feling Capela Wuchena . Maputo Afro Swing. Sukuma 163 Wuchena . Maputo Afro Swing. Sukuma 168

Criancas-em-situacao-de-Risco.-J.Capela-650x465

Prostituição infantil

 frio que doi porem sonham.                 Feling Capela Greve 1Setembro 083 IMG_6405 IMGP5063 Moçambola. C.Sol-HCB 118 Olhos da Sociedade (13) Olhos da Sociedade (15) Pav. Estrela Vermelha 026 Perigo, que diferenca...                Feling Capela

Perigo? Não pra ele

ProCredito. Fotos- J.Capela (10)

ProCredito. Fotos- J.Capela (15)

Apesar de tudo, a esperança anda connosco

Estará a RENAMO comendo do seu próprio vómito?[i]

Texto por Ozias Tungwarara, traduzido por Pedro João Pereira Lopes

A RENAMO anunciou, na semana passada, que desacreditava os Acordos de Paz de Roma de 1992, que pôs fim a uma guerra civil brutal de 16 anos, que matou um milhão de pessoas. A decisão surge depois de o exército moçambicano ter atacado a base da tropa da RENAMO em Santungira, na província central de Sofala, e ter enviado Alfonso Dhlakama, o líder da RENAMO, às montanhas da Gorongosa. A questão que preocupa os moçambicanos e a região austral de África é se o colapso dos acordos de paz constituem uma séria ameaça à paz e segurança de Moçambique e da região, ou se o acordo, na realidade, não mais vale o pedaço de papel no qual foi escrito.

Em abril escrevi sobre o reatamento de violência da RENAMO, manifestando uma preocupação sobre o domínio de um único partido político, a FRELIMO, que constitui uma ameaça grave à democracia e governação responsável. A minha preocupação estava baseada nos resultados de 2009 dos relatórios da OSISA – Iniciativa da Sociedade Aberta para a África Austral/AfriMAP, sobre a democracia e participação política em Moçambique. O relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP) do mesmo ano constatou alegações de práticas de discriminação administrativa pela FRELIMO, que faz com que seja “caro” para os indivíduos identificarem-se abertamente com qualquer outro partido diferente do partido no poder. Concluí que os campos de jogo político desiguais poderiam encorajar a violência.

Grupo armado da Renamo

Em resposta à minha preocupação, um colega fez-me lembrar de um provérbio da África Ocidental que diz “Alimentar-se de vômito não é maneira de alcançar uma vida saudável”, e perguntou se, na realidade, Dlhakama não estaria comendo o seu próprio vômito. As suas observações sugerem as perspectivas de Joseph Hanlon sobre os recentes desenvolvimentos. Hanlon, um perito sobre Moçambique, acredita que Dhlakama falhou na conversão do anterior movimento de guerrilha num partido político efectivo devido ao seu estilo de liderança ditactorial e pobres habilidades de negociação – perdendo assim uma oportunidade de ouro de ser uma parte importante da transição democrática de Moçambique. Durante anos, Dhlakama pôs de parte as pessoas competentes da RENAMO, que agora fazem parte do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Hanlon concluiu que a RENAMO sepultou-se num canto.

Entretanto, os consensos até agora são de que a RENAMO não tem nenhuma capacidade para empreender e sustentar uma nova guerra civil. Hanlon vai mais adiante e menciona que a África do Sul tem níveis mais altos de violência que Moçambique, daí que os ataques esporádicos perpetrados pela RENAMO são improváveis de diminuir o apetite dos investidores sobre o carvão e o gás de Moçambique. Isto pode ser verdade, assim como também pode ser verdade que a rebelião ficará descontrolada como temos visto em muitas partes do continente.

Vários factores poderiam contribuir para que um bando ralé descarregasse destruição, como vimos na RDC, Uganda, Serra Leoa, Nigéria e outros lugares. Estes factores incluem um território vasto cujo terreno é conducente à guerra de guerrilha; fronteiras porosas; proliferação de armas pequenas; distribuição desigual dos benefícios dos recursos naturais nacionais; e um exército nacional fraco.

Recentemente, durante uma conversa com um acadêmico da Universidade Eduardo Mondlane, disse-me ele que apesar da vontade aparente da FRELIMO em negociar, a estratégia é matar Dhlakama da mesma maneira que Angola eliminou Savimbi da UNITA. A verdade é que não é certo se remover Dhlakama da equação solucionará ou não o “assunto RENAMO”. Dhlakama também poderia permanecer tão inapreensível quanto Josph Kony do Exército de Resistência de Deus.

Que nem a RENAMO e nem Dhlakama são politicamente santos, disso não há nenhuma dúvida, dado o companheirismo passado de ambos com a Rodésia racista de Smith e o Apartheid da África do Sul. Porém, o facto que permanece é que a FRELIMO e a RENAMO assinaram um pacto de paz em 1992, que devolveu o país do abismo. O dividendo da paz tem sido um factor-chave no progresso econômico e social de Moçambique. Espera-se que a economia de Moçambique cresça 7% este ano.

Enquanto os fracassos eleitorais espectaculares da RENAMO não podem ser atribuídos somente a um campo desigual do jogo político, a FRELIMO deveria empreender reformas que promovam a inclusão em processos políticos. A SADC e a UA têm a responsabilidade de continuar a exigir que Moçambique solucione as lacunas governativas de que o MARP e outros estudos identificaram para mitigar o potencial de violência por parte da moribunda RENAMO.

Isto é especialmente importante porque decorrerão em Moçambique, no ano que vem, eleições legislativas e presidenciais.


[i] Texto originalmente publicado em inglês com o título “Is RENAMO eating its own vomit?”, no dia 25 de Outubro de 2013. Disponível em http://www.osisa.org/hrdb/blog/renamo-eating-its-own-vomit.

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